POETA CURITIBANO FERNANDO KOPROSKI PASSA A LIMPO SUA TRAJETÓRIA EM PEQUENO DICIONÁRIO DE AZUIS

Volume celebra as mais de duas décadas dedicas aos versos com poesia completa e fortuna crítica.

Fernando Koproski é um dos nomes mais importantes da literatura brasileira dos últimos anos. Poeta, tradutor, prosador e letrista de rock e música popular, o curitibano completa em 2018 mais de duas décadas dedicadas aos versos e, para celebrar esse momento, publica Pequeno dicionário de azuis.

O volume reúne toda a poesia de Koproski a partir de 1995, com o debut em Manual de ver nuvens, e se debruça sobre clássicos do universo koproskiano como Nunca seremos tão felizes como agora (2009) e Tudo que não sei sobre o amor (2003), que contém CD gravado em parceria com o músico Luciano Romanelli.

A poesia de Koproski transpira musicalidade e ritmo, não é à toa que muitos dos seus versos foram transformados em canções por nomes como Beijo AA Força, Carlos Machado, Casca de Nós e Alexandre França. Para o lançamento, que acontece no dia 26 de junho, às 19h30, no bar Ornitorrinco, o autor irá ler seus poemas acompanhado pelo guitarrista Mario Vizioli. No dia 27 de junho, o poeta apresenta o mesmo número para estudantes do Ensino Médio da rede pública de educação de São José dos Pinhais, Biblioteca Scharffenberg de Quadros.

Beleza áspera
Muito além que um apanhado da trajetória autoral de Koproski, Pequeno dicionário de azuis presenteia o leitor com poemas inéditos, fortuna crítica e entrevistas, somando 660 páginas. Para o escritor, em tempos de e-books e outras plataformas para se fazer e divulgar literatura, o papel ainda é fundamental para que se passe a limpo uma carreira prolífera como a sua. “Gosto de livros, cresci lendo e me apaixonando por livros reais, com ossatura forte de papel, livros com musculatura de papel e nervos de papel. E por isso, era natural sonhar em fazer um livro real. Livros virtuais não me atraem, acho eles sem graça”, comenta.

A poesia de Fernando Koproski é de uma beleza áspera, quase casual e que reflete a Curitiba de Leminski, Dalton Trevisan e Jamil Snege – e não a Cidade Sorriso ou a capital do futuro das propagandas. “A poesia é um acaso, uma espécie de acidente, uma voz que chama não os melhores, nem os mais belos, mas provavelmente uma convocação aos mais feios, desajustados, talvez problemáticos ou simplesmente despreparados para ficar frente a frente com a beleza e a verdade”, comenta o poeta em uma das entrevistas de Pequeno dicionário de azuis.

Entre contrapontos e choques de realidade, Koproski tece, como Penélope, seu tapete para desfazê-lo em seguida. Sempre na contramão dos lugares-comuns e do academicismo do mundo literário, poemas como “Universidade federal”, do Retrato do artista quando primavera (2016), “Autorretratos”, de Narciso para matar (2016), ou “Há flores dentro do tronco”, do, até agora, inédito À Procura da poesia mais pura (2017), apresentam um Fernando combativo, avesso aos formalismos que enquadram e limitam a poesia.

Agridoce
Como explica o escritor Paulo Sandrini, em um dos textos críticos que compõe a obra, “a poesia de Koproski é também um canto de guerra contra esse mundo atual, lugar lúgubre, reacionário, de poucos afetos e muito egoísmo”. Para lutar contra a banalidade do mal, nada mais certo que a pureza e inocência, que nada têm de ingenuidade.

Pequeno dicionário de azuis funciona também como uma grande ode às várias formas de amor. Se os versos de O Livro de sonhos (1999) celebram a juventude, a vontade de estar vivo a plenitude de Rimbaud ou Jim Morrisson, os poemas de Nunca seremos tão felizes como agora têm um endereço certo.

Como Vinícius de Moraes, Koproski é um poetinha. Não por ser menor, ao contrário, pela grandeza de seu delicado – e agridoce – vislumbre sobre o cotidiano. Algo que somente os olhos do poeta treinado, e sôfrego, é capaz de produzir. Segundo Fernando, escrever poesia não é um ato diário, é algo sobre o qual se debruça como um viajante sobre um mapa. “Para fazer poesia você precisa de um assombro, um insight, uma inspiração, alguma espécie de gatilho de fogo para ‘atravessar o espelho’ e encontrar o poema lá do outro lado”, afirma.

Não é exagero dizer que a poesia é a arte do encanto e da busca pelo ideal da beleza. Isso porque, como explica o poeta, “a importância da poesia e da compaixão, misericórdia e do amor é a mesma.” E, novamente, o que surge é a pureza e a inocência – que só pode ser aprendida com as crianças.  “Ingrid grávida”, “Laurinha” e “O olhar de Laura”, os três da safra inédita, formam uma belíssima trilogia da paternidade.

No final, se percebe que Pequeno dicionário de azuis é um caleidoscópio poético, capaz de levar o leitor em uma viagem pelo coração do poeta que, como bem definiu Antônio Thadeu Wojciechowski, bomba versos em nosso sangue.

Sobre o autor
Fernando Koproski nasceu em Curitiba em 1973. É autor da trilogia Um Poeta deve morrer – Nunca seremos tão felizes como agora (2009), Retrato do artista quando primavera (2014) e Retrato do artista quando verão, outono, inverno (2014). Escreveu a série ficcional A Complicada beleza – Narciso para matar (2016), Crônica de um amor morto (2016) e A Teoria do romance na prática (2016) –, os livros de poesia Como tornar-se azul em Curitiba (2004), Pétalas, pálpebras e pressas (2004), premiado pela Secretaria do Estado da Cultura do Paraná, entre outros.

Koproski foi o primeiro tradutor do cantor e poeta canadense Leonard Cohen no Brasil, publicando as coletâneas Atrás das linhas inimigas de meu amor (2007) e A Mil beijos de profundidade (2016). É responsável pela tradução e seleção dos poemas de Charles Bukowski que compõem os livros Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém (2005), Amor é tudo que nós dissemos que não era (2012) e Maldito deus arrancando esses poemas de minha cabeça (2015). Traduziu, em 2016, Cabeça de adulto, obra poética de Jeff Tweedy, vocalista e letrista da banda Wilco.

Serviço:
Lançamento de Pequeno dicionário de azuis
Poesia | Editora 7Letras | 660 páginas | R$ 69,00.
Leitura de poemas na voz do autor acompanhado pelo guitarrista Mario Vizioli
Quando: 26 de junho (terça-feira) | Horário: 19h30
Onde: Bar Ornitorrinco (R. Benjamin Constant, 400 – Centro de Curitiba).

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