Solo científico-filosófico escrito e dirigido por Pagu Leal, com atuação de Marrara Mara, tem apresentações gratuitas nos dias 19, 20 e 27 de setembro, em Curitiba, pelo Festival da Primavera

O que nos torna capazes de falar? E o que acontece quando uma pessoa tem voz, mas não encontra quem a escute? Essas perguntas atravessam Fale Agora, solo científico-filosófico escrito e dirigido por Pagu Leal e interpretado por Marrara Mara. A montagem parte de uma descoberta sobre o FOXP2, gene relacionado à fala e à linguagem, para construir uma investigação cênica sobre evolução, comunicação, silêncio e poder.
A estreia acontece em setembro, dentro da programação do Festival da Primavera, promovido pela Fundação Cultural de Curitiba. O espetáculo terá quatro apresentações gratuitas no Centro Cultural Espaço de Arte, nos dias 19 e 20 de setembro, e uma apresentação na Casa Hoffmann, no dia 27.
Do gene à linguagem
A ideia de Fale Agora surgiu quando Pagu Leal encontrou, em um livro de biologia, informações sobre o FOXP2. A descoberta abriu uma pesquisa sobre a capacidade humana de linguagem e os processos evolutivos que permitiram o desenvolvimento de formas tão complexas de comunicação.
A fala, porém, não acontece por causa de um único elemento. Genética, cérebro, língua, boca, pregas vocais e outros mecanismos participam desse processo. Em cena, essas questões científicas convivem com perguntas filosóficas e situações concretas em que falar pode ser uma experiência de disputa, vulnerabilidade e resistência. “Tudo começou com um livro que me fez perguntar o que nos torna humanos: o que nos permite falar do passado, projetar o futuro e criar poesia? A pesquisa me levou ao FOXP2, um gene relacionado à capacidade humana de falar. A partir daí, fui entendendo que a fala é resultado de uma série de processos evolutivos que envolvem genética, cérebro, língua, boca, pregas vocais e toda uma complexidade que a peça investiga em cena”, explica Pagu Leal.
Três vozes em cena
Sozinha no palco, Marrara Mara constrói três figuras que atravessam diferentes dimensões da fala. Uma delas é uma cientista e professora fascinada pelo corpo humano, pela evolução e pelos mecanismos que permitem transformar ideias em linguagem. Outra é uma atriz que chega a uma delegacia para prestar uma queixa e se depara com a dificuldade de falar sobre o que aconteceu e ser efetivamente ouvida. A terceira é a Narradora/Cassandra, responsável por fazer perguntas, estabelecer conexões e deslocar a narrativa entre diferentes tempos e histórias.
A construção das personagens coloca corpo e voz no centro da cena. Bailarina e atriz, Marrara reúne sua experiência nas duas linguagens para sustentar um solo que transita entre informação científica, ficção, humor, memória e questões políticas. “Na peça, interpreto três vozes: uma cientista, uma atriz e uma narradora. A cientista me levou para um universo muito diferente do meu, de pesquisa sobre genética e evolução da linguagem, e foi uma delícia descobrir tudo isso a partir do texto da Pagu. Já a atriz, que vai a uma delegacia prestar uma queixa, toca em um lugar muito sensível para mim e me faz pensar na dificuldade que tantas mulheres enfrentam para conseguir falar sobre situações de violência. E a narradora é quem faz as perguntas difíceis e liga todos esses pontos. É uma viagem entre passado, presente e futuro que estou muito curiosa para ver como vai reverberar nas pessoas”, conta Marrara Mara.
A pesquisa científica encontra, assim, uma questão histórica: se a linguagem possibilitou à humanidade contar histórias, expressar sentimentos, fazer acordos, falar sobre aquilo que já aconteceu e imaginar o que ainda não aconteceu, por que tantas vozes continuam sendo interrompidas, desacreditadas ou silenciadas? “Se de um lado a humanidade pode ser pensada a partir da nossa capacidade de falar, expressar ideias e sentimentos, contar histórias e fazer acordos, por outro, essa mesma capacidade também produziu silenciamentos. Ao longo da História, muitas vozes foram caladas em detrimento de uma voz única, de um discurso que se impôs. É nesse paradoxo que a peça se coloca: o que significa ter voz e, ainda assim, não ser ouvido?”, indaga Pagu Leal.
A encenação reúne diferentes linguagens artísticas para construir esse trânsito entre ciência, pensamento e experiência. Nadja Naira assina a luz; Ane Adade, a direção de movimento; Gui Almeida, cenário e figurino; e Tafnes Taborda, a trilha sonora original e as paisagens sonoras. A produção é de Cassia Hauari e Thaíse Hauari, com produção de conteúdo de Juliana Zaguobinski, design e identidade visual de Johnny Leal e produção executiva da Sociedade Poética.
SERVIÇO:
Espetáculo – Fale Agora
Centro Cultural Espaço de Arte: Rua Alberto Folloni, 1534 – Ahú
Dias: 19 de setembro de 2026 (sab), 18h e 20h | 20 de setembro de 2026 (dom), 17h e 19h | *17h – apresentação com Libras |
Ingressos: Entrada gratuita, 35 lugares, sujeitos à lotação. Distribuição 1 hora antes de cada apresentação na bilheteria. *O Centro Cultural Espaço de Arte também conta com café-bistrô, com mesas, comidas e bebidas, aberto ao público.
Casa Hoffmann: Rua Claudino dos Santos, 59 – São Francisco
Dia: 27 de setembro de 2026 (dom), 12h
Ingressos: distribuição 1 hora antes da apresentação.
Informações: @faleagorasolo
Ficha técnica
Texto e Direção: Pagu Leal | Atuação: Marrara Mara | Luz: Nadja Naira | Cenário e Figurino: Gui Almeida | Trilha Sonora: Tafnes Taborda | Direção de Movimento: Ane Adade | Coordenação de Produção: Cassia Hauari | Produção: Thaíse Hauari | Produção de Conteúdo: Juliana Zaguobinski | Designer e Identidade Visual: Johnny Leal | Produção Executiva: Sociedade Poética

Marrara Mara iniciou os estudos em dança aos 12 anos e formou-se bailarina pela Escola de Danças do Teatro Guaíra. É graduada em Bacharelado e Licenciatura em Dança pela UNESPAR/FAP e atriz formada pela Academia de Artes Cênicas Cena Hum. Sua trajetória transita entre teatro, dança e audiovisual.
Participou de produções das companhias Stavis Damaceno e Regina Vogue, entre elas Tom 208 beijos e abraços sem fim, Homem ao vento e Bita e as Brincadeiras, trabalhos que receberam indicações e premiações no Troféu Gralha Azul e na APCA. No audiovisual, atuou em comerciais, videoclipes, curtas e longas-metragens, como Doutor Monstro, de Marcos Jorge, Tantas Coisas Contém em Si o Acidente, de Ana Johann, e na série Contracapa. É também cofundadora da Lunar Cia de Teatro. Foto: Bruma de Sá.

Pagu Leal é atriz, dramaturga, diretora, produtora cultural e criadora de conteúdo digital, com mais de três décadas de trajetória nas Artes Cênicas. Formada em Filosofia pela UFPR, desenvolve pesquisas em Filosofia da Linguagem, Teoria da Comunicação, Neurofilosofia e Cognição, campos que atravessam sua prática artística e pedagógica.
Como atriz, participou de mais de 40 espetáculos profissionais em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e interior do Paraná, trabalhando com companhias como Delírio, Satyros, Confraria Cênica, Tanta Produções, Duplo Produções e Stavis Damaceno. Na televisão, criou, roteirizou e atuou na série de humor Coisas de Casal, exibida pela RPC/Globo. Como diretora, assinou trabalhos como Difícil Amor e a direção artística de concertos da Camerata Antiqua de Curitiba.
Na dramaturgia, tem 12 textos encenados, entre eles A Vênus das Peles, vencedor do Prêmio Myriam Muniz/Funarte, Difícil Amor, vencedor do Troféu Poty Lazarotto, e Que Absurdo!, selecionado para Dramaturgias Contemporâneas da Fundação Cultural de Curitiba. Também publicou ensaios críticos e artigos científicos, aproximando pensamento filosófico e prática artística. Foto: Bruma de Sá.
Assessoria de Imprensa:
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Crédito fotos: Juliana Zaguobinski, Bruma de Sá.