LANÇAMENTOS SEBINHO FATO AGENDA ::: 15/04/2022

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Títulos da foto (dia 15 de abril de 2022) publicadas no instagram, aqui:


Livro 01: LEITE DERRAMADO. Autor: Chico Buarque. São Paulo. Companhia das Letras, 2009. Páginas: 195. Preço: R$19,90. Por favor confirme o preço e disponibilidade atualizados no instagram, aqui.


Livro 02: HIBISCO ROXO. Autora: Chimamanda Ngozi Adichie. São Paulo. Companhia das Letras, 2011. 16ª reimpressão. Páginas: 324. Preço: R$27,90. Por favor confirme o preço e disponibilidade atualizados no instagram, aqui.


Livro 03: O PARAÍSO SÃO OS OUTROS. Autor e ilustrador: Valter Hugo Mãe. Rio de Janeiro. Biblioteca Azul, 2018. 2ª Edição. Páginas: 64. Preço: R$27,90. Por favor confirme o preço e disponibilidade atualizados no instagram, aqui.


Livro 04: CLARO ENIGMA. Autor: Carlos Drummond de Andrade. São Paulo. Companhia das Letras, 2012. 1ª Edição. Páginas: 133. Preço: R$19,90. Por favor confirme o preço e disponibilidade atualizados no instagram, aqui.

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TRAVA BRUTA, ESPETÁCULO SOBRE A TRANSEXUALIDADE NO BRASIL DE HOJE, CHEGA A CURITIBA NA 30ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DE TEATRO

Trava Bruta – Leonarda Glück – Foto Alessandra Haro.

Espetáculo sobre a transexualidade estreou em São Paulo e marca os 25 anos de carreira da artista curitibana Leonarda Glück, que teve trabalhos apresentados em países da Europa e da América Latina.

Após realizar estreia nacional na cidade de São Paulo e cumprir temporada online pelas redes do Centro Cultural São Paulo, o espetáculo TRAVA BRUTA, de Leonarda Glück com direção de Gustavo Bitencourt, chega a Curitiba para duas únicas apresentações no Festival de Teatro, dias 5 e 6 de abril, às 19h30, no Mini Guaíra, com entrada franca.

TRAVA BRUTA é um manifesto que parte da experiência transexual de Glück, artista curitibana hoje residente em São Paulo, para propor uma ponte e um embate entre o contexto artístico e a conjuntura política e social brasileira atuais no que se refere ao campo da sexualidade. O trabalho marca as comemorações de 25 anos de carreira da artista e também o seu reencontro com o diretor Gustavo Bitencourt.

Leonarda, que hoje mora em São Paulo, começou a escrever o texto ainda em Curitiba, sua cidade de origem, onde fundou importantes coletivos como a Companhia Silenciosa e a Selvática Ações Artísticas. Seus trabalhos tratam de diversas temáticas, e já foram apresentados em diversos países da Europa e América Latina, mas esta é a primeira vez que a artista dedica uma criação exclusivamente à transexualidade:  “Me veio uma possível angústia repentina: a de talvez não ter conseguido em outro momento antes escrever tão intimamente sobre o assunto da transexualidade, e seus efeitos na minha mente e na vida social da qual faço parte”, diz Leonarda, que arrastou por meses a tarefa de terminar o texto.

Já em 2019, a montagem foi premiada pelo Centro Cultural São Paulo, integrando a 6ª Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos da instituição. Após ter sua estreia suspensa por conta da pandemia, o trabalho foi retomado em 2021 e estreou presencialmente na Sala Jardel Filho. Sobre a pandemia, Glück faz questão de frisar: “A gente entrou no modo catástrofe que meio que está até agora. As pessoas trans ficaram ainda mais vulneráveis do que já eram antes. E elas eram muito. São, no Brasil. Física e psicologicamente.”

O espetáculo chega à capital paranaense na programação do Festival, integrando o Interlocuções, uma das ações do evento, a convite dos curadores Giovana Soar e Celso Curi. A direção da obra, que é produzida pela Pomeiro Gestão Cultural, produtora que realiza a gestão dos projetos de Leonarda, ficou a cargo de Gustavo Bitencourt, parceiro de Glück há mais de 20 anos. Juntos os dois já desenvolveram criações em performance, dança e teatro, com destaque para Valsa Nº 6, montagem do texto de Nelson Rodrigues premiada pela Funarte em 2012, na ocasião do centenário do autor.

Quando foi convidado para dirigir o espetáculo, Gustavo Bitencourt ficou com um pouco de medo. “Porque era um texto que falava muito da experiência dela como mulher trans no Brasil. Onde é que eu ia poder contribuir nisso? O que é que eu sei disso? Mas lendo e relendo, e conversando com ela, fui vendo o quanto esse texto também fala de muitas coisas que dizem respeito a todo mundo, e que era importante que a gente olhasse tanto pro que tem de específico nesse contexto do qual ela fala, quanto pra onde essa história se conecta com outras tantas”. Partindo daí, ele conta que foram entendendo o texto de Trava Bruta como um jeito de falar de coisas que são reais e concretas e nem por isso menos ficcionais.

Leonarda e Gustavo, então, se encontraram na ideia de ficção, como nos diz o diretor: “Ficção que é o que eu pesquiso, é a minha profissão  – como drag queen, que é o que eu faço da vida faz 12 anos – e é uma necessidade básica de qualquer ser humano. Humano prescinde de ficção pra viver, e em diferentes medidas, com diferentes graus de comprometimento e de risco, todo mundo vai dando um jeito de concretizar”.

Para Gustavo, o ponto chave da ideia de ficção explorada no trabalho encontra-se no fato de que “algumas ficções são permitidas e outras não. Quando se trata de gênero, as pessoas tendem a ficar muito assustadas”.  Leonarda é enfática: “Chego aqui com a certeza de que o herói macho branco, heterossexual, cristão e suas ideias precisam urgentemente ser substituídos, trocados ou mesmo revisitados por outros ângulos. Estão chatos. De alguns eu ainda gosto muito, mas estão chatos.”

O retorno de Leonarda, Gustavo e da Pomeiro ao Festival marca, também, o retorno dos artistas a cidade: por muitos anos os três integraram eventos variados dentro do Festival (como o Fringe, a Mostra Oficial, a Mostra Novos Repertórios, a Curitiba Mostra e outras). Embora suas obras tenham estreado em outros municípios do país nos últimos anos, boa parte de suas trajetórias foi consolidada em Curitiba. Esta volta marca a trajetória dos realizadores e enfatiza seus impactos culturais na cidade.

SERVIÇO
TRAVA BRUTA
Dias 5 e 6 de abril às 19h30
No Mini Guaíra (Rua Amintas de Barros s/n, Centro, Curitiba – PR)
Entrada gratuita e ingressos começam a ser distribuídos às 18h no local.
18 Anos, 70 Minutos.

APENAS UM SAXOFONE / LYGIA FAGUNDES TELLES

Anoiteceu, faz frio, 44 anos e 5 meses, como passa rápido “Meu Deus”, eu sinto o frio circular que sai do assoalho ea se infiltra no tapete, meu tapete é Persa, aliás, todos meus tapetes são Persas. Mas eu não sei o que esses bastardos fazem que não impedem que o frio se instale. Onde agora, onde?

Eu poderia pedir que acendessem a lareira, mais eu mandei o copeiro ir embora, o copeiro, a arrumadeira, a cozinheira; TODOS RUA, um a um, uma corja que ri de mim pelas costas. Mas onde agora, onde?

A lenha, em algum lugar da casa, mais acender a lareira, não é tão fácil como parece no cinema, o xinês ficava horas e horas assoprando e mexendo até acender e eu mal tenho forças para acender meu cigarro. Onde agora, onde?

Eu desliguei o telefone da parede, peguei a garrafa de Whisky, estou sentada aqui a não sei quanto tempo, bebendo, mais bebendo devagar, por que hoje, hoje eu não quero ficar bêbada, hoje não. Engraçado sabe, eu to sentada aqui a não sei quanto tempo, foi escurecendo e eu não acendi as luzes da casa e agora que está escuro eu vejo, vejo essa sala exorbitando de riqueza, uma riqueza inútil, fútil, coisas que eu comprei nas minhas viagens pelo mundo a fora e eu nem lembrava mais que tinha. Mas onde agora, onde?

Eu tenho um velho que me dá dinheiro, um jovem que me dá gozo e um sábio que me dá aulas de doutrinas filosóficas, uma filosofia tão platônica que na segunda aula ele se deito comigo, mais você acha que eu me importo com que ele ou qualquer pessoa pensa de mim? Claro que não, mais eu já me importei. E por causa da opinião alheia, é que hoje, ah hoje eu tenho um casaco de Vizon, um gato Siamês, eu tenho um sapato com fivela de diamante, eu tenho um piano com calda, uma chácara com piscina, um diamante que é quase do tamanho do ovo de uma pomba e um aquário com floresta de coral no fundo. Mas eu trocaria tudo, tudo, anéis e dedos, mais uma vez, só mais uma vez, ouvir o som do saxofone e saber que ele está bem em algum lugar, nem pediria para vê-lo, não eu não pediria tanto. Mas onde agora, onde?

A primeira vez que nós nos amamos foi numa praia e era uma noite muito quente, então nós entramos na água do mar nús e a água parecia a água de uma banheira, uma água morna e ele ficou assustado quando eu disse que nunca tinha sido batizada, então com as mãos em concha, ele pegou a água depositou na minha cabeça e disse: Eu te batizo Luiziana, em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo, Amém! Eu pensei que ele tava brincando, mais ele nunca falou tão sério em toda sua vida. Luiziana, Luiziana, nunca mais ninguém me chamou assim. Onde agora, onde?

Nessa noite na praia eu disse a ele: Se você me ama, me ama mesmo, suba naquela duna, nú como está e toque seu saxofone o mais alto que você puder até a polícia chegar! Eu corri, vesti minha roupa, por que ele tocava tão alto que eu sabia que a polícia não ia demorar. Ah, ele tinha o cabelo todo bagunçado, a camiseta despencada, o sapato um lixo, mais o sorriso, ah, o sorriso era tão branco, tão lindo, que quando ele sorria eu parava de sorrir só para ficar olhando o sorriso dele.

Ele me levou pra morar com ele, era um apartamento no 10º andar, era um apartamento pequeno, pobre, feio, sujo, mas nós nos amamos tanto e fomos tão imensamente felizes naquele 10º andar. Em uma noite, uma noite ele me levou para jantar e afinal eu disse á ele: Se você me ama, me ama mesmo, dei me cá seu saxofone e suba naquela mesa, grite o mais alto que você puder CORNUDOS, TODOS CORNUDOS! Ele me entregou o saxofone, enquanto eu saia envergonhada eu escutei ele gritando: CORNUDOS, TODOS CORNUDOS! Me alcançou na rua e me implorou: Luiziana não me negue, não me negue. Era um amor grande demais, entende? Eu não sabia o que fazer com um amor tão grande assim, na hora a gente nunca sabe. Por acaso alguém da valor na respiração? Haha, da né, quando ela se esculhamba toda, ai todo mundo da valor. “Poxa eu respirava tão bem.” Mais na hora que ta tudo dando certo, a gente não da valor, eu não dei.

Comecei a ficar exigente sabe; Se você me ama, me ama mesmo, me dê um par de brincos! Se você me ama, me ama mesmo me dê um vestido novo! Se você me ama, me ama mesmo me leve pra jantar em lugares chiques! Se vc me ama, me ama mesmo …, ele começou a trabalhar tanto que ele saia pra tocar nos bares durante a noite e só voltava no outro dia, já amanhecendo, cansado ele deitava na cama enrodilhado tocava o saxofone e ainda me dizia: Luiziana, Luiziana você é minha música e eu não vivo sem música. E abocanhava o bucal do saxofone como fazia com meu seio. Eu quis terminar sabe, mais eu não tive coragem, então eu decidi que eu faria tudo pra que aquele amor apodrecesse de tal forma que um dia ele fosse embora e nem olhasse para trás de tanto nojo. Então uma noite, uma noite eu tinha um compromisso, nessa época eu vivia cheia de compromissos, pintava meus olhos diante do espelho e ele tocava saxofone, eu ia me encontrar com um banqueiro sabe, ele sabia disso, então eu parei, parei de pintar os olhos, olhei pra ele e disse: Se você me ama, me ama mesmo, sai daqui agora e se mate, imediatamente!

“TRAVA BRUTA”, SOLO DE LEONARDA GLÜCK SOBRE A VIVÊNCIA DA SUA TRANSEXUALIDADE NA REALIDADE BRASILEIRA, CHEGA A 30ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DE TEATRO DE CURITIBA

Trava Bruta – Leonarda Glück – Foto Alessandra Haro.

Espetáculo estreou em São Paulo em dezembro de 2021 e marca os 25 anos de carreira da artista Leonarda Glück, que teve trabalhos apresentados em países da Europa e da América Latina

Após realizar estreia nacional na cidade de São Paulo e cumprir temporadas presencial e online no Centro Cultural São Paulo, o espetáculo “Trava Bruta”, solo escrito e encenado por Leonarda Glück com direção de Gustavo Bitencourt, faz duas únicas apresentações gratuitas no Festival de Teatro de Curitiba, dias 5 e 6 de abril, às 19h, em NOVO LOCAL, agora no Mini Guaíra, Rua Amintas de Barros, s/nº, centro de Curitiba. A entrada é gratuita e os ingressos começam a ser distribuídos às 18h, no teatro mesmo.

“Trava Bruta” é um manifesto que parte da experiência transexual da própria Glück para propor uma ponte e um embate entre o contexto artístico e a atual conjuntura política e social brasileira no que se refere ao campo da sexualidade. O trabalho marca as comemorações de 25 anos de carreira da artista e também o seu reencontro com o diretor Gustavo Bitencourt. Juntos os dois já desenvolveram criações em performance, dança e teatro, com destaque para Valsa Nº 6, montagem do texto de Nelson Rodrigues premiada pela Funarte em 2012, na ocasião do centenário do autor.

Leonarda, que hoje mora na capital paulista, começou a escrever o texto ainda em Curitiba, sua cidade de origem, onde fundou importantes coletivos do cenário teatral nacional como a Companhia Silenciosa e a Selvática Ações Artísticas. Seus trabalhos tratam de diversas temáticas, e já foram apresentados em vários países da Europa e América Latina, mas esta é a primeira vez em que a artista dedica uma criação exclusivamente à transexualidade: “Me veio uma possível angústia repentina de talvez não ter conseguido em outro momento antes escrever tão intimamente sobre o assunto da transexualidade, e seus efeitos na minha mente e na vida social da qual faço parte”, diz Leonarda.

Sobre o processo de direção do espetáculo, Gustavo Bitencourt conta que percebeu o quanto o texto fala de vivências que dizem respeito a todos, e não somente às relacionadas a transexualidade no Brasil: “É importante que a gente olhe tanto para o que tem de específico nesse contexto do qual ela fala, quanto para onde essa história se conecta com outras tantas”. Partindo daí, ele entendeu o texto de “Trava Bruta” como uma auto-ficção, gênero literário e teatral que combina autobiografia com ficção.

Leonarda e Gustavo, então, se encontraram no conceito, como nos diz o diretor: “Ficção que é o que eu pesquiso, é a minha profissão  – como drag queen, que é o que eu faço da vida há 12 anos – e é uma necessidade básica de qualquer ser humano. Humano precisa de ficção pra viver, e em diferentes medidas, com diferentes graus de comprometimento e de risco, todo mundo vai dando um jeito de concretizar”, destaca.

Para Gustavo, o ponto chave da ideia no trabalho encontra-se no fato de que “algumas ficções são permitidas e outras não. Quando se trata de gênero, as pessoas tendem a ficar muito assustadas”. Leonarda complementa: “chego aqui com a certeza de que o herói macho branco, heterossexual, cristão e suas ideias precisam urgentemente ser substituídos, trocados ou mesmo revisitados por outros ângulos. Estão chatos. De alguns eu ainda gosto muito, mas estão chatos.”

A participação de Leonarda, Gustavo e da Pomeiro no Festival marca, também, o retorno dos artistas à cidade: por muitos anos os três integraram eventos variados dentro do Festival (como o Fringe, a Mostra Oficial, a Mostra Novos Repertórios, a Curitiba Mostra e outras). Embora suas obras mais recentes tenham estreado em outros municípios do país nos últimos anos, boa parte de suas trajetórias foi consolidada em Curitiba.

O espetáculo chega à capital paranaense integrando a edição comemorativa de 30 anos do Festival de Curitiba, dentro do Interlocuções,  uma das ações do evento, a convite da curadoria de Giovana Soar e Celso Curi.

Sobre os artistas:
Leonarda Glück é atriz, dramaturga e diretora curitibana radicada em São Paulo. Co-fundadora da Companhia Silenciosa e do Coletivo Selvática. Graduada em Direção Teatral pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP). Tem mais de vinte textos encenados por diferentes grupos, companhias e artistas brasileiros e internacionais de diversas linguagens artísticas. Publicou A Perfodrama de Leonarda Glück – Literaturas Dramáticas de Uma Mulher (Trans) de Teatro, coletânea com seis textos teatrais. Para maiores informações acesse www.leonardagluck.com

Gustavo Bitencourt é diletante profissional, nascido e residente em Curitiba, Paraná. Estudou Letras na UFPR. Atua em diversos campos artísticos e tem na indisciplinaridade uma das principais características de seu trabalho. Trabalha como ilustrador, designer gráfico, redator e tradutor, performer, ator, diretor de teatro, drag queen, crítico de arte e já compôs trilhas para teatro, dança e vídeo.

SERVIÇO
TRAVA BRUTA.
Dias 5 e 6 de abril, às 19h.
Mini Guaíra, Rua Amintas de Barros, s/nº, centro de Curitiba.
A entrada é gratuita e os ingressos começam a ser distribuídos às 18h, no próprio teatro.
18 Anos, 70 Minutos.

FICHA TÉCNICA
Criação, texto e interpretação: Leonarda Glück
Direção: Gustavo Bitencourt
Direção de produção: Igor Augustho
Trilha original: Jo Mistinguett
Luz: Wagner Antônio
Assistente de iluminação: Dimitri Luppi
Criação em vídeo e projeções: Ricardo Kenji
Figurino: Fabianna Pescara e Renata Skrobot
Fotografias: Alessandra Haro
Assessoria de imprensa São Paulo: Pombo Correio
Assessoria de imprensa Curitiba: Platea Comunicação e Arte
Realização e produção: Pomeiro Gestão Cultural

PRÊMIO NACIONAL UNICRED DE LITERATURA

“A cultura é essencial ao crescimento de qualquer civilização e o cooperativismo tem como um de seus princípios apoiar e valorizar ações que possam ajudar no desenvolvimento da sociedade.

A fim de incentivar a cultura e a literatura brasileira e dar visibilidade a tantos escritores talentosos que o país possui, numa iniciativa da Unicred Valor Capital, a Unicred Central Conexão, com o apoio da Unicred do Brasil, acaba de lançar o Prêmio Nacional Unicred de Literatura.

Poderão participar escritores que possuam obras do gênero Romance publicadas nos anos de 2020 e 2021. O vencedor receberá como premiação o valor de R$ 25 mil.

Participe mostrando o seu talento ou envie este post para um amigo escritor que não pode perder esta oportunidade!

Serviço:
Prêmio Nacional Unicred de Literatura
Período de inscrições: de 17 de março a 31 de maio de 2022.
Valor da inscrição: R$ 150,00
Divulgação dos Resultados: dia 25 de outubro
Confira o Regulamento neste link
Formulário de Participação, neste link: Unicred

LITERATURA COM ACESSIBILIDADE

Ave Lola Espaço de criação lança audiobook e realiza evento com tradução para libras e audiodescrição

Curitiba, 08 de dezembro de 2021 – A obra literária “Nuon – dramaturgia e memórias do processo de montagem” de autoria da dramaturga e diretora Ana Rosa Genari Tezza, ganhará sua versão audiobook em português e ebook em espanhol. O lançamento acontecerá no dia 16 de dezembro, das 19h30 às 21h30, na Ave Lola Espaço de Criação (rua Marechal Deodoro, 1227 – Centro de Curitiba) e terá tradução para libras e audiodescrição.

O evento contará com a presença da autora Ana Rosa para um bate-papo sobre o livro que será distribuído gratuitamente. A publicação traz a dramaturgia do espetáculo “Nuon” montado em 2016 pela trupe Ave Lola e fala sobre o processo de montagem da peça contado pela própria dramaturga e em relatos de artistas que participaram da obra teatral.

O projeto “Publicação literária Nuon” foi financiado pela Lei de Incentivo à Cultura e é uma realização da Ave Lola Espaço de Criação e Governo Federal por meio do Ministério do Turismo e da Secretaria Especial da Cultura. Patrocínio: Nórdica, Tratorcase Máquinas Agrícolas, Plast Pack, Serdia, Tratornew. Instituição Beneficiada: Hospital Pequeno Príncipe (HPP).

Sinopse
Ana Rosa Tezza traz em Nuon, dramaturgia e memórias do processo de montagem, a história que acontece em uma única noite no Camboja, em que se juntam vida e morte, dia e noite, amor e guerra. Na peça, barrada pela senhora Nuon, mulher cambojana que resistiu ao cruel regime e acolheu outras mulheres em sua jornada, surgem espíritos inquietos que testemunharam o regime do Khmer Vermelho. Eles apresentam ao público suas revelações: suas humanidades, seus amores, seus temores, seus sons, suas vidas e mortes.

O processo de criação da obra foi relembrado por cada membro da trupe Ave Lola e descrito para trazer ao leitor os detalhes do fazer teatral da companhia curitibana. Nuon viajou Brasil afora e tocou pessoas de diferentes partes do mundo com sua profunda emoção, inspiração e amorosidade. A arte da Ave Lola expande o viver para infinitas possibilidades.

Ficha Técnica
Direção: Ana Rosa Tezza
Elenco: Ana Rosa Tezza em Nuon e Koylan, Evandro Santiago em Arun, Kim, Sambath e Diretor do Campo de Refugiados, Helena Tezza em Bopha, Nuon e Ampeu Hengsaa, César Matheus em Príncipe Norodom Sihanouk, Marcelo Rodrigues em Tã e Mestre Viseth, Regina Bastos em Nuon
Composição Musical: Arthur Jaime e Breno Monte Serrat
Músicos: Arthur Jaime e Breno Monte Serrat
Captação, Mixagem e Edição de Áudio: Arthur Jaime e Breno Monte Serrat

Serviço:
Lançamento do audiobook em português e do ebook em espanhol da obra literária  “Nuon – dramaturgia e memórias do processo de montagem” | lançamento com tradução para libras e audiodescrição e distribuição gratuita do livro no drive-thru da Ave Lola.
Data: 16 de dezembro de 2021
Horário: das 18h30 às 21h30
Ingresso: gratuito
Local: Ave Lola Espaço de Criação (Rua Marechal Deodoro, 1227)
Facebook: @avelolaespacaodecriacao
Instagram: @ave_lola
Site: www.avelola.net.br
Contato de Imprensa: Jamilssa Melo | 92-98161-1848

CARLOS DALA STELLA LANÇA NOVO LIVRO E COMPLETA TRILOGIA

Obra brinda o leitor com pequenos ensaios e retratos de escritores, pintores, cantores, músicos, bailarinos, fotógrafos e pessoas comuns

O poeta, artista plástico e contista Carlos Dala Stella acaba de publicar o livro “Retratos: Desenhos de Admiração”. Produzido pela Editora Maralto – que pertence ao grupo Arco Educação – a obra completa o terceiro volume do que o autor chama de Trilogia Inconjunta.

No primeiro volume intitulado A Arte Muda da Fuga, Dala Stella traz poemas e recortes. No segundo, Nas Mãos de Bendita, há contos, desenhos e colagens. Neste terceiro, há um livro de arte que brinda o leitor com pequenos ensaios. Mas que não se enganem os leitores. De Maria Bethânia a Van Gogh, o autor reflete sobre os processos para a criação de muitos retratos, numa antologia pessoal, de admiração. De um talento vasto e admirável, o autor transita com segurança por diferentes técnicas como nanquim, colagem, lápis de cor e muitas outras.

E para mostrar ao público o resultado deste trabalho, Carlos Dala Stella faz o lançamento de Retratos: Desenhos de Admiração e autografa a obra. O evento será no dia 04 de dezembro (sábado), das 11h às 16h, no ateliê do artista, no bairro de Santa Felicidade, em Curitiba-PR.

A entrada é franca e segue os cuidados de prevenção à Covid-19. No local também haverá exposição de alguns originais do autor.

Diversidade
Segundo o artista, os três livros – todos publicados pela Editora Maralto – compõem uma trindade entre gêneros diversos onde o fio condutor, ainda que diagonal, ressalta o diálogo fragmentado nas obras.

Em todos eles existe a mesma notação poética reflexiva, os mesmos vazios e silêncios, a mesma urgência do manuseio da matéria, um sem-sentido que se apresenta quase sempre no formato de espanto. E uma certa gratuidade fluida, onírica às vezes, que raramente se submete à realidade.

Múltiplas expressões
De acordo com Dala Stella, os retratos o permitem exercitar uma linha que de outra forma ele não saberia como exprimir. E a linha, uma única linha, guarda possibilidades incomensuráveis de investigação do humano.

“É uma pena que o desenho, especialmente o desenho de um rosto, tenha se tornado tão obsoleto no período que há décadas chamamos – sem constrangimento algum – de contemporaneidade; como se em outros tempos as pessoas não tivessem sido contemporâneas de si mesmas”, explica o artista.

Para ele, a linha do retrato é ambígua, atenta a si mesma e à parecença, o que está sempre a limitá-la ao jogo que se estabelece a partir do primeiro traço com o retratado. “Embora ele seja tanto o ponto de partida como o ponto de chegada, é no trajeto que o desenho se desgarra e ganha autonomia – sugerindo, quem sabe, um sentido plástico”, complementa.

Uma galeria de afetos partilhados
Em tempos de câmeras e smartphones quase como extensão do corpo humano, retratos parecem exaustivos e até mesmo banais em nossas vidas. Hoje, incontáveis rostos, em espaços os mais diversos, exibem muito de nossa história, em todo o mundo: como nos vemos e queremos ser vistos, em que cenários, quem nos olha e em que situações.

O amplo alcance da tecnologia sugere um esvaziamento da arte de ver e de guardar rostos. Mas há os retratos e os retratos, aqueles registrados instantaneamente, ainda que com graça, e os criados pelo interesse – admiração, contemplação, estranhamento? – de alguém que olha e vê, seja com a máquina, o lápis, o pincel e até mesmo com recortes em papel.

Retratos: Desenhos de Admiração é, sem dúvida, como o título anuncia, uma galeria de afetos. Definido, sempre provisoriamente, pelo desejo de quem o tem em mãos, o livro pode ser tomado ora como uma coletânea de breves perfis, ora como um diário ou livro de artista. Nele, Carlos Dala Stella divide com os leitores a intimidade de suas experiências artísticas e culturais, tendo como eixo seu olhar para escritores, pintores, cantores, músicos, bailarinos, fotógrafos e pessoas comuns, desconhecidas na arena pública, como alguns de seus familiares.

Os personagens escolhidos para compor o livro não são apresentados de maneira comum e previsível. Pouco parece importar ao autor onde e quando nasceram e nem o que fizeram. Os traços, recortes e palavras que fazem a obra revelam, mais do que os retratados, o retratista em sua relação com cada um, que partilhada se oferece como experiência estética.

Por sua natureza, Retratos: Desenhos de Admiração não é um livro para ser cumprido linearmente, da primeira à última página. Naturalmente, o leitor é senhor de sua leitura e nada o impede de começar e terminar.

Porém, os muitos convites feitos por esta obra de difícil e desnecessária classificação são para que nós o visitemos como a uma exposição, vendo de perto e de longe, observando os desenhos e, às vezes, desprezando os textos, e vice-versa, para neles voltar em outro momento, passando rapidamente por uns e nos detendo naqueles que nos unem ao artista pela memória ou gosto comum pelo retratado. É como uma casa com muitos habitantes, que se oferecem, pelos caminhos de Dala Stella, a singulares visitações.

Sobre o autor
Carlos Dala Stella nasceu em Curitiba-PR, em 1961. É poeta, artista plástico e contista. Formado em Letras pela Universidade Federal do Paraná, dedica-se ao desenho desde os anos 1980, quando expôs na Itália. Publicou diversos livros e foi finalista do Prêmio Jabuti na categoria Ilustração.

Serviço
O que: Lançamento do livro “Retratos: Desenhos de Admiração” (Editora Maralto, 192 págs., R$ 49,90) e sessão de autógrafos com o autor Carlos Dala Stella
Quando: 04 de dezembro (sábado), das 11h às 16h
Onde: Ateliê do artista [rua Toaldo Túlio, 899, Santa Felicidade, Curitiba-PR, tel. 41-98844-8448]
Quanto: Entrada franca e o local segue os cuidados de prevenção à Covid-19
Catálogo: O catálogo da Editora Maralto poderá ser conferido no Instagram e Facebook @maraltoedicoes

Relacionamento com a imprensa | Editora Maralto
Mem & Mem Comunicação
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João Alécio Mem – (41) 9 9124-9748 joaoalecioassessoria@gmail.com 
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FAROL DE HISTÓRIAS – CONTOS PARA ACENDER A CACHOLA

Programa de Incentivo à Leitura disponibiliza gratuitamente vídeos com contação de histórias e rodas de leitura.

Farol de Histórias – Contos para Acender a Cachola é um Programa de Incentivo à Leitura realizado pela Travessia – Arte e Educação com 46 episódios em vídeo que estarão disponíveis a partir do dia 23/11, gratuitamente, no site www.faroldehistorias.com.br . Basta acessar! São 23 episódios com contação de histórias que apresentam contos da literatura oral brasileira narrados por Vinícius Mazzon. E mais 23 episódios com rodas de leitura, nos quais Michelle Peixoto apresenta uma seleção primorosa de livros infantis de autores brasileiros e estrangeiros. Nestas rodas em vídeo, além da leitura das obras, Michelle conduz o espectador com perguntas e reflexões. O programa é destinado ao público da faixa etária entre 5 e 12 anos e visa contribuir para que as crianças se aproximem do universo literário com gosto e diversão. Também busca servir de apoio a pais e professores que pretendem apresentar a literatura para seus filhos e alunos de forma prazeirosa.

“Cada vez mais cedo as crianças têm acesso aos smartphones/internet e, como os jogos eletrônicos e as redes sociais seduzem mais que os livros, muitos pais e professores sentem dificuldade para aproximar crianças e livros. Com o distanciamento social e o ensino remoto, impostos pela pandemia, o acesso às telas aumentou ainda mais, por isso a ideia do projeto é oferecer literatura afetuosa e divertida”, conta Vinícius. “É claro que a resposta para deste problema é complexa, passa por disciplina e restrição ao uso de eletrônicos, mas também pelo uso da criatividade na hora da leitura”, comenta.

“Ao apresentarmos histórias da tradição oral, inserimos as crianças no universo narrativo através da imaginação e da fantasia ativa. Esse é o primeiro passo para despertar o interesse dos pequenos leitores na leitura propriamente dita, que exercitamos nas rodas de leitura, com textos cuidadosamente escolhidos para conquistar essa faixa etária. Não se pode subestimar a capacidade crítica dos leitores iniciantes, pelo contrário; se desde cedo os estimulamos com variedade e qualidade de textos e de imagens (sim, as ilustrações também são muito importantes na Literatura Infantil), e com perguntas que promovam a reflexão e a capacidade de expressar suas impressões, as crianças pouco a pouco criam um vínculo com o objeto livro e com a sua linguagem literária e visual. É isso que tentamos oferecer neste projeto”, conclui Michelle.

Michelle Peixoto e Vinícius Mazzon são os idealizadores e mediadores do projeto. Ela é pedagoga e desenvolve trabalhos como esse há mais de 10 anos. Ele é integrante da Associação Malasartes, da Travessia – Arte e Educação e do Trio Dedo de Prosa, com os quais já circulou com apresentações de teatro e narração de histórias por diversas regiões do país.


Vinicius Mazzon. Foto de Lucas Rachinski.

Contato:
Produção
Vinícius Mazzon
41 99622 2829
viniciusmazzon@gmail.com

ESCRITOR OTAVIO LINHARES LANÇA ROMANCE ‘CAVALO DE TERRA’ NA PRESTINARIA SÃO LOURENÇO

Estreando na narrativa de fôlego, Otavio Linhares se consolida como uma das vozes mais singulares da literatura contemporânea.

O escritor e ator Otavio Linhares lança no dia 6 de dezembro, na Prestinaria São Lourenço, a partir das 19h, o romance Cavalo de terra (Moinhos, 155 páginas). Dono de uma prosa autêntica, o autor chega ao seu quarto livro e se coloca como intérprete dos males que povoam a nossa sociedade.

Um dos nomes mais inventivos da literatura produzida no Paraná, Linhares dá voz aos esquecidos e silenciados. Desde Pancrácio, seu primeiro livro, o escritor esmiúça as vidas e as entrelinhas das gentes que João Antônio – talvez o maior cronista dos desvalidos – chamaria de “merdunchos”. Em Cavalo de terra, a estreia de Linhares no romance, a investigação dos invisíveis e das relações com o espaço urbano ganha uma potência avassaladora.

Se de um lado existe uma linguagem de experimentação, construída a partir do dialeto das ruas –  e da verdadeira voz humana que surge do perigo e da agonia –, de outro há algo monumental: a implosão de uma família à míngua da realidade. O narrador, um sujeito escondido atrás de um nome que não revela, traça o perfil da sua herança. O pai alcoolista, a mãe perdida entre o desespero e o sonho do milagre, os irmãos Tomás – um trombadinha diplomado nas ruas – e João, a tábua de salvação de todos.

Essas existências – nem sempre chegam a ser vidas – se cruzam em uma narrativa crua e chocante, que uma lupa sobre as feridas abertas de toda uma população à margem, esquecida pela sociedade do cansaço e do algoritmo. Para o jornalista e escritor Yuri Al’Hanati, que assina a orelha do livro, os personagens de Linhares são seres à deriva e em cujo andar errático reside um pedido de socorro. “O mal estar gerador de desesperos difusos e desendereçados é o grande personagem do livro”, escreve Al’Hanati.

Partindo desse mosaico social, tão belo e bruto, Otavio Linhares sedimenta o mundo particular que já desenhava em O Esculpidor de nuvens e O Cão mentecapto, e se consolida como um artesão da palavra, um autor capaz de ler e interpretar o que está à sua volta. Nesse sentido, Cavalo de terra é uma literatura de observação e de tradução do mundo, que coloca o leitor cara a cara com a história em um mergulho sensorial por cheiros, texturas e desastres.

Mundo cão
Quem lê Cavalo de terra também está nos “corres” e se depara com os mesmos abismos que os personagens. Esse retrato de um mundo cão, escarrado no rosto de homens, mulheres e crianças deixados de lado é um exercício de empatia. O escritor consegue equalizar ação e dramaticidade, velocidade e torpor, explorando cada uma dessas lacunas em um estilo bastante único e original.

“Linhares nos coloca para frente, nos convida a pensar a literatura como música, ritmo, pintura, paisagem. Há uma beleza que perfura os olhos para que vejamos melhor com nossa sensibilidade ativada, esta capacidade humana tão entorpecida pelos tempos que correm”, comenta a dramaturga, atriz e roteirista Dione Carlos.

Ainda que Cavalo de terra seja a investigação do cotidiano de piás e gurias tipicamente curitibanos, Linhares não faz do seu texto um elemento reducionista, ao contrário. Curitiba é o cenário, mas o romance é uma radiografia do Brasil, de um país partido em cacos que não são de hoje e que espelham uma cultura escravocrata, machista e misógina de exploração. Cavalo de terra é uma obra sobre o agora, mas é também um documento sobre o passado e o futuro.

Sobre o autor
Otavio Linhares nasceu em Curitiba. É escritor, ator e torrefador de café. Tem formação em História, Filosofia e Artes Cênicas. Cavalo de Terra é seu primeiro romance e quarto livro publicado. É autor de O Cão Mentecapto (contos/2017); O Esculpidor de Nuvens (contos/2015) e Pancrácio (novela/2013). Como ator já participou, dentre outras produções, dos filmes Deserto particular (2021), Foram os sussurros que me mataram (2021), Jesus Kid (2019), A Mesma parte de um homem (2019); e das séries Irmandade (2019) e Carcereiros (2020).

Serviço
Cavalo de Terra
Autor: Otavio Linhares
Editora: Moinhos | 156 páginas
Preço: R$56,00
Lançamento – Cavalo de Terra
Quando: 06 de dezembro
Horário: das 19h às 22h
Local: Prestinaria São Lourenço
Endereço: R. Mateus Leme, 3440 – São Lourenço, Curitiba
Informações: 41-9-9911-8664