“OLHOS DE PIXEL”: AUTOR PARANAENSE GANHA PRÊMIO JABUTI COM CURITIBA FUTURISTA E ENGAJAMENTO SOCIAL

Vencedor na categoria Romance de Entretenimento, Lucas Mota cria ficção científica singular e se consolida como uma das vozes mais originais do gênero.

Vencedor na categoria Romance de Entretenimento, Lucas Mota cria ficção científica singular e se consolida como uma das vozes mais originais do gênero.

Fundamentalismo religioso. Governo autoritário. Violência como linguagem estatal. Discurso do ódio como retórica social. LGBTQIA+fobia. Pode parecer o Brasil de 2022, mas são alguns dos elementos que contornam o debate e a crítica proposta pelo escritor paranaense Lucas Mota em Olhos de pixel (e-book, Plutão Livros), vencedor do Prêmio Jabuti, a mais importante premiação literário do país, na categoria Melhor Romance de Entretenimento. Misturando a análise atenta do presente à estética da ficção científica, o autor construiu um livro inteligente singular – que segue os passos de Philip K. Dick, Ursula K. Le Guin e Isaac Asimov –, mas tem um universo bastante próprio e original.

Ambientado em uma Curitiba futurística, Olhos de pixel é um reflexo das inquietações de Mota. São a sua leitura e interpretação de mundo e, ao mesmo tempo, uma maneira de exorcizar as questões mais urgentes. Não à toa, o escritor mergulha em sua própria intimidade para propor uma discussão de altíssimo nível, sem abrir mão de uma literatura acessível e instigante, capaz de levar o leitor pelas mãos da primeira à última página. “Eu fui criado no meio religioso, me considero cristão até hoje, mesmo não tendo qualquer relação com igrejas ou instituições religiosas, por isso senti que eu tinha alguma coisa pra dizer sobre aquilo que incomodava”, explica o escritor. “Ao lado disso teve a parte de criar um cenário futurista, que foi mais divertida, mais leve. Criar universos ficcionais é sempre uma experiência agradável pra mim, me divirto muito fazendo”

Na trama, uma espécie de cyberpunk dos trópicos, a heroína queer Nina Santtelles, uma mercenária habitante do underground, luta para se reconectar física e espiritualmente com seu filho, e assim conseguir uma passagem só de ida para a colônia espacial Chang’e – um éden de neon –, entretanto, tudo muda quando acaba presa pela polícia. Nesse xadrez político e social, Nina precisa comprar a liberdade se aliando à polícia, e ajudando nas buscas por um hacker, inimigo da maior igreja-corporação do país. O dilema começa quando o hacker faz à protagonista a mesma oferta – a viagem para Chang’e –, porém, sem que Nina vá contra seus ideais.

Romance de entretenimento
Quando o Jabuti criou a categoria de Romance de Entretenimento, há alguns anos, houve quem a viu como um contraponto ao Romance Literário, entretanto, segundo Lucas Mota, a literatura está além das nomenclaturas e classificações. Olhos de pixel, como boa parte das obras de ficção científica, principalmente as clássicas, orbita entre a cultura pop e o engajamento social e, portanto, tentar colocar o livro em uma caixinha que o defina por completo pode se tornar apenas uma estratégia reducionista.

Isso, no entanto, não é algo que preocupe ou incomode o escritor. “O mercado literário funciona como qualquer outro mercado, o objetivo são os números de vendas, a sustentabilidade financeira da coisa. A literatura simplesmente não se importa com isso, o interesse é o texto, as palavras, os gêneros literários, seja em um estilo tradicional e consolidado ou em algo completamente experimental e inusitado”, comenta Mota. “Alguns profissionais do mercado percebem isso e tentam alinhar os interesses do mercado com os da literatura. Às vezes conseguem.”

O certo é que, independentemente de qualquer classificação, o Prêmio Jabuti é uma chancela importante para a divulgação de escritores de diferentes gêneros literários, sobretudo para aqueles que, como Lucas Mota, trilham um caminho independente ou não integram os grupos de grande editoras. Acima de tudo, é uma oportunidade de chegar a novos leitores. “O prêmio me trouxe uma avalanche de novos leitores. Eu sabia que algo desse tipo poderia acontecer, mas o resultado tem superado muito as minhas expectativas”, analisa Lucas.

Voz original
O Jabuti de Olhos de pixel é a consolidação de um projeto literário coeso. Desde a sua estreia com Todos os mentirosos (2016), Lucas Mota se firma como uma voz original e sólida. Seja no romance Boas meninas não fazem perguntas (2018) ou nos contos da série Soundtrack – Desintegrado (2018), O Destino de Ayra (2018), A Terra dos homens-tigre (2019) e Algoritmia (2020) – a literatura do escritor paranaense se mostra em um diálogo constante entre o clássico e o novo modo de fazer ficção científica.

Profícuo, Mota já tem na manga novidade. “Eu já tenho alguns outros textos inéditos esperando apenas uma oportunidade para chegar aos leitores. Não posso dizer exatamente em que ordem eles serão lançados ainda, mas podem esperar material novo de ficção científica, fantasia, realismo mágico e algumas surpresas”, revela.

Sobre o livro
Olhos de pixel
Lucas Mota
Plutão Livros | 296 p.
Compre aqui: https://amzn.to/3FtSLex

Sobre o autor
Lucas Mota nasceu em Umuarama, no Paraná, e vive em Curitiba. É escritor, vencedor do Jabuti 2022 com Olhos de pixel (Plutão Livros, 2021). Também escreveu Boas meninas não fazem perguntas (financiamento coletivo, 2018) e Todos os mentirosos (Amazon, 2016). É autor dos contos Desintegrado (2018), O Destino de Ayra (2018), A Terra dos homens-tigre (2019) e Algoritmia (2020), todos publicados na Amazon. Lucas Mota produz o podcast Suposta leitura.

CARLOS DALA STELLA LANÇA NOVO LIVRO E COMPLETA TRILOGIA

Obra brinda o leitor com pequenos ensaios e retratos de escritores, pintores, cantores, músicos, bailarinos, fotógrafos e pessoas comuns

O poeta, artista plástico e contista Carlos Dala Stella acaba de publicar o livro “Retratos: Desenhos de Admiração”. Produzido pela Editora Maralto – que pertence ao grupo Arco Educação – a obra completa o terceiro volume do que o autor chama de Trilogia Inconjunta.

No primeiro volume intitulado A Arte Muda da Fuga, Dala Stella traz poemas e recortes. No segundo, Nas Mãos de Bendita, há contos, desenhos e colagens. Neste terceiro, há um livro de arte que brinda o leitor com pequenos ensaios. Mas que não se enganem os leitores. De Maria Bethânia a Van Gogh, o autor reflete sobre os processos para a criação de muitos retratos, numa antologia pessoal, de admiração. De um talento vasto e admirável, o autor transita com segurança por diferentes técnicas como nanquim, colagem, lápis de cor e muitas outras.

E para mostrar ao público o resultado deste trabalho, Carlos Dala Stella faz o lançamento de Retratos: Desenhos de Admiração e autografa a obra. O evento será no dia 04 de dezembro (sábado), das 11h às 16h, no ateliê do artista, no bairro de Santa Felicidade, em Curitiba-PR.

A entrada é franca e segue os cuidados de prevenção à Covid-19. No local também haverá exposição de alguns originais do autor.

Diversidade
Segundo o artista, os três livros – todos publicados pela Editora Maralto – compõem uma trindade entre gêneros diversos onde o fio condutor, ainda que diagonal, ressalta o diálogo fragmentado nas obras.

Em todos eles existe a mesma notação poética reflexiva, os mesmos vazios e silêncios, a mesma urgência do manuseio da matéria, um sem-sentido que se apresenta quase sempre no formato de espanto. E uma certa gratuidade fluida, onírica às vezes, que raramente se submete à realidade.

Múltiplas expressões
De acordo com Dala Stella, os retratos o permitem exercitar uma linha que de outra forma ele não saberia como exprimir. E a linha, uma única linha, guarda possibilidades incomensuráveis de investigação do humano.

“É uma pena que o desenho, especialmente o desenho de um rosto, tenha se tornado tão obsoleto no período que há décadas chamamos – sem constrangimento algum – de contemporaneidade; como se em outros tempos as pessoas não tivessem sido contemporâneas de si mesmas”, explica o artista.

Para ele, a linha do retrato é ambígua, atenta a si mesma e à parecença, o que está sempre a limitá-la ao jogo que se estabelece a partir do primeiro traço com o retratado. “Embora ele seja tanto o ponto de partida como o ponto de chegada, é no trajeto que o desenho se desgarra e ganha autonomia – sugerindo, quem sabe, um sentido plástico”, complementa.

Uma galeria de afetos partilhados
Em tempos de câmeras e smartphones quase como extensão do corpo humano, retratos parecem exaustivos e até mesmo banais em nossas vidas. Hoje, incontáveis rostos, em espaços os mais diversos, exibem muito de nossa história, em todo o mundo: como nos vemos e queremos ser vistos, em que cenários, quem nos olha e em que situações.

O amplo alcance da tecnologia sugere um esvaziamento da arte de ver e de guardar rostos. Mas há os retratos e os retratos, aqueles registrados instantaneamente, ainda que com graça, e os criados pelo interesse – admiração, contemplação, estranhamento? – de alguém que olha e vê, seja com a máquina, o lápis, o pincel e até mesmo com recortes em papel.

Retratos: Desenhos de Admiração é, sem dúvida, como o título anuncia, uma galeria de afetos. Definido, sempre provisoriamente, pelo desejo de quem o tem em mãos, o livro pode ser tomado ora como uma coletânea de breves perfis, ora como um diário ou livro de artista. Nele, Carlos Dala Stella divide com os leitores a intimidade de suas experiências artísticas e culturais, tendo como eixo seu olhar para escritores, pintores, cantores, músicos, bailarinos, fotógrafos e pessoas comuns, desconhecidas na arena pública, como alguns de seus familiares.

Os personagens escolhidos para compor o livro não são apresentados de maneira comum e previsível. Pouco parece importar ao autor onde e quando nasceram e nem o que fizeram. Os traços, recortes e palavras que fazem a obra revelam, mais do que os retratados, o retratista em sua relação com cada um, que partilhada se oferece como experiência estética.

Por sua natureza, Retratos: Desenhos de Admiração não é um livro para ser cumprido linearmente, da primeira à última página. Naturalmente, o leitor é senhor de sua leitura e nada o impede de começar e terminar.

Porém, os muitos convites feitos por esta obra de difícil e desnecessária classificação são para que nós o visitemos como a uma exposição, vendo de perto e de longe, observando os desenhos e, às vezes, desprezando os textos, e vice-versa, para neles voltar em outro momento, passando rapidamente por uns e nos detendo naqueles que nos unem ao artista pela memória ou gosto comum pelo retratado. É como uma casa com muitos habitantes, que se oferecem, pelos caminhos de Dala Stella, a singulares visitações.

Sobre o autor
Carlos Dala Stella nasceu em Curitiba-PR, em 1961. É poeta, artista plástico e contista. Formado em Letras pela Universidade Federal do Paraná, dedica-se ao desenho desde os anos 1980, quando expôs na Itália. Publicou diversos livros e foi finalista do Prêmio Jabuti na categoria Ilustração.

Serviço
O que: Lançamento do livro “Retratos: Desenhos de Admiração” (Editora Maralto, 192 págs., R$ 49,90) e sessão de autógrafos com o autor Carlos Dala Stella
Quando: 04 de dezembro (sábado), das 11h às 16h
Onde: Ateliê do artista [rua Toaldo Túlio, 899, Santa Felicidade, Curitiba-PR, tel. 41-98844-8448]
Quanto: Entrada franca e o local segue os cuidados de prevenção à Covid-19
Catálogo: O catálogo da Editora Maralto poderá ser conferido no Instagram e Facebook @maraltoedicoes

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