“OLHOS DE PIXEL”: AUTOR PARANAENSE GANHA PRÊMIO JABUTI COM CURITIBA FUTURISTA E ENGAJAMENTO SOCIAL

Vencedor na categoria Romance de Entretenimento, Lucas Mota cria ficção científica singular e se consolida como uma das vozes mais originais do gênero.

Vencedor na categoria Romance de Entretenimento, Lucas Mota cria ficção científica singular e se consolida como uma das vozes mais originais do gênero.

Fundamentalismo religioso. Governo autoritário. Violência como linguagem estatal. Discurso do ódio como retórica social. LGBTQIA+fobia. Pode parecer o Brasil de 2022, mas são alguns dos elementos que contornam o debate e a crítica proposta pelo escritor paranaense Lucas Mota em Olhos de pixel (e-book, Plutão Livros), vencedor do Prêmio Jabuti, a mais importante premiação literário do país, na categoria Melhor Romance de Entretenimento. Misturando a análise atenta do presente à estética da ficção científica, o autor construiu um livro inteligente singular – que segue os passos de Philip K. Dick, Ursula K. Le Guin e Isaac Asimov –, mas tem um universo bastante próprio e original.

Ambientado em uma Curitiba futurística, Olhos de pixel é um reflexo das inquietações de Mota. São a sua leitura e interpretação de mundo e, ao mesmo tempo, uma maneira de exorcizar as questões mais urgentes. Não à toa, o escritor mergulha em sua própria intimidade para propor uma discussão de altíssimo nível, sem abrir mão de uma literatura acessível e instigante, capaz de levar o leitor pelas mãos da primeira à última página. “Eu fui criado no meio religioso, me considero cristão até hoje, mesmo não tendo qualquer relação com igrejas ou instituições religiosas, por isso senti que eu tinha alguma coisa pra dizer sobre aquilo que incomodava”, explica o escritor. “Ao lado disso teve a parte de criar um cenário futurista, que foi mais divertida, mais leve. Criar universos ficcionais é sempre uma experiência agradável pra mim, me divirto muito fazendo”

Na trama, uma espécie de cyberpunk dos trópicos, a heroína queer Nina Santtelles, uma mercenária habitante do underground, luta para se reconectar física e espiritualmente com seu filho, e assim conseguir uma passagem só de ida para a colônia espacial Chang’e – um éden de neon –, entretanto, tudo muda quando acaba presa pela polícia. Nesse xadrez político e social, Nina precisa comprar a liberdade se aliando à polícia, e ajudando nas buscas por um hacker, inimigo da maior igreja-corporação do país. O dilema começa quando o hacker faz à protagonista a mesma oferta – a viagem para Chang’e –, porém, sem que Nina vá contra seus ideais.

Romance de entretenimento
Quando o Jabuti criou a categoria de Romance de Entretenimento, há alguns anos, houve quem a viu como um contraponto ao Romance Literário, entretanto, segundo Lucas Mota, a literatura está além das nomenclaturas e classificações. Olhos de pixel, como boa parte das obras de ficção científica, principalmente as clássicas, orbita entre a cultura pop e o engajamento social e, portanto, tentar colocar o livro em uma caixinha que o defina por completo pode se tornar apenas uma estratégia reducionista.

Isso, no entanto, não é algo que preocupe ou incomode o escritor. “O mercado literário funciona como qualquer outro mercado, o objetivo são os números de vendas, a sustentabilidade financeira da coisa. A literatura simplesmente não se importa com isso, o interesse é o texto, as palavras, os gêneros literários, seja em um estilo tradicional e consolidado ou em algo completamente experimental e inusitado”, comenta Mota. “Alguns profissionais do mercado percebem isso e tentam alinhar os interesses do mercado com os da literatura. Às vezes conseguem.”

O certo é que, independentemente de qualquer classificação, o Prêmio Jabuti é uma chancela importante para a divulgação de escritores de diferentes gêneros literários, sobretudo para aqueles que, como Lucas Mota, trilham um caminho independente ou não integram os grupos de grande editoras. Acima de tudo, é uma oportunidade de chegar a novos leitores. “O prêmio me trouxe uma avalanche de novos leitores. Eu sabia que algo desse tipo poderia acontecer, mas o resultado tem superado muito as minhas expectativas”, analisa Lucas.

Voz original
O Jabuti de Olhos de pixel é a consolidação de um projeto literário coeso. Desde a sua estreia com Todos os mentirosos (2016), Lucas Mota se firma como uma voz original e sólida. Seja no romance Boas meninas não fazem perguntas (2018) ou nos contos da série Soundtrack – Desintegrado (2018), O Destino de Ayra (2018), A Terra dos homens-tigre (2019) e Algoritmia (2020) – a literatura do escritor paranaense se mostra em um diálogo constante entre o clássico e o novo modo de fazer ficção científica.

Profícuo, Mota já tem na manga novidade. “Eu já tenho alguns outros textos inéditos esperando apenas uma oportunidade para chegar aos leitores. Não posso dizer exatamente em que ordem eles serão lançados ainda, mas podem esperar material novo de ficção científica, fantasia, realismo mágico e algumas surpresas”, revela.

Sobre o livro
Olhos de pixel
Lucas Mota
Plutão Livros | 296 p.
Compre aqui: https://amzn.to/3FtSLex

Sobre o autor
Lucas Mota nasceu em Umuarama, no Paraná, e vive em Curitiba. É escritor, vencedor do Jabuti 2022 com Olhos de pixel (Plutão Livros, 2021). Também escreveu Boas meninas não fazem perguntas (financiamento coletivo, 2018) e Todos os mentirosos (Amazon, 2016). É autor dos contos Desintegrado (2018), O Destino de Ayra (2018), A Terra dos homens-tigre (2019) e Algoritmia (2020), todos publicados na Amazon. Lucas Mota produz o podcast Suposta leitura.

A ESCOTILHA

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ESCRITOR OTAVIO LINHARES LANÇA ROMANCE ‘CAVALO DE TERRA’ NA PRESTINARIA SÃO LOURENÇO

Estreando na narrativa de fôlego, Otavio Linhares se consolida como uma das vozes mais singulares da literatura contemporânea.

O escritor e ator Otavio Linhares lança no dia 6 de dezembro, na Prestinaria São Lourenço, a partir das 19h, o romance Cavalo de terra (Moinhos, 155 páginas). Dono de uma prosa autêntica, o autor chega ao seu quarto livro e se coloca como intérprete dos males que povoam a nossa sociedade.

Um dos nomes mais inventivos da literatura produzida no Paraná, Linhares dá voz aos esquecidos e silenciados. Desde Pancrácio, seu primeiro livro, o escritor esmiúça as vidas e as entrelinhas das gentes que João Antônio – talvez o maior cronista dos desvalidos – chamaria de “merdunchos”. Em Cavalo de terra, a estreia de Linhares no romance, a investigação dos invisíveis e das relações com o espaço urbano ganha uma potência avassaladora.

Se de um lado existe uma linguagem de experimentação, construída a partir do dialeto das ruas –  e da verdadeira voz humana que surge do perigo e da agonia –, de outro há algo monumental: a implosão de uma família à míngua da realidade. O narrador, um sujeito escondido atrás de um nome que não revela, traça o perfil da sua herança. O pai alcoolista, a mãe perdida entre o desespero e o sonho do milagre, os irmãos Tomás – um trombadinha diplomado nas ruas – e João, a tábua de salvação de todos.

Essas existências – nem sempre chegam a ser vidas – se cruzam em uma narrativa crua e chocante, que uma lupa sobre as feridas abertas de toda uma população à margem, esquecida pela sociedade do cansaço e do algoritmo. Para o jornalista e escritor Yuri Al’Hanati, que assina a orelha do livro, os personagens de Linhares são seres à deriva e em cujo andar errático reside um pedido de socorro. “O mal estar gerador de desesperos difusos e desendereçados é o grande personagem do livro”, escreve Al’Hanati.

Partindo desse mosaico social, tão belo e bruto, Otavio Linhares sedimenta o mundo particular que já desenhava em O Esculpidor de nuvens e O Cão mentecapto, e se consolida como um artesão da palavra, um autor capaz de ler e interpretar o que está à sua volta. Nesse sentido, Cavalo de terra é uma literatura de observação e de tradução do mundo, que coloca o leitor cara a cara com a história em um mergulho sensorial por cheiros, texturas e desastres.

Mundo cão
Quem lê Cavalo de terra também está nos “corres” e se depara com os mesmos abismos que os personagens. Esse retrato de um mundo cão, escarrado no rosto de homens, mulheres e crianças deixados de lado é um exercício de empatia. O escritor consegue equalizar ação e dramaticidade, velocidade e torpor, explorando cada uma dessas lacunas em um estilo bastante único e original.

“Linhares nos coloca para frente, nos convida a pensar a literatura como música, ritmo, pintura, paisagem. Há uma beleza que perfura os olhos para que vejamos melhor com nossa sensibilidade ativada, esta capacidade humana tão entorpecida pelos tempos que correm”, comenta a dramaturga, atriz e roteirista Dione Carlos.

Ainda que Cavalo de terra seja a investigação do cotidiano de piás e gurias tipicamente curitibanos, Linhares não faz do seu texto um elemento reducionista, ao contrário. Curitiba é o cenário, mas o romance é uma radiografia do Brasil, de um país partido em cacos que não são de hoje e que espelham uma cultura escravocrata, machista e misógina de exploração. Cavalo de terra é uma obra sobre o agora, mas é também um documento sobre o passado e o futuro.

Sobre o autor
Otavio Linhares nasceu em Curitiba. É escritor, ator e torrefador de café. Tem formação em História, Filosofia e Artes Cênicas. Cavalo de Terra é seu primeiro romance e quarto livro publicado. É autor de O Cão Mentecapto (contos/2017); O Esculpidor de Nuvens (contos/2015) e Pancrácio (novela/2013). Como ator já participou, dentre outras produções, dos filmes Deserto particular (2021), Foram os sussurros que me mataram (2021), Jesus Kid (2019), A Mesma parte de um homem (2019); e das séries Irmandade (2019) e Carcereiros (2020).

Serviço
Cavalo de Terra
Autor: Otavio Linhares
Editora: Moinhos | 156 páginas
Preço: R$56,00
Lançamento – Cavalo de Terra
Quando: 06 de dezembro
Horário: das 19h às 22h
Local: Prestinaria São Lourenço
Endereço: R. Mateus Leme, 3440 – São Lourenço, Curitiba
Informações: 41-9-9911-8664

JORNALISTA CURITIBANO CRIA CURSO PRÁTICO DE CRÍTICA LITERÁRIA PELA PUCPR

O curso será uma experiência imersiva e prática na produção de pensamento crítico acerca da arte e, principalmente, da literatura.

O jornalista, crítico literário e escritor Jonatan Silva ministrará, nos dias 4 e 11 dezembro, a primeira edição do curso Crítica Literária na Prática, pela PUCPR. Serão oito horas dedicadas à prática da escrita para a crítica de arte, sobretudo, a literária. Buscando investigar os caminhos para o novo crítico, Silva apresentará aos estudantes os elementos fundamentais da construção do texto crítico por meio de uma imersão no processo prático.

Com grande bagagem no jornalismo cultural, Jonatan Silva enxerga no curso uma oportunidade de rompimento com a visão pragmática da crítica, estreitando os laços da literatura com outras linguagens artísticas e permitindo uma relação mais ampla com o sujeito e o cotidiano. “A literatura, assim como qualquer expressão artística, é um reflexo social, um espelhamento do que – enquanto humanidade – fomos, somos e seremos. Compreender esses elementos na literatura é estar preparado para os desafios mais corriqueiros. O desafio é transformar esse olhar sobre o mundo em pensamento crítico e criar uma análise contundente e interessante.”

Se a literatura é um espelho do mundo, a crítica é uma colagem de experiência e vivências dentro e fora do domínio das artes. O curso será um caminho trilhado em conjunto, percorrendo as análises de Terry Eagleton, Umberto Eco, Nuno Ramos, Leonardo Villa-Forte, Ítalo Calvino, Jorge Luis Borges e tantos outros.

Segundo Silva, o crítico literário é um leitor contumaz, alguém capaz de identificar os instrumentos narrativos e relacioná-los com o seu próprio universo. “A boa crítica, e também a leitura de qualidade, nasce da compreensão da obra e da sua possibilidade de ressignificá-la diante de algo exterior a ela”.

Sobre Jonatan Silva (crédito foto: Camilla Cordeiro)
Jonatan Silva é jornalista, crítico literário, escritor, assessor de imprensa e professor. Passou pelas redações da Tribuna do Paraná e Paraná Online. Foi editor da revista Mediação, do Colégio Medianeira. Na mesma instituição, idealizou, produziu e apresentou o podcast MedCast, que tratava de temas que iam da educação à cultura, passando por questões da atualidade e da filosofia. Atua como professor convidado na especialização da Escola de Belas Artes da PUCPR, onde idealizou os cursos Introdução à Crítica Literária e Crítica Literária na Prática.

Escreve regularmente para os jornais Rascunho e Cândido, e para o portal de cultura A Escotilha. Colabora com as editoras Rádio Londres e Olho de Vidro, além de ter textos publicados nas revistas Flaubert e Tinteiro, e no jornal RelevO. Foi um dos selecionados para integrar a coletânea Parem as máquinas, editada pelo selo OffFlip, em 2020. É autor dos livros O Estado das coisas (2015) e Histórias mínimas (2019). É criador do projeto de não ficção A Vida dos outros.

Sobre o curso
Crítica literária na prática – on-line ao vivo
Data: 4 e 11 de dezembro
Horário: das 8h às 12h
Carga horária: 8h
Inscrições: https://bit.ly/3n3YRrF

NOME FUNDAMENTAL DA NOVA GERAÇÃO, ESCRITOR MATHEUS PELETEIRO LANÇA LIVROS DE CONTOS QUE RETRATAM O BRASIL DE BOLSONARO

Nome fundamental da nova geração, escritor Matheus Peleteiro lança livros de contos que retratam o Brasil de Bolsonaro

Nauseado reúne 21 narrativas curtas que abordam temas urgentes como fake news, bullying, discurso do ódio e fundamentalismo religioso.

O escritor baiano Matheus Peleteiro, considerado uma das vozes mais interessantes da sua geração, publica em dezembro seu oitavo livro, o volume de contos Nauseado (Faça você mesmo, 148 págs.). Costurando uma prosa existencialista a uma análise contundente do Brasil atual, a obra é uma sinfonia para uma país despedaçado e colocado contra a parede. Ainda que Nauseado esteja recheado de narrativas fortes e pontiagudas, Peleteiro consegue criar histórias capazes de levar o leitor pela mão e apresentar, com leveza, um mosaico de belezas e choques.

Matheus Peleteiro compõe um itinerário para a perda da inocência. Diante da barbárie, seus personagens são lançados ao seu lado selvagem e à necessidade irrefreável de sobreviver. Relatos como “Calcinha preta”, “A Síndrome do fodido” e “Os Sete pecados literários” apresentam um cenário distópico travestido de realidade, seja em um recorte íntimo, em que é preciso escapar do bullying, até à promessa de se refazer das próprias cinzas.

Nesse intricado diálogo de temas e influências, Nauseado trata de questões urgentes – a ascensão da extrema-direita, o discurso de ódio, o fundamentalismo religioso e o não pertencimento, só para citar alguns temas – e atravessa uma colcha de retalhos de influências, que vão de Agatha Christie a Kafka, de Belchior a Sartre, passando por símbolos da cultura pop como Arctic Monkeys e The Strokes – como em “O Indie e o hipster” –, para compor o retrato de uma juventude entediada e perdida, mediada por algoritmos e sem consciência da sua invisibilidade.

Por isso, não é exagero dizer que a literatura de Peleteiro é um exercício de empatia e a tentativa de um encontro não marcado com o diferente. “A literatura permite enxergar o outro, enxergar o óbvio e enxergar aquilo que não está tão claro, então, acredito que pode sim oferecer soluções. No entanto, gosto de pensar nela como utopia que alimenta quando não se tem o que comer ou no que acreditar”, explica o escritor.

Um fósforo no escuro
Poucas vezes a frase atribuída da Cortázar, de que o conto precisa vencer o leitor por nocaute, fez tanto sentido quando em Nauseado. Peleteiro, que publicou seu primeiro livro aos 20 anos, já um autor maduro, um artesão da sua própria ficção, sabido de seus caminhos e limitações. E todos esses elementos dão aos seus textos uma originalidade e uma liberdade que parecem incomum aos nossos tempos – tão regrados pelas fake news e pelas fórmulas de sucesso, ambas fissuras sociais que são debatidas pelo escritor.

A sensação que se tem ao ler os 21 contos de Nauseado é um mundo fragmentado e pragmático, escondido em pequenas erosões cotidianas e de certezas em decomposição. “A Alavanca”, que abre o livro, e “O Último a sair, por favor, apague a luz e me deixe aqui”, conto que ultrapassou os 30 mil downloads no Kindle, são exemplos da criação combativa e atuante de Peleteiro, que consegue interpretar a realidade de uma maneira bastante singular.

“Vejo o presente tempo como um tempo em que a arte precisa ser oposição, dizer não ao horror, como cantou Belchior. Ainda que seja uma espécie de arma branca e simbólica”, comenta Peleteiro. “O papel do escritor continua a ser de um serviçal da literatura, que, como bem definiu Kafka, ‘é como um fósforo no escuro, não ilumina quase nada, mas permite enxergar a escuridão que existe ao redor’. Atribuo a mim o papel de tentar acender esse fósforo mesmo na tempestade.”

Nauseado é um livro urgente – que foge das ciladas narrativas e dos lugares comuns que o adjetivo pode impor –, e que revela o absurdo encalacrado na história brasileira. Sem meios termos, e chegando no apagar das luzes de 2021, Peleteiro escreveu o livro obrigatório para quem quer entender o nosso presente e projetar um futuro menos opaco e estreito.

Sobre o Matheus Peleteiro
Nascido em Salvador – BA em 1995, escritor, advogado, editor e tradutor, Matheus Peleteiro publicou em 2015 o seu primeiro romance, Mundo Cão, pela editora Novo Século. Após, lançou sete obras, sendo elas a novela Notas de um megalomaníaco minimalista (2016), a reunião de poemas Tudo que arde em minha garganta sem voz e a coletânea de contos Pro Inferno com Isso (2017); a distopia satírica O Ditador Honesto (2018), e as coletâneas poéticas intituladas Nossos Corações Brincam de Telefone sem Fio e Caminhando sobre o fogo (2019 e 2021).

Também organizou e editou a coletânea de contos Soteropolitanos (2020); deu início ao Selo ÊCOA – Faça ocê mesmo, em 2021; disponibilizou, de forma gratuita, o conto “O último a sair, por favor, apague a luz e me deixe aqui”, como forma de protesto, em todas as plataformas digitais, e produz o podcast 1Lero, onde realiza entrevistas com expoentes da literatura contemporânea. Além disso, em 2018, assinou, ao lado do tradutor Edivaldo Ferreira, a tradução do livro A Alma Dança em Seu Berço (Editora Penalux), do premiado autor dinamarquês, Niels Hav.

Serviço
Nauseado
Matheus Peleteiro
Editora: Faça ocê mesmo – 148 páginas
Lançamento: 30 de NOVEMBRO (NOVA DATA)  – às 18h30
Local: Palles Sorveteria & Café
Endereço: R. Adelaíde Fernandes da Costa, 700 – Costa Azul, Salvador – BA
Preço: R$ 35,00 – edição física | R$ 19,90 – e-book
Para comprar, acesse: https://bit.ly/Nauseado

INFLUENCIADO POR GODARD E GARCÍA MÁRQUEZ, ARGENTINO ENZO MAQUEIRA DISCUTE EM LIVRO A DESCONSTRUÇÃO DA MASCULINIDADE E A FORMAÇÃO DO HOMEM

Enzo Maqueira. Foto: Paula Moneta.

Faça-se você mesmo, publicado pela PONTOEDITA, chega ao Brasil em edição com J. P. Cuenca e Bernardo Cople.

Influenciado por Godard e García Márquez, argentino Enzo Maqueira discute em livro a desconstrução da masculinidade e a formação do homem

Faça-se você mesmo, publicado pela PONTOEDITA, chega ao Brasil em edição com J. P. Cuenca e Bernardo Cople.

Faça-se você mesmo, do argentino Enzo Maqueira (Buenos Aires, 1977), é uma jornada em busca da literatura que há no real, uma crônica da felicidade perdida. O livro, que foi finalista do Prêmio Silverio Cañada da Semana Negra de Gijón, na Espanha (2019), é uma história de memórias, de projetos, mas também de tragédias e de erros. A edição da PONTOEDITA, com intervenção do escritor e cineasta J. P. Cuenca e capa com fotografia do premiado diretor de arte e publicitário carioca Bernardo Cople, marca a estreia de Maqueira no Brasil. Considerado pela crítica argentina uma das vozes mais proeminentes da literatura latino-americana (La Nación, Clarín), Maqueira aborda em sua prosa temas fundamentais como a religião, as drogas e a heteronormatividade, de modo a evidenciar que toda forma de arte é uma enunciação eminentemente política.

Solilóquio de um personagem atormentado pela possibilidade de estar doente e pela necessidade não apenas de ser outra pessoa, mas sobretudo de imaginar como deverá ser (para ele, a felicidade está em transformar-se em artista), Faça-se você mesmo acompanha alguns dias na vida de um homem sem nome e sem convicções que foge de Buenos Aires para a casa dos avós onde passava os verões de sua infância. A casa — um território sagrado no meio da Patagônia desértica — fica em San Benito, um vilarejo fictício, quase mítico, que não é apenas uma encarnação narrativa de Comodoro Rivadavia (cidade em que o autor de fato costumava, assim como seu protagonista, passar as férias de infância na casa dos avós), mas também uma homenagem a Coronel Vallejos de Manuel Puig e Macondo de Gabriel García Márquez.

Nesse lugar cheio de fantasmas do passado, entre as memórias agradáveis de verões ao lado dos avós, agora mortos, e de amigos, agora ausentes, o protagonista ganha consciência de sua covardia a partir de uma sequência de frustrações. A expectativa de futuro o impede de fazer qualquer coisa no presente, de concluir qualquer tarefa, e se traduz em procrastinação e insatisfação contínuas.

A partir de referências aos grandes mestres da Nouvelle Vague e à banda de rock inglesa Queen, o livro extrapola os limites do gênero e ganha contornos cinematográficos à medida que o protagonista se torna, ele mesmo, personagem da própria ficção. Mas a beleza da prosa de Maqueira está na desconfiança dos limites da palavra (na epígrafe que abre o livro, tirada do filme Adeus à linguagem, de Jean-Luc Godard, lemos: “As palavras — não quero voltar a saber delas”) e isso pode causar nos leitores certo nervosismo ou ansiedade por símbolos e interpretações. Pois se a narrativa começa com um tom quase idílico de busca da felicidade perdida na infância, ela vai aos poucos se transformando em outra coisa, ficando mais sombria.

A maior homenagem, porém, é a Fellini, em especial ao filme Oito e meio (há inclusive um capítulo com esse título). Em certo momento, o narrador declara: “Fellini tinha razão: as únicas memórias que valem a pena estão na infância.” Entretanto, se, como em Fellini, o romance de Maqueira de fato tem um ponto de partida autobiográfico, sua prosa não cai na autoficção, pois se abre às exigências da narrativa e propõe uma reflexão profunda sobre como a sociedade criou, mediante múltiplas ficções, uma idealização da obrigação de ser feliz. Essa obrigação (o último bastião do neoliberalismo) é equacionada no discurso vazio da autoajuda que ressoa na ironia fina presente no título (que torce a fórmula americana “do it yourself”) e dá o tom do estilo que a linguagem de Maqueira coloca em cena: um sarcasmo fellinesco que transita entre realidade, sonho ou suprarrealidade.

Essas fronteiras fluidas ganham forma na figura de um vizinho parecido com Freddie Mercury, ídolo de sua infância. A imagem do líder do Queen, que representa uma nova masculinidade, entra em conflito com a imagem do avô, símbolo de um patriarcado falido, e obriga o protagonista a enfrentar seus próprios demônios.

Mas, conforme pergunta J. P. Cuenca em sua intervenção, como seria o solilóquio de um personagem-macho em tempos de queda do capital simbólico do homem branco, intelectual, heteronormativo no mercado das ideias e da cultura? São perguntas como essa que, entre canções do Queen e referências a Truffaut, Godard e Varda, Maqueira elabora narrativamente.

Sobre o projeto gráfico
O projeto gráfico original da PONTOEDITA explora a fronteira entre realidade e ficção presente na narrativa e materializada na fotografia de Bernardo Cople na capa, impressa em papel texturizado feito com fibras de algodão. Como memória ancestral da paisagem narrativa (com a qual mantém uma relação anacrônica — a fotografia é de 2015 e o livro foi lançado na Argentina em 2018), a imagem é um convite a múltiplas interpretações.

O miolo, na medida em que apresenta em frames de um rolo de filme contínuo os rascunhos de roteiros que o personagem jamais executará, resgata graficamente a consciência cinematográfica que Maqueira imprime na narrativa.

O uso da imagem em preto em branco e do amarelo é uma homenagem às capas clássicas da revista francesa Cahiers du Cinéma e à Série Noire, famosa coleção de romances policiais da editora Gallimard criada por Marcel Duhamel em 1945 e da qual a edição da PONTOEDITA faz uma releitura, também, do formato.

“Faça-se você mesmo” é o livro no. 5 da PONTOEDITA.

Sobre o autor
Enzo Maqueira (Buenos Aires, 1977) é um escritor e jornalista argentino. Formou-se em Comunicação Social no Centro de Altos Estudios en Ciencias Exactas e é colaborador do Clarín e das revistas Anfibia, Vice e Viva, além de apresentador do programa Narraciones Extraordinarias na Radio Provincia de Buenos Aires. Considerado uma das vozes mais proeminentes da literatura contemporânea latino-americana, é autor dos livros “istorias de putas (2008), Ruda macho (2010), El impostor (2011), Electrónica (2014) e Rarities (2021). Publicado originalmente em 2018, Faça-se você mesmo foi finalista do Prêmio Silverio Cañada da Semana Negra de Gijón, na Espanha, e é a estreia do autor no Brasil.

Sobre a editora
A PONTOEDITA é uma editora independente e de nicho que publica literatura, artes visuais, música, poesia, performance e tradução sempre em edições únicas com tratamento editorial autoral e intervenções exclusivas de artistas dos mais variados campos.

Ficha técnica
Título: Faça-se você mesmo
Autor: Enzo Maqueira
Tradutor: Mauricio Tamboni
Apresentação: J. P. Cuenca
Imagem da capa: Bernardo Cople
Número de páginas: 144
Valor: R$99,90
À venda exclusivamente no site da editora, neste link: https://bit.ly/2XzfdQv

CHORAR PRA QUÊ?

O manual de sobrevivência de Bruno Sant’Anna.

Depois de andar por três dias seguidos através da linha do trem, dormindo no mato ou em casas abandonadas que encontrava pelo caminho, Bruno Sant’Anna, com seus cabelos longos – algo entre Descartes e Keanu Reeves – e o corpo magro e fino, se deu conta de que havia chegado a Paranaguá. O aviso de que estava na cidade portuária veio pelo ar: sentiu o cheiro úmido da soja que caíra dos caminhões e agora apodrecia nas ruas que levavam ao porto. Aos 21 anos, Sant’Anna percorrera 110 km em um estado de quase inconsciência. Os calçados estavam forrados por folhas e a mochila recheada com chocolate, ovos (que se quebrariam mais tarde e fariam uma grande bagunça), bolacha, latas de sardinha Pescador, duas velas, duas cervejas e um pão fatiado – que somavam R$15,98 e foram comprados em um mercadinho em Piraquara, nas primeiras horas de viagem – davam o tom do seu estado de espírito.

A fuga surgiu sem que o estudante de Filosofia soubesse que estava fugindo, escapando de uma realidade que dia após dia lhe escarrava no rosto. Bruno passara a noite com os colegas de faculdade no Academia do Lanche, um bar tradicional ao lado da Reitoria da UFPR, comumente chamando de Zarabata, e havia pouco que perdera o emprego como professor em um cursinho particular de Curitiba depois de retrucar um aluno – que o mandara para lugares de luminosidade irregular – em tentativas constantes de criar uma rebelião na sala.

Com o celular na mão, o lendário Nokia 3310, o professor calculou quanto o garoto valia no seu salário: pouco mais de seis centavos.

– Não precisa mais aparecer na minha aula –, disse em um tom entre a súplica e a camaradagem, como se fizesse um bem para o adolescente, e estendeu uma moeda de um real, mais que o suficiente para que desaparecesse durante todo o resto do ano.

Não demorou para que o pai do garoto soubesse da história e, advogando em favor do filho, fosse em busca de reparações. Estaria tudo bem se o professor, já despido do seu próprio arroubo rebelde, pedisse desculpas. “Eu me neguei e pedi demissão”, conta – passados já treze anos. “Eu devia ter esperado que me mandassem embora.” Tentando esquecer o aluguel, tomou algumas cervejas e fumou um baseado, o bastante para lhe tirar de órbita.

***

– Você é louco –. O homem, um negro que encontrara poucos minutos antes na estrada de ferro, tentava dissuadir o amigo desconhecido da ideia, genuinamente estranha, de andar pelos dormentes do trem.

Bruno não se recorda como chegou à casa daquele sujeito. A construção era simples, um bocado de madeira pregada que deixava passar o frio do inverno curitibano. Quando, finalmente, convenceu o anfitrião a levá-lo, em um carro velho e amassado, até certo ponto da ferrovia, pode voltar aos trilhos, onde – ao menos, era o que imaginava – seguiria sozinho.

Na verdade, encontrou outras pessoas pelo caminho, como os funcionários da estrada de ferro que tentaram embarcá-lo à força em um comboio e enviar o peregrino de volta à capital. Esse episódio é nebuloso – como é nebulosa a noite em que dormiu numa casa prestes a desmoronar e que já foi abrigo para o pintor Alfredo Andersen, quando retratava a Serra do Mar –, mas Bruno lembra que conseguiu se desvencilhar dos homens de alguma maneira. Quase no final da viagem, esbarraria com um vendedor de ovos que lhe deu carona em sua Belina e lhe adiantou uns passos até o destino misterioso.

De todas os flashes que aparecem na sua mente, como se fossem uma memória picotada, o mais forte e frequente é o dos pés adormecidos, anestesiados pela caminhada. Uma década mais tarde, Bruno experimentaria essa sensação novamente, desta vez sem se mexer, sem conseguir colocar o corpo para fora da cama. Essa espécie de petrificação jamais o abandonaria. Seria preciso aprender a conviver com ela.

Para ler o texto na íntegra, clique aqui.

Fonte: Texto de Jonatan Silva publicado dia 20 de setembro de 2021 no site Medium

INVESTIR PARA TRANSFORMAR: A GESTÃO FINANCEIRA HUMANIZADA DO NIMBLY

Com plataforma inovadora, startup se destaca no mercado de BPO financeiro e abre novas portas para crescimento do setor.

Pagar boletos. Emitir notas. Controlar o fluxo de caixa. Efetuar reembolsos de despesas. Essas são apenas algumas das tarefas mais comuns para a gestão financeira de qualquer empresa. Apesar da aparente simplicidade, no dia a dia se revelam complexas e burocráticas, desperdiçando tempo, dinheiro e equipe. Para resolver esse problema, o empresário Henrique Gusso Netzka desenvolveu o Nimbly, uma plataforma ágil que conecta os BPOs financeiros aos clientes finais.

O pacote de transformação, porém, não vem sozinho. A startup – que nasceu em Curitiba e hoje tem sua base na capital paulista, em um dos ecossistemas de inovação mais importantes do Brasil, o Cubo – tem crescido entre 30% e 40% ao mês e projeta essa média de avanço para os próximos doze meses. Nesse período também devem ser investidos entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões. Parte do dinheiro vem de fundos de investimos como o Grupo Bossanova e o Next A&M, que enxergaram na fintech o potencial de revolucionar o mercado de BPO financeiro – Business Process Outsourcing –, ou seja, a terceirização dos processos financeiros. O investimento deu mais fôlego para o Nimbly colocar em prática muitas ações que já fazem parte da sua essência. Por isso, todo o aporte externo será direcionado para vendas e expansão do mercado, enquanto o faturamento tem como destino a aprimoração do produto.

Como consequência imediata dessa oxigenação, foram ampliados todos os times, e se projeta abrir mais postos de trabalho direto até o final deste ano. Além da sede em São Paulo, em Curitiba ocupa o HotMilk, ecossistema de inovação da PUCPR e ponto de sinergia para o empreendedorismo tecnológico no Paraná. Em comum às sedes, os espaços pensados para criar um ambiente saudável e rico de trabalho, com qualidade de vida – uma característica que, aliás, faz parte dos valores da startup – e, claro, oportunidades de networking.

Encurtando processos
Ao surgir para facilitar e encurtar os processos, o Nimbly exerce o seu maior trunfo, o foco nas relações humanas. São pessoas trabalhando com e para pessoas. Na visão do CEO e founder do Nimbly, o empreendedor deve se preocupar com produzir, vender e entregar e, portanto, não faz sentido desviar a atenção para questões de burocracia ou entraves tributários que não geram valor. “Estamos trabalhando muito forte para trazer uma experiência que, de fato, diga adeus à parte burocrática e braçal”, comenta Netzka. Reduzindo ou eliminando caminhos sobra mais tempo para o que realmente importa dentro de uma empresa: cuidar do seu negócio.

Para colocar fim a essas barreiras, o Nimbly criou uma nova maneira de fazer gestão financeira, com criatividade, otimização e valorização do operador. Por meio de um sistema inovador de apoio ao mercado de BPO financeiro, o Nimbly oferece soluções ágeis e estáveis na movimentação de dados, potencializando os resultados.

A interface intuitiva reúne as rotinas operacionais em um único lugar, centralizando o que for mais importante e disponibilizando as informações em tempo real, assegurando sempre uma melhor tomada de decisão. “Nosso propósito”, comenta Netzka, “é, realmente, juntar as pessoas e fazer uma interação bem fluída entre todos.”

Novas oportunidades
Se a economia brasileira já apresentava sinais de enfraquecimento, a pandemia trouxe novos desafios e para solucioná-los é fundamental encontrar respostas inteligentes e inclusivas. A partir dessa estratégia, de expandir e qualificar o mercado, Henrique Gusso Netzka observa a possibilidade de fortalecer e maximizar os serviços prestados pelos gestores financeiros, escritórios contábeis e consultores financeiros.

Na visão do empresário, o BPO financeiro tem aberto portas para negócios mais lucrativos e longevos, permitindo, por exemplo, uma nova receita mensal para os profissionais contábeis, ao mesmo tempo em que potencializa e aquece o mercado. “Estamos investindo para transformar”, diz Netzka, que atua no setor de tecnologia desde os 17 anos.

Ampliar e transformar, para o Nimbly, não é um movimento autocentrado, mas uma ação coletiva, construída a muitas mãos. E, por isso, está no horizonte da empresa criar ou subsidiar cursos de capacitação profissional em BPO e o desenvolvimento de um marketplace em que os clientes finais possam encontrar parceiros do Nimbly. “Esse é um jogo em que muita gente ganha”, avalia Henrique.

Segurança
Vivemos um contexto de hiperconexão, em que os processos acontecem, majoritariamente, por meio de ecossistemas virtuais e on-line. Nas casas, o gesto mais cotidiano, como acender uma luz ou desligar a televisão, já recebeu um novo comando, agora automatizado com softwares e assistentes eletrônicos. No ambiente corporativo não é diferente.

Muitas empresas já abandonaram os velhos métodos para gerenciar os recursos financeiros. Ao mesmo, tempo o número de fraudes tem aumentado de forma exponencial. O golpe financeiro aplicado com mais frequência é também um dos mais difíceis de identificar quando se trata de uma empresa com grande movimentação: o boleto falso.

O jeito mais assertivo de impedir as ações fraudulentas é confrontar as informações do documento suspeito recebido com as do fornecedor disponíveis nos sistemas e nos arquivos da empresa. O Marvin, a inteligência artificial do Nimbly, poupa o usuário de todo esse trabalho desnecessário. Cruzando dados e verificando limites pré-estabelecidos, em alguns segundos o Marvin é capaz de apontar irregularidades e impedir que qualquer pagamento ilegítimo seja concluído, economizando tempo e dinheiro.

Segundo Netzka, a solução foi desenvolver um mecanismo em que os boletos a pagar são recebidos e lançados para o sistema, comparando com os valores estabelecidos para cada fornecedor naquele período e que, por sinal, possui um e-mail específico para o envio dos débitos. “Criamos todo um método que faz com que o fluxo seja muito protegido”, explica. “Isso faz com que 100% das contas pagas de forma automática estejam validadas, autorizadas e sejam confiáveis.”

O Nimbly é singular no mercado ao criar uma proposta em que, na era do algoritmo, a tecnologia evidencia a importância e na necessidade do fator humano. De maneira inovadora e inventiva, disponibiliza uma experiência de ressignificação do trabalho, o Nimbly se posiciona com um dos articuladores para o BPO e para a gestão financeira do futuro, colocando em evidência a necessidade de operações agilizadas e seguras, mas também construtivas e assertivas.

Para saber mais, acesse:
site: https://nimbly.com.br
Instagram: @benimbly 

Fanpage: @benimbly 

JORNALISTA CURITIBANO LANÇA CURSO ON-LINE DE INTRODUÇÃO À CRÍTICA LITERÁRIA PELA PUCPR

Jornalista curitibano lança curso on-line de introdução à crítica literária pela PUCPR

O curso investigará a crítica como um estudo aprofundado da literatura e como gênero literário.

Como ler um livro em tempos tão velozes e em que toda informação está a um clique de distância? O crítico literário, jornalista e escritor curitibano Jonatan Silva oferece pela PUCPR, no dia 29 de maio, o curso Introdução à Crítica Literária. Totalmente on-line e ao vivo, o curso irá investigar e praticar a Crítica Literária como estudo das literaturas clássica e contemporânea, apresentando um panorama do gênero também como linguagem e desdobramento da própria literatura.

Para Silva, entretanto, o curso vai além da crítica literária em si, buscando, antes de tudo, a construção de uma visão singular sobre Arte e sobre o mundo. “A crítica é um movimento de leitura aprofundada, de mergulho na obra e percepção do outro”, afirma o crítico. “As técnicas que abordarei no encontro são dinâmicas, partem da literatura, mas podem ser aplicadas a qualquer outra área do conhecimento”.

Com grande bagagem no jornalismo cultural, Jonatan Silva enxerga no curso uma oportunidade de rompimento com a visão pragmática da crítica, estreitando os laços da literatura com outras linguagens artísticas e permitindo uma relação mais ampla com o sujeito e o cotidiano. “A literatura, assim como qualquer expressão artística, é um reflexo social, um espelhamento do que – enquanto humanidade – fomos, somos e seremos. Compreender esses elementos na literatura é estar preparado para os desafios mais corriqueiros.”

Se a literatura é um espelho do mundo, a crítica é uma colagem de experiência e vivências dentro e fora do domínio das artes. O curso será um caminho trilhado em conjunto, percorrendo as análises de Terry Eagleton, Umberto Eco, Nuno Ramos, Leonardo Villa-Forte, Ítalo Calvino, Jorge Luis Borges e tantos outros.

Segundo Silva, o crítico literário é um leitor contumaz, alguém capaz de identificar os instrumentos narrativos e relacioná-los com o seu próprio universo. “A boa crítica, e também a leitura de qualidade, nasce da compreensão da obra e da sua possibilidade de ressignificá-la diante de algo exterior a ela”.

Sobre Jonatan Silva
Jonatan Silva é jornalista, crítico literário e escritor. Passou pelas redações da Tribuna do Paraná e Paraná Online. Foi editor da revista Mediação, do Colégio Medianeira. Na mesma instituição, idealizou, produziu e apresentou o podcast MedCast, que tratava de temas que iam da educação à cultura, passando por questões da atualidade e da filosofia. Atua como professor convidado na especialização da Escola de Belas Artes da PUCPR.

Escreve regularmente para os jornais Rascunho e Cândido, e para o portal de cultura Escotilha. Colabora com as editoras Rádio Londres e Olho de Vidro, além de ter textos publicados nas revistas Flaubert e Tinteiro, e no jornal RelevO. Foi um dos selecionados para integrar a coletânea Parem as máquinas, editada pelo selo OffFlip, em 2020. É autor dos livros “O Estado das coisas” (2015) e “Histórias mínimas” (2019).

Sobre o curso
Introdução à Crítica Literária – on-line ao vivo
Data: 29 de maio
Horário: das 8h às 17h30
Carga horária: 8h
Inscrições: https://bit.ly/3e4GMFr