
No dia 15 de novembro de 2025, Curitiba será o palco da 10ª edição da Marcha do Orgulho Crespo. Há uma década, o evento ocupa as ruas da cidade para celebrar a beleza negra, combater o racismo estético e fortalecer o sentimento de pertencimento e ancestralidade.
Inspirada pelo movimento que começou em São Paulo, a marcha curitibana nasceu em 2016, após um episódio de racismo sofrido pela cantora Michele Mara. A artista transformou a dor em força coletiva e deu origem a um dos maiores atos de valorização da estética negra do Sul do país. Desde então, a Marcha do Orgulho Crespo se consolidou como um espaço de resistência, educação e celebração.
“A participação das pessoas emociona. Algumas pessoas comentam que estavam em busca desse movimento. E estou falando de gente de todas as idades. Com todo esse trabalho que fizemos, nesses anos entendo que as pessoas estão mais conscientes e em busca de existir como são. Temos uma preocupação com a formação de pessoas, de mulheres que queiram ser trancistas. Temos uma equipe pedagógica que vai até escolas e forma pessoas. E a marcha é uma comemoração a isso. A marcha é sobre vida, luta e resistência”, diz a Diretora de Produção da marcha em Curitiba, Michele Mara.
Raíz curitibana
O rapper, compositor e ativista cultural curitibano, Dow Raíz, também é presença garantida no evento. Levando mensagem de resistência, ancestralidade e transformação social, o artista tem em seu trabalho todos os elementos que embasam a marcha.
“A Marcha do Orgulho Crespo não é um palco qualquer. Ela chama artistas que têm algo verdadeiro a dizer, que vivem essa pauta. Para mim, é um privilégio enorme participar — sempre foi um sonho tocar aqui e fazer parte de um movimento que agrega tanto à nossa trajetória. Meu show na Marcha é um ato de libertação. É o momento de transformar a dor em dança, em energia boa. A gente vai curtir, se abraçar e ser um protesto vivo — juntos, em cima e fora do palco. Esse é o poder da arte preta em movimento”, analisa Dow.
Programação especial celebra 10 anos de história
A edição comemorativa contará com uma programação completa, reunindo oficinas, rodas de conversa e apresentações artísticas que celebram a cultura afro-brasileira.
A abertura acontece das 9h às 12h, na Praça Santos Andrade, com oficinas de
turbantes e penteados afro, contação de histórias e um encontro de empreendedoras negras e migrantes africanas.
Às 13h, começa a concentração da marcha na Boca Maldita, com o Bloco Afro
Pretinhosidade puxando o ritmo da celebração. A caminhada tem início às 13h30, percorrendo a Rua XV de Novembro, Al. Dr. Muricy, Av. Mal. Floriano Peixoto, Rua Monsenhor Celso, Rua Riachuelo, Rua Presidente Faria e encerrando na Praça Santos Andrade, às 14h30, onde o público será recebido com uma sequência de shows e atividades culturais.
Cronograma
15/11/2025
Prédio Histórico da UFPR
● 08h00 – Acolhimento
● 08h40 – Boas-vindas e abertura
● 09h00 – Oficinas
O palco da Praça Santos Andrade será o coração pulsante do evento, com artistas e
DJs que representam a potência da música negra:
● 11h00 – 12h00 – Grupo Baquetá – Bambarê – Palco Santos Andrade
● 13h00 – 13h30: Concentração na Boca Maldita
● 13h30 – 14h30: Percurso da Boca Maldita a Praça Santos Andrade
● 14h30 – 15h00: Bloco Afro Pretinhosidade – encerramento da caminhada
● 15h00 – 15h30: Fala das parlamentares e da organização
● 15h30 – 15h50: DJ Mitay – set de 20 minutos
● 15h50 – 16h00: Mudança de palco
● 16h00 – 17h00: Daniel Montelles – show
● 17h00 – 17h20: DJ Vane MRQS – set de 20 minutos
● 17h20 – 17h30: Mudança de palco
● 17h30 – 18h40: MUV e Michele Mara – show (1h10)
● 18h40 – 19h00: DJ Mitay – set de 20 minutos
● 19h00 – 19h10: Mudança de palco
● 19h10 – 20h10: Dow Raiz – show
● 20h10 – 20h30: DJ Vane MRQS – set de 20 minutos
● 20h30 – 20h40: Mudança de palco
● 20h40 – 21h50: Bia Ferreira – show (1h10)
● 21h50 – 22h00: Encerramento e agradecimentos finais
Orgulho que transforma
Mais do que uma celebração, a Marcha do Orgulho Crespo é um ato político e cultural que transforma a cidade em um grande palco de afirmação. Cada cacho, cada trança e cada batida dos tambores ecoam como um lembrete: o orgulho é resistência.
A 10ª Marcha do Orgulho Crespo de Curitiba é um convite para toda a sociedade se unir, aprender e celebrar a beleza negra em todas as suas formas. Porque o orgulho é coletivo — e a luta continua.







