NOME FUNDAMENTAL DA NOVA GERAÇÃO, ESCRITOR MATHEUS PELETEIRO LANÇA LIVROS DE CONTOS QUE RETRATAM O BRASIL DE BOLSONARO

Nome fundamental da nova geração, escritor Matheus Peleteiro lança livros de contos que retratam o Brasil de Bolsonaro

Nauseado reúne 21 narrativas curtas que abordam temas urgentes como fake news, bullying, discurso do ódio e fundamentalismo religioso.

O escritor baiano Matheus Peleteiro, considerado uma das vozes mais interessantes da sua geração, publica em dezembro seu oitavo livro, o volume de contos Nauseado (Faça você mesmo, 148 págs.). Costurando uma prosa existencialista a uma análise contundente do Brasil atual, a obra é uma sinfonia para uma país despedaçado e colocado contra a parede. Ainda que Nauseado esteja recheado de narrativas fortes e pontiagudas, Peleteiro consegue criar histórias capazes de levar o leitor pela mão e apresentar, com leveza, um mosaico de belezas e choques.

Matheus Peleteiro compõe um itinerário para a perda da inocência. Diante da barbárie, seus personagens são lançados ao seu lado selvagem e à necessidade irrefreável de sobreviver. Relatos como “Calcinha preta”, “A Síndrome do fodido” e “Os Sete pecados literários” apresentam um cenário distópico travestido de realidade, seja em um recorte íntimo, em que é preciso escapar do bullying, até à promessa de se refazer das próprias cinzas.

Nesse intricado diálogo de temas e influências, Nauseado trata de questões urgentes – a ascensão da extrema-direita, o discurso de ódio, o fundamentalismo religioso e o não pertencimento, só para citar alguns temas – e atravessa uma colcha de retalhos de influências, que vão de Agatha Christie a Kafka, de Belchior a Sartre, passando por símbolos da cultura pop como Arctic Monkeys e The Strokes – como em “O Indie e o hipster” –, para compor o retrato de uma juventude entediada e perdida, mediada por algoritmos e sem consciência da sua invisibilidade.

Por isso, não é exagero dizer que a literatura de Peleteiro é um exercício de empatia e a tentativa de um encontro não marcado com o diferente. “A literatura permite enxergar o outro, enxergar o óbvio e enxergar aquilo que não está tão claro, então, acredito que pode sim oferecer soluções. No entanto, gosto de pensar nela como utopia que alimenta quando não se tem o que comer ou no que acreditar”, explica o escritor.

Um fósforo no escuro
Poucas vezes a frase atribuída da Cortázar, de que o conto precisa vencer o leitor por nocaute, fez tanto sentido quando em Nauseado. Peleteiro, que publicou seu primeiro livro aos 20 anos, já um autor maduro, um artesão da sua própria ficção, sabido de seus caminhos e limitações. E todos esses elementos dão aos seus textos uma originalidade e uma liberdade que parecem incomum aos nossos tempos – tão regrados pelas fake news e pelas fórmulas de sucesso, ambas fissuras sociais que são debatidas pelo escritor.

A sensação que se tem ao ler os 21 contos de Nauseado é um mundo fragmentado e pragmático, escondido em pequenas erosões cotidianas e de certezas em decomposição. “A Alavanca”, que abre o livro, e “O Último a sair, por favor, apague a luz e me deixe aqui”, conto que ultrapassou os 30 mil downloads no Kindle, são exemplos da criação combativa e atuante de Peleteiro, que consegue interpretar a realidade de uma maneira bastante singular.

“Vejo o presente tempo como um tempo em que a arte precisa ser oposição, dizer não ao horror, como cantou Belchior. Ainda que seja uma espécie de arma branca e simbólica”, comenta Peleteiro. “O papel do escritor continua a ser de um serviçal da literatura, que, como bem definiu Kafka, ‘é como um fósforo no escuro, não ilumina quase nada, mas permite enxergar a escuridão que existe ao redor’. Atribuo a mim o papel de tentar acender esse fósforo mesmo na tempestade.”

Nauseado é um livro urgente – que foge das ciladas narrativas e dos lugares comuns que o adjetivo pode impor –, e que revela o absurdo encalacrado na história brasileira. Sem meios termos, e chegando no apagar das luzes de 2021, Peleteiro escreveu o livro obrigatório para quem quer entender o nosso presente e projetar um futuro menos opaco e estreito.

Sobre o Matheus Peleteiro
Nascido em Salvador – BA em 1995, escritor, advogado, editor e tradutor, Matheus Peleteiro publicou em 2015 o seu primeiro romance, Mundo Cão, pela editora Novo Século. Após, lançou sete obras, sendo elas a novela Notas de um megalomaníaco minimalista (2016), a reunião de poemas Tudo que arde em minha garganta sem voz e a coletânea de contos Pro Inferno com Isso (2017); a distopia satírica O Ditador Honesto (2018), e as coletâneas poéticas intituladas Nossos Corações Brincam de Telefone sem Fio e Caminhando sobre o fogo (2019 e 2021).

Também organizou e editou a coletânea de contos Soteropolitanos (2020); deu início ao Selo ÊCOA – Faça ocê mesmo, em 2021; disponibilizou, de forma gratuita, o conto “O último a sair, por favor, apague a luz e me deixe aqui”, como forma de protesto, em todas as plataformas digitais, e produz o podcast 1Lero, onde realiza entrevistas com expoentes da literatura contemporânea. Além disso, em 2018, assinou, ao lado do tradutor Edivaldo Ferreira, a tradução do livro A Alma Dança em Seu Berço (Editora Penalux), do premiado autor dinamarquês, Niels Hav.

Serviço
Nauseado
Matheus Peleteiro
Editora: Faça ocê mesmo – 148 páginas
Lançamento: 30 de NOVEMBRO (NOVA DATA) – às 18h30
Local: Palles Sorveteria & Café
Endereço: R. Adelaíde Fernandes da Costa, 700 – Costa Azul, Salvador – BA
Preço: R$ 35,00 – edição física | R$ 19,90 – e-book
Para comprar, acesse: https://bit.ly/Nauseado

JORNALISTA CURITIBANO CRIA CURSO PRÁTICO DE CRÍTICA LITERÁRIA PELA PUCPR

O curso será uma experiência imersiva e prática na produção de pensamento crítico acerca da arte e, principalmente, da literatura.

O jornalista, crítico literário e escritor Jonatan Silva ministrará, nos dias 4 e 11 dezembro, a primeira edição do curso Crítica Literária na Prática, pela PUCPR. Serão oito horas dedicadas à prática da escrita para a crítica de arte, sobretudo, a literária. Buscando investigar os caminhos para o novo crítico, Silva apresentará aos estudantes os elementos fundamentais da construção do texto crítico por meio de uma imersão no processo prático.

Com grande bagagem no jornalismo cultural, Jonatan Silva enxerga no curso uma oportunidade de rompimento com a visão pragmática da crítica, estreitando os laços da literatura com outras linguagens artísticas e permitindo uma relação mais ampla com o sujeito e o cotidiano. “A literatura, assim como qualquer expressão artística, é um reflexo social, um espelhamento do que – enquanto humanidade – fomos, somos e seremos. Compreender esses elementos na literatura é estar preparado para os desafios mais corriqueiros. O desafio é transformar esse olhar sobre o mundo em pensamento crítico e criar uma análise contundente e interessante.”

Se a literatura é um espelho do mundo, a crítica é uma colagem de experiência e vivências dentro e fora do domínio das artes. O curso será um caminho trilhado em conjunto, percorrendo as análises de Terry Eagleton, Umberto Eco, Nuno Ramos, Leonardo Villa-Forte, Ítalo Calvino, Jorge Luis Borges e tantos outros.

Segundo Silva, o crítico literário é um leitor contumaz, alguém capaz de identificar os instrumentos narrativos e relacioná-los com o seu próprio universo. “A boa crítica, e também a leitura de qualidade, nasce da compreensão da obra e da sua possibilidade de ressignificá-la diante de algo exterior a ela”.

Sobre Jonatan Silva (crédito foto: Camilla Cordeiro)
Jonatan Silva é jornalista, crítico literário, escritor, assessor de imprensa e professor. Passou pelas redações da Tribuna do Paraná e Paraná Online. Foi editor da revista Mediação, do Colégio Medianeira. Na mesma instituição, idealizou, produziu e apresentou o podcast MedCast, que tratava de temas que iam da educação à cultura, passando por questões da atualidade e da filosofia. Atua como professor convidado na especialização da Escola de Belas Artes da PUCPR, onde idealizou os cursos Introdução à Crítica Literária e Crítica Literária na Prática.

Escreve regularmente para os jornais Rascunho e Cândido, e para o portal de cultura A Escotilha. Colabora com as editoras Rádio Londres e Olho de Vidro, além de ter textos publicados nas revistas Flaubert e Tinteiro, e no jornal RelevO. Foi um dos selecionados para integrar a coletânea Parem as máquinas, editada pelo selo OffFlip, em 2020. É autor dos livros O Estado das coisas (2015) e Histórias mínimas (2019). É criador do projeto de não ficção A Vida dos outros.

Sobre o curso
Crítica literária na prática – on-line ao vivo
Data: 4 e 11 de dezembro
Horário: das 8h às 12h
Carga horária: 8h
Inscrições: https://bit.ly/3n3YRrF

SARAUS DE HISTÓRIAS VALORIZAM A CULTURA PARANAENSE

Os contadores de histórias Lucas Buchile e Fabiane de Cezaro, o músico Joelson Cruz e a atriz Lilyan de Souza participam dos Saraus de Histórias da Cultura Paranaense. Crédito da foto: Cristiano Nagel.

Em duas apresentações virtuais, manifestações artísticas vão mostrar narrativas infantis, brincadeiras e canções populares

O projeto cultural gratuito “Minha Avó Me Contou – Literatura Paranaense e Tradição Oral”, que começou em 16 de agosto e segue até 15 de novembro deste ano, apresenta sua nova atração: os Saraus de Histórias da Cultura Paranaense.

As atividades – em forma de vídeos que mesclam narrativas infantis, brincadeiras e canções – serão coordenadas pelos contadores de histórias Fabiane de Cezaro, Lucas Buchile e o músico Joelson Cruz.

O primeiro sarau irá apresentar dois contos populares brasileiros e terá estreia dia 31/10 (domingo), às 19h. Já a segunda manifestação artística traz um conto da literatura paranaense de autoria de Lucas Buchile e será mostrado ao público no dia 14/11 (domingo), às 19h, ambos pelo YouTube, Instagram, Facebook, Spotify e Castbox da atriz Lilyan de Souza [ver abaixo].

O que é um sarau?
Sarau é um evento cultural em que as pessoas se encontram para se manifestar artisticamente pela oralidade e musicalidade. Em geral o evento envolve dança, poesia, leitura de poemas, histórias, música, teatro e artes plásticas. Em virtude da pandemia, essas atrações serão mostradas de maneira online.

Surgimento no país
Literatura, música, champanhe e vinhos eram alguns dos ingredientes dos saraus do Brasil do século 19. Então privilégio de seleto público, esse tipo de encontro chegou ao Brasil em 1808, com D. João, e seguia os moldes dos salões franceses. Inicialmente, eram realizados no Rio de Janeiro, mas logo os fazendeiros de São Paulo resolveram aderir à moda e já na metade do século 19 estavam espalhados por todas as capitais.

Mais adiante, os saraus passaram a ser realizados também por pessoas de influência, que gostavam de uma boa música e queriam promover movimentos artísticos.

Contrapartida
Os Saraus de Histórias fazem parte da contrapartida social do projeto Minha Avó Me Contou que engloba 40 episódios de podcasts compostos por histórias da literatura infantil e infantojuvenil de autores paranaenses – todos apresentados com elementos da tradição oral. A última transmissão será no dia 15 de novembro.

O projeto foi idealizado e desenvolvido pela atriz, contadora de histórias e escritora Lilyan de Souza, junto com parceiros como o ator e contador de histórias Rafael Di Lari, o intérprete e bonequeiro Lucas Mattana, os atores Fabiane de Cezaro e Lucas Buchile – todos integrantes da Inominável Companhia de Teatro – além do músico Joelson Cruz, a artista visual Manu Assini e o produtor cultural Cristiano Nagel.

Aprovado pelo edital do Fundo Municipal de Cultura 034/2020 – Apoio a Festivais, Mostras e Manifestações Culturais Tradicionais – o projeto está sendo realizado com recursos do Programa de Incentivo à Cultura, Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Mesmo após o término do projeto, todas as ações realizadas (podcasts, Oficina de Bonecos e Saraus de Histórias) permanecerão disponíveis nas redes sociais de Lilyan de Souza.

Ficha técnica dos Saraus de Histórias:

Sarau de histórias 1 – Recontos dos contos populares brasileiros
– Vamos esperar o Set Set chegar
 (Livro: “Sete Histórias para Sacudir o Esqueleto”, de Ângela Lago – Companhia das Letrinhas – 2002).

– João Jiló
(Livro: “Enquanto o sono não vem”, de José Mauro Brant – Editora Rocco – 2003).

Canções populares:
“Tumbalacatumba”
“Meu galinho”
“João Jiló”

Parlenda:
“Um dois, feijão com arroz”

Contadores de histórias: Fabiane de Cezaro e Lucas Buchile
Músico/violão: Joelson Cruz
Voz: Lilyan de Souza
Edição e captação de imagens: Alan Raffo
Produção: Cristiano Nagel
Designer Gráfico: Manu Assini
Coordenação: Lilyan de Souza
Parceria e participação: Inominável Companhia de Teatro

Projeto idealizado por Lilyan de Souza
Agradecimento especial: Casa Posselt

Sarau de histórias 2 – Literatura paranaense
– Trenzinho Menino, de Lucas Buchile (2020).

Canções populares:
“Trem Maluco”
“Capelinha de Melão”
“Alecrim Dourado”
“Meu Boi Morreu”
“Se essa rua fosse minha””
“Rosa Amarela”
“Ciranda, cirandinha”
“Cai, cai balão”

Contadores de histórias: Fabiane de Cezaro e Lucas Buchile
Músico/violão: Joelson Cruz
Voz: Lilyan de Souza
Edição e captação de imagens: Alan Raffo
Produção: Cristiano Nagel
Designer Gráfico: Manu Assini 
Coordenação: Lilyan de Souza
Parceria e participação: Inominável Companhia de Teatro
Projeto idealizado por Lilyan de Souza
Agradecimento especial: Casa Posselt

Serviço
O que: Saraus de Histórias da Cultura Paranaense
Quando: Apresentações nos dias 31/10 e 14/11, às 19h
Quanto: Gratuito
Como assistir: Pelos meios digitais [YouTube, Instagram, Facebook, Spotify e Castbox] da atriz Lilyan de Souza
https://www.youtube.com/user/Lilyancsb/
https://www.instagram.com/lilyandesouza/
https://www.facebook.com/lilyandesouza
https://anchor.fm/minhaavomecontou
https://castbox.fm/ch/4490991
https://open.spotify.com/show/0ZmqhzdQFrPKLOoUEo7jgn?si=eImfqZTAQVSSAl6HKZtvOg&dl_branch=1&nd=1

Relacionamento com a imprensa | Inominável Companhia de Teatro
Mem & Mem Comunicação
João Alécio Mem – (41) 9 9124-9748 / joaoalecioassessoria@gmail.com
Marlise Groth Mem – (41) 9 9908-0511 / marliseassessoria@gmail.com
Jornalismo / Assessoria de Imprensa / Consultoria em Comunicação e Eventos / Produção e Revisão de Conteúdo
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NOME FUNDAMENTAL DA NOVA GERAÇÃO, ESCRITOR MATHEUS PELETEIRO LANÇA LIVROS DE CONTOS QUE RETRATAM O BRASIL DE BOLSONARO

Nome fundamental da nova geração, escritor Matheus Peleteiro lança livros de contos que retratam o Brasil de Bolsonaro

Nauseado reúne 21 narrativas curtas que abordam temas urgentes como fake news, bullying, discurso do ódio e fundamentalismo religioso.

O escritor baiano Matheus Peleteiro, considerado uma das vozes mais interessantes da sua geração, publica em dezembro seu oitavo livro, o volume de contos Nauseado (Faça você mesmo, 148 págs.). Costurando uma prosa existencialista a uma análise contundente do Brasil atual, a obra é uma sinfonia para uma país despedaçado e colocado contra a parede. Ainda que Nauseado esteja recheado de narrativas fortes e pontiagudas, Peleteiro consegue criar histórias capazes de levar o leitor pela mão e apresentar, com leveza, um mosaico de belezas e choques.

Matheus Peleteiro compõe um itinerário para a perda da inocência. Diante da barbárie, seus personagens são lançados ao seu lado selvagem e à necessidade irrefreável de sobreviver. Relatos como “Calcinha preta”, “A Síndrome do fodido” e “Os Sete pecados literários” apresentam um cenário distópico travestido de realidade, seja em um recorte íntimo, em que é preciso escapar do bullying, até à promessa de se refazer das próprias cinzas.

Nesse intricado diálogo de temas e influências, Nauseado trata de questões urgentes – a ascensão da extrema-direita, o discurso de ódio, o fundamentalismo religioso e o não pertencimento, só para citar alguns temas – e atravessa uma colcha de retalhos de influências, que vão de Agatha Christie a Kafka, de Belchior a Sartre, passando por símbolos da cultura pop como Arctic Monkeys e The Strokes – como em “O Indie e o hipster” –, para compor o retrato de uma juventude entediada e perdida, mediada por algoritmos e sem consciência da sua invisibilidade.

Por isso, não é exagero dizer que a literatura de Peleteiro é um exercício de empatia e a tentativa de um encontro não marcado com o diferente. “A literatura permite enxergar o outro, enxergar o óbvio e enxergar aquilo que não está tão claro, então, acredito que pode sim oferecer soluções. No entanto, gosto de pensar nela como utopia que alimenta quando não se tem o que comer ou no que acreditar”, explica o escritor.

Um fósforo no escuro
Poucas vezes a frase atribuída da Cortázar, de que o conto precisa vencer o leitor por nocaute, fez tanto sentido quando em Nauseado. Peleteiro, que publicou seu primeiro livro aos 20 anos, já um autor maduro, um artesão da sua própria ficção, sabido de seus caminhos e limitações. E todos esses elementos dão aos seus textos uma originalidade e uma liberdade que parecem incomum aos nossos tempos – tão regrados pelas fake news e pelas fórmulas de sucesso, ambas fissuras sociais que são debatidas pelo escritor.

A sensação que se tem ao ler os 21 contos de Nauseado é um mundo fragmentado e pragmático, escondido em pequenas erosões cotidianas e de certezas em decomposição. “A Alavanca”, que abre o livro, e “O Último a sair, por favor, apague a luz e me deixe aqui”, conto que ultrapassou os 30 mil downloads no Kindle, são exemplos da criação combativa e atuante de Peleteiro, que consegue interpretar a realidade de uma maneira bastante singular.

“Vejo o presente tempo como um tempo em que a arte precisa ser oposição, dizer não ao horror, como cantou Belchior. Ainda que seja uma espécie de arma branca e simbólica”, comenta Peleteiro. “O papel do escritor continua a ser de um serviçal da literatura, que, como bem definiu Kafka, ‘é como um fósforo no escuro, não ilumina quase nada, mas permite enxergar a escuridão que existe ao redor’. Atribuo a mim o papel de tentar acender esse fósforo mesmo na tempestade.”

Nauseado é um livro urgente – que foge das ciladas narrativas e dos lugares comuns que o adjetivo pode impor –, e que revela o absurdo encalacrado na história brasileira. Sem meios termos, e chegando no apagar das luzes de 2021, Peleteiro escreveu o livro obrigatório para quem quer entender o nosso presente e projetar um futuro menos opaco e estreito.

Sobre o Matheus Peleteiro
Nascido em Salvador – BA em 1995, escritor, advogado, editor e tradutor, Matheus Peleteiro publicou em 2015 o seu primeiro romance, Mundo Cão, pela editora Novo Século. Após, lançou sete obras, sendo elas a novela Notas de um megalomaníaco minimalista (2016), a reunião de poemas Tudo que arde em minha garganta sem voz e a coletânea de contos Pro Inferno com Isso (2017); a distopia satírica O Ditador Honesto (2018), e as coletâneas poéticas intituladas Nossos Corações Brincam de Telefone sem Fio e Caminhando sobre o fogo (2019 e 2021).

Também organizou e editou a coletânea de contos Soteropolitanos (2020); deu início ao Selo ÊCOA – Faça ocê mesmo, em 2021; disponibilizou, de forma gratuita, o conto “O último a sair, por favor, apague a luz e me deixe aqui”, como forma de protesto, em todas as plataformas digitais, e produz o podcast 1Lero, onde realiza entrevistas com expoentes da literatura contemporânea. Além disso, em 2018, assinou, ao lado do tradutor Edivaldo Ferreira, a tradução do livro A Alma Dança em Seu Berço (Editora Penalux), do premiado autor dinamarquês, Niels Hav.

Serviço
Nauseado
Matheus Peleteiro
Editora: Faça ocê mesmo – 148 páginas
Lançamento: 30 de NOVEMBRO (NOVA DATA)  – às 18h30
Local: Palles Sorveteria & Café
Endereço: R. Adelaíde Fernandes da Costa, 700 – Costa Azul, Salvador – BA
Preço: R$ 35,00 – edição física | R$ 19,90 – e-book
Para comprar, acesse: https://bit.ly/Nauseado

PROJETO CURITIBANO FOMENTA A CONSERVAÇÃO DE ESCULTURAS SACRAS E OFERECE CURSO GRATUITO

Foto: Wagner Melo.

A iniciativa idealizada pela conservadora-restauradora Ana Caniatti oferece curso gratuito de noções básicas de conservação preventiva e é um dos primeiros projetos a ocupar a recém-inaugurada Escola de Patrimônio

No mês de novembro, a Escola de Patrimônio & Liceu das Artes da Fundação Cultural de Curitiba recebe o curso semipresencial de “Introdução à Conservação da Imaginária Sacra”, idealizado pela conservadora-restauradora Ana Caniatti a convite da Flutua Produções. O projeto busca instigar um olhar crítico sobre a preservação da imaginária sacra através do curso acompanhado de material didático. Em contrapartida, o projeto prevê a conservação de uma imagem musealizada pertencente ao acervo do Museu de Arte Sacra de Curitiba – MASAC.

O curso gratuito é formado por cinco aulas presenciais, ministradas de 16 a 20 de novembro por Ana Caniatti, Flávia Dias, professora no Museu de Arte Sacra de São Paulo, e Ruy Neto, arquiteto conservador. Além dos encontros presenciais, o curso conta com uma aula de encerramento, que será realizada no dia 07 de dezembro, através de um encontro online síncrono. Ao todo, são 12 vagas destinadas a funcionários de museus e igrejas, conservadores, restauradores, laudistas, museólogos, historiadores, arquitetos, galeristas, colecionadores, estudantes e pessoas interessadas no tema. As inscrições podem ser feitas no link https://forms.gle/B8F2thiShcuTzN4S9 entre os dias 14 e 30 de outubro.

No cronograma, estão presentes temas como: princípios de conservação, história da arte sacra, métodos de pesquisa, agentes de degradação e patologias, além de análise do estado de conservação.

Para Ana Caniatti, a preservação do patrimônio histórico está diretamente ligada à preservação da nossa memória e identidade cultural. “A importância de difundir as noções de preservação de bens culturais vai ao encontro da necessidade humana de ter contato com a sua memória e sua história. Estes bens, e neste caso tratamos das imagens sacras, precisam ser respeitados e resguardados, pois narram os modos de produzir e de existir dos nossos antepassados.”, ressalta ela.

O fundador da Flutua Produções, Gilmar Kaminski, reforça a importância de projetos como esse para a cultura. “Trabalhar com patrimônio é entender a importância da conservação e da valorização da memória, e isso se potencializa na proposição do curso, que tem como principal objetivo instrumentalizar a população para a preservação do patrimônio cultural, nesse caso, da imaginária sacra.”, comenta o produtor cultural.

Projeto realizado com recursos do programa de apoio e incentivo à cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Sobre Ana Caniatti
Ana Caniatti é formada em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes do Paraná (2007), Técnico em Conservação e Restauração pela Fundação de Arte de Ouro Preto (2009) e Especialista em História da Arte Sacra pela Faculdade Arquidiocesana de Mariana (2012). Integrou a equipe de restauro das igrejas de Nossa Senhora D´Ajuda, em Congonha (MG); Matriz de Nossa Senhora Imaculada Conceição, em Videira (SC); e Matriz de São Domingos, em Araxá (MG). Estagiou no Museu da Inconfidência de Ouro Preto e trabalhou na FAOP, no laboratório de conservação e restauro de escultura policromada. Em 2013, fundou em Curitiba o Atelier Caniatti Conservação e Restauro, onde atua realizando projetos para conservação, restauração, documentação de obras e de acervos de instituições públicas, privadas e particulares. Foi presidente da Associação dos Restauradores e Conservadores de Bens Culturais do Paraná – ARCO.IT (2018 e 2019) e promoveu diversos cursos para aperfeiçoamento dos profissionais da área, assim como projetos de incentivo à pesquisa científica. É associada ao Centro de Estudos em Imaginária Brasileira – CEIB.

Sobre Flutua Produções
Fundada em 2016 pelo produtor cultural Gilmar Kaminski, a Flutua Produções tem como proposta o diálogo com as diversas linguagens artísticas, desenvolvendo projetos nas artes cênicas, música, literatura, patrimônio histórico, artístico e cultural, artes visuais e audiovisual. Presta serviços de planejamento, organização e produção de projetos e eventos culturais, com foco na elaboração e gestão de projetos via leis de incentivo à cultura, sempre com a premissa da democratização de acesso. Dentre os atuais trabalhos desenvolvidos destacam-se a coordenação de produção da Bienal de Quadrinhos de Curitiba e o projeto Histórias e Retratos da Feira do Largo da Ordem. Mais informações em www.flutuaproducoes.com.br

SERVIÇO
Curso de Introdução à Conservação da Imaginária Sacra
Quando: de 16 a 20 de novembro, das 14h às 18h (presencial)/ encontro final em 07 de dezembro, das 19h às 21h (online)
Onde: Escola de Patrimônio & Liceu das Artes (R. Kellers, 63 – São Francisco, Curitiba)
Inscrições gratuitas em https://forms.gle/B8F2thiShcuTzN4S9

FICHA TÉCNICA
Realização: Caniatti Conservação e Restauro e Flutua Produções
Coordenação pedagógica: Ana Eliza Caniatti Rodrigues e Flávia Andrea Siqueira Dias
Coordenação de produção: Gilmar Kaminski
Pesquisadores e ministrantes: Ana Eliza Caniatti Rodrigues, Flávia Andrea Siqueira Dias e Ruy Altamir da Cruz Neto
Pesquisa histórica – Sant’Ana Mestra: Deborah Agulham Carvalho
Intervenção de conservação – Sant’Ana Mestra: Ana Eliza Caniatti Rodrigues
Assistência de produção: Luana Camargo
Projeto gráfico e diagramação: Adriana Alegria
Revisão textual: Anna Carolina Azevedo
Assessoria de imprensa e Marketing digital: Platea Comunicação e Arte
Fotografia: Wagner Melo e Lucas Gabriel de Souza da Silva

Projeto realizado com recursos do programa de apoio e incentivo à cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Assessoria de Imprensa
Platea Comunicação e Arte
platea.comunicacao@gmail.com
(41) 9 9907-9648

INFLUENCIADO POR GODARD E GARCÍA MÁRQUEZ, ARGENTINO ENZO MAQUEIRA DISCUTE EM LIVRO A DESCONSTRUÇÃO DA MASCULINIDADE E A FORMAÇÃO DO HOMEM

Enzo Maqueira. Foto: Paula Moneta.

Faça-se você mesmo, publicado pela PONTOEDITA, chega ao Brasil em edição com J. P. Cuenca e Bernardo Cople.

Influenciado por Godard e García Márquez, argentino Enzo Maqueira discute em livro a desconstrução da masculinidade e a formação do homem

Faça-se você mesmo, publicado pela PONTOEDITA, chega ao Brasil em edição com J. P. Cuenca e Bernardo Cople.

Faça-se você mesmo, do argentino Enzo Maqueira (Buenos Aires, 1977), é uma jornada em busca da literatura que há no real, uma crônica da felicidade perdida. O livro, que foi finalista do Prêmio Silverio Cañada da Semana Negra de Gijón, na Espanha (2019), é uma história de memórias, de projetos, mas também de tragédias e de erros. A edição da PONTOEDITA, com intervenção do escritor e cineasta J. P. Cuenca e capa com fotografia do premiado diretor de arte e publicitário carioca Bernardo Cople, marca a estreia de Maqueira no Brasil. Considerado pela crítica argentina uma das vozes mais proeminentes da literatura latino-americana (La Nación, Clarín), Maqueira aborda em sua prosa temas fundamentais como a religião, as drogas e a heteronormatividade, de modo a evidenciar que toda forma de arte é uma enunciação eminentemente política.

Solilóquio de um personagem atormentado pela possibilidade de estar doente e pela necessidade não apenas de ser outra pessoa, mas sobretudo de imaginar como deverá ser (para ele, a felicidade está em transformar-se em artista), Faça-se você mesmo acompanha alguns dias na vida de um homem sem nome e sem convicções que foge de Buenos Aires para a casa dos avós onde passava os verões de sua infância. A casa — um território sagrado no meio da Patagônia desértica — fica em San Benito, um vilarejo fictício, quase mítico, que não é apenas uma encarnação narrativa de Comodoro Rivadavia (cidade em que o autor de fato costumava, assim como seu protagonista, passar as férias de infância na casa dos avós), mas também uma homenagem a Coronel Vallejos de Manuel Puig e Macondo de Gabriel García Márquez.

Nesse lugar cheio de fantasmas do passado, entre as memórias agradáveis de verões ao lado dos avós, agora mortos, e de amigos, agora ausentes, o protagonista ganha consciência de sua covardia a partir de uma sequência de frustrações. A expectativa de futuro o impede de fazer qualquer coisa no presente, de concluir qualquer tarefa, e se traduz em procrastinação e insatisfação contínuas.

A partir de referências aos grandes mestres da Nouvelle Vague e à banda de rock inglesa Queen, o livro extrapola os limites do gênero e ganha contornos cinematográficos à medida que o protagonista se torna, ele mesmo, personagem da própria ficção. Mas a beleza da prosa de Maqueira está na desconfiança dos limites da palavra (na epígrafe que abre o livro, tirada do filme Adeus à linguagem, de Jean-Luc Godard, lemos: “As palavras — não quero voltar a saber delas”) e isso pode causar nos leitores certo nervosismo ou ansiedade por símbolos e interpretações. Pois se a narrativa começa com um tom quase idílico de busca da felicidade perdida na infância, ela vai aos poucos se transformando em outra coisa, ficando mais sombria.

A maior homenagem, porém, é a Fellini, em especial ao filme Oito e meio (há inclusive um capítulo com esse título). Em certo momento, o narrador declara: “Fellini tinha razão: as únicas memórias que valem a pena estão na infância.” Entretanto, se, como em Fellini, o romance de Maqueira de fato tem um ponto de partida autobiográfico, sua prosa não cai na autoficção, pois se abre às exigências da narrativa e propõe uma reflexão profunda sobre como a sociedade criou, mediante múltiplas ficções, uma idealização da obrigação de ser feliz. Essa obrigação (o último bastião do neoliberalismo) é equacionada no discurso vazio da autoajuda que ressoa na ironia fina presente no título (que torce a fórmula americana “do it yourself”) e dá o tom do estilo que a linguagem de Maqueira coloca em cena: um sarcasmo fellinesco que transita entre realidade, sonho ou suprarrealidade.

Essas fronteiras fluidas ganham forma na figura de um vizinho parecido com Freddie Mercury, ídolo de sua infância. A imagem do líder do Queen, que representa uma nova masculinidade, entra em conflito com a imagem do avô, símbolo de um patriarcado falido, e obriga o protagonista a enfrentar seus próprios demônios.

Mas, conforme pergunta J. P. Cuenca em sua intervenção, como seria o solilóquio de um personagem-macho em tempos de queda do capital simbólico do homem branco, intelectual, heteronormativo no mercado das ideias e da cultura? São perguntas como essa que, entre canções do Queen e referências a Truffaut, Godard e Varda, Maqueira elabora narrativamente.

Sobre o projeto gráfico
O projeto gráfico original da PONTOEDITA explora a fronteira entre realidade e ficção presente na narrativa e materializada na fotografia de Bernardo Cople na capa, impressa em papel texturizado feito com fibras de algodão. Como memória ancestral da paisagem narrativa (com a qual mantém uma relação anacrônica — a fotografia é de 2015 e o livro foi lançado na Argentina em 2018), a imagem é um convite a múltiplas interpretações.

O miolo, na medida em que apresenta em frames de um rolo de filme contínuo os rascunhos de roteiros que o personagem jamais executará, resgata graficamente a consciência cinematográfica que Maqueira imprime na narrativa.

O uso da imagem em preto em branco e do amarelo é uma homenagem às capas clássicas da revista francesa Cahiers du Cinéma e à Série Noire, famosa coleção de romances policiais da editora Gallimard criada por Marcel Duhamel em 1945 e da qual a edição da PONTOEDITA faz uma releitura, também, do formato.

“Faça-se você mesmo” é o livro no. 5 da PONTOEDITA.

Sobre o autor
Enzo Maqueira (Buenos Aires, 1977) é um escritor e jornalista argentino. Formou-se em Comunicação Social no Centro de Altos Estudios en Ciencias Exactas e é colaborador do Clarín e das revistas Anfibia, Vice e Viva, além de apresentador do programa Narraciones Extraordinarias na Radio Provincia de Buenos Aires. Considerado uma das vozes mais proeminentes da literatura contemporânea latino-americana, é autor dos livros “istorias de putas (2008), Ruda macho (2010), El impostor (2011), Electrónica (2014) e Rarities (2021). Publicado originalmente em 2018, Faça-se você mesmo foi finalista do Prêmio Silverio Cañada da Semana Negra de Gijón, na Espanha, e é a estreia do autor no Brasil.

Sobre a editora
A PONTOEDITA é uma editora independente e de nicho que publica literatura, artes visuais, música, poesia, performance e tradução sempre em edições únicas com tratamento editorial autoral e intervenções exclusivas de artistas dos mais variados campos.

Ficha técnica
Título: Faça-se você mesmo
Autor: Enzo Maqueira
Tradutor: Mauricio Tamboni
Apresentação: J. P. Cuenca
Imagem da capa: Bernardo Cople
Número de páginas: 144
Valor: R$99,90
À venda exclusivamente no site da editora, neste link: https://bit.ly/2XzfdQv

CHORAR PRA QUÊ?

O manual de sobrevivência de Bruno Sant’Anna.

Depois de andar por três dias seguidos através da linha do trem, dormindo no mato ou em casas abandonadas que encontrava pelo caminho, Bruno Sant’Anna, com seus cabelos longos – algo entre Descartes e Keanu Reeves – e o corpo magro e fino, se deu conta de que havia chegado a Paranaguá. O aviso de que estava na cidade portuária veio pelo ar: sentiu o cheiro úmido da soja que caíra dos caminhões e agora apodrecia nas ruas que levavam ao porto. Aos 21 anos, Sant’Anna percorrera 110 km em um estado de quase inconsciência. Os calçados estavam forrados por folhas e a mochila recheada com chocolate, ovos (que se quebrariam mais tarde e fariam uma grande bagunça), bolacha, latas de sardinha Pescador, duas velas, duas cervejas e um pão fatiado – que somavam R$15,98 e foram comprados em um mercadinho em Piraquara, nas primeiras horas de viagem – davam o tom do seu estado de espírito.

A fuga surgiu sem que o estudante de Filosofia soubesse que estava fugindo, escapando de uma realidade que dia após dia lhe escarrava no rosto. Bruno passara a noite com os colegas de faculdade no Academia do Lanche, um bar tradicional ao lado da Reitoria da UFPR, comumente chamando de Zarabata, e havia pouco que perdera o emprego como professor em um cursinho particular de Curitiba depois de retrucar um aluno – que o mandara para lugares de luminosidade irregular – em tentativas constantes de criar uma rebelião na sala.

Com o celular na mão, o lendário Nokia 3310, o professor calculou quanto o garoto valia no seu salário: pouco mais de seis centavos.

– Não precisa mais aparecer na minha aula –, disse em um tom entre a súplica e a camaradagem, como se fizesse um bem para o adolescente, e estendeu uma moeda de um real, mais que o suficiente para que desaparecesse durante todo o resto do ano.

Não demorou para que o pai do garoto soubesse da história e, advogando em favor do filho, fosse em busca de reparações. Estaria tudo bem se o professor, já despido do seu próprio arroubo rebelde, pedisse desculpas. “Eu me neguei e pedi demissão”, conta – passados já treze anos. “Eu devia ter esperado que me mandassem embora.” Tentando esquecer o aluguel, tomou algumas cervejas e fumou um baseado, o bastante para lhe tirar de órbita.

***

– Você é louco –. O homem, um negro que encontrara poucos minutos antes na estrada de ferro, tentava dissuadir o amigo desconhecido da ideia, genuinamente estranha, de andar pelos dormentes do trem.

Bruno não se recorda como chegou à casa daquele sujeito. A construção era simples, um bocado de madeira pregada que deixava passar o frio do inverno curitibano. Quando, finalmente, convenceu o anfitrião a levá-lo, em um carro velho e amassado, até certo ponto da ferrovia, pode voltar aos trilhos, onde – ao menos, era o que imaginava – seguiria sozinho.

Na verdade, encontrou outras pessoas pelo caminho, como os funcionários da estrada de ferro que tentaram embarcá-lo à força em um comboio e enviar o peregrino de volta à capital. Esse episódio é nebuloso – como é nebulosa a noite em que dormiu numa casa prestes a desmoronar e que já foi abrigo para o pintor Alfredo Andersen, quando retratava a Serra do Mar –, mas Bruno lembra que conseguiu se desvencilhar dos homens de alguma maneira. Quase no final da viagem, esbarraria com um vendedor de ovos que lhe deu carona em sua Belina e lhe adiantou uns passos até o destino misterioso.

De todas os flashes que aparecem na sua mente, como se fossem uma memória picotada, o mais forte e frequente é o dos pés adormecidos, anestesiados pela caminhada. Uma década mais tarde, Bruno experimentaria essa sensação novamente, desta vez sem se mexer, sem conseguir colocar o corpo para fora da cama. Essa espécie de petrificação jamais o abandonaria. Seria preciso aprender a conviver com ela.

Para ler o texto na íntegra, clique aqui.

Fonte: Texto de Jonatan Silva publicado dia 20 de setembro de 2021 no site Medium

RAÍZES DA POESIA PARANAENSE (RÉCITA/MOSTRA) – PARTE 1

Raízes da Poesia Paranaense é um projeto que reúne em vídeorécitas de poemas alguns dos grandes poetas e poetisas do Paraná interpretados por atores e atrizes também paranaenses. As récitas, organizadas em dois episódios, buscam aproximar o público da vida e obra de nomes que fazem parte da história da literatura no Estado do Paraná, mas que, nem sempre, são conhecidos.

O projeto, realizado com recursos do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura da Fundação Cultural de Curitiba, foi concebido por Ana Paula Taques, que acumula a direção artística com Claudecir de Oliveira Rocha, e por Ivan Justen Santana.

Junto a eles, atores e atrizes convidados como Geyisa Costa, Luíz Felipe Leprevost, Ricardo Pozzo e Thadeu Peronne, deram vida a doze poetas e poetisas.

Com fotos antigas e raras dos poetas e das cidades em que nasceram, cenário intimista, iluminação cuidadosa e dramática, à “La Caravaggio”, e a música incidental de José Itiberê de Lima, executada pela pianista Gisele Rizental, as récitas “transportam o espectador para meados do século XIX e mostram o trovador Bento Cego. Vão para o início do século XX, passando por Emiliano Perneta até chegar na poeta Laura Santos”, afirma o professor Doutor Claudecir Rocha.

RAÍZES DA POESIA PARANAENSE é uma boa oportunidade não só para professores ilustrarem suas aulas, mas também para todos conhecerem um pouco da literatura feita no Paraná. “Quantas vezes a gente passa pelas ruas Júlia da Costa, Silveira Neto, sem nem imaginar o que essas pessoas escreveram? As récitas dão um gostinho da nossa poesia. São uma forma de incentivar o público a pesquisar mais sobre os grandes nomes da nossa literatura!”, conclui a idealizadora do projeto, Ana Paula Taques.

Poetas paranaenses que fazem parte das Récitas por ordem cronológica:
Bento Cego, Júlia da Costa, Emílio de Menezes, Emiliano Perneta, Dario Velozo, Silveira Neto, Ricardo de Lemos, Leite Junior, Ismael Martins, Rodrigo Junior, Ada Macaggi e Laura Santos.

Parte 1:
Bento Cego: 00:35 – 05:18
Júlia da Costa: 05:19 – 08:38
Emílio de Menezes: 08:39 – 12:54
Emiliano Perneta: 12:55 – 16:26
Dario Velozo: 16:27 – 19:37
Silveira Neto: 19:38 – 21:59

FICHA TÉCNICA
Elenco:
Ana Paula Taques: Júlia da Costa e Ada Macaggi.
Claudecir de Oliveira Rocha: Emiliano Perneta e Rodrigo Júnior.
Geyisa Costa: Laura Santos
Luiz Felipe Leprevost: Emílio de Menezes e Ismael Martins.
Ricardo Pozzo: Dario Velozo e Leite Júnior.
Thadeu Perrone: Bento Cego, Silveira Neto e Ricardo de Lemos

Produção Executiva e Direção Artística: Ana Paula Taques
Produção Executiva e Coordenação: Lucas Marcelli
Pesquisa e Curadoria: Claudecir de Oliveira Rocha
Pesquisa e Curadoria: Ivan Justen Santana
Captação e Edição de Vídeo: Vitral Produções
Direção de corte: Ricardo Janotto
Operação de câmera: Diogo Luiz Schechtel
Designer de Luz: Erica Mityko
Fotógrafia: Eliete Silva
Cenografia: Adriana “Russa” de Lucca
Adereços e Maquiagem: Marcelino de Miranda
Figurinos: Trícia de Almeida
Assessoria de comunicação: Karen Monteiro
Designer Gráfico/ Digital e Ilustração: Pedro Henrique Spolador
Ilustração Digital: Andrew Adriano Kostiuk
Transporte: Abiderman Brito

Locação: Espaço Excêntrico

Trilha Sonora:
Composição Musical sobre trova de Bento Cego (00:35 – 03:40) Thadeu Peronne. Arranjo instrumental: Lucas Marcelli.
Música Incidental – José Itiberê de Lima. Intérprete: Gisele Rizental.

PROJETO REALIZADO COM RECURSOS DO PROGRAMA DE APOIO E INCENTIVO À CULTURA – FUNDAÇÃO CULTURAL DE CURITIBA E DA PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA.

FONTES DE PESQUISA PARA REALIZAÇÃO DO PROJETO
Acervo Instituto Moreira Salles
Acervo Museu Paranaense
Acervo: Júlia Wanderley IHGPR
Acervo Cid Destefani
Acervo Gazeta do Povo
Acervo Casa da Memória
Acervo INP
Acervo Paulo José da Costa.
CASTRO, Nestor de. Bento Cego. Curitiba: Impressora Paranaense / Correia & C., 1902
MURICY, J. C. de Andrade. Panorama do movimento simbolista brasileiro. [2 vols] 3ª. ed. São Paulo: Perspectiva, 1987.
MENEZES, Emílio. Obra reunida. [Org. Cassiana Lacerda Carollo] Rio de Janeiro: José Olympio; Curitiba: Sec. da Cultura e do Esporte do Est. do Paraná, 1980.
NETO, Silveira. Luar de Hinverno. Curitiba: Farol do Saber, 1996.
PERNETA, Emiliano. Ilusão e outros poemas. Curitiba: col. Farol do Saber, 1996.
ROCHA, C. O. Quadros Provincianos: A Obra de Rodrigo Júnior. Tese. Curitiba: UFPR, 2019.
RODRIGO JÚNIOR. Poesia Completa. Curitiba: Anticítera, 2015.
SABÓIA, A.; FERNANDES, H. V.(orgs.) Antologia didática de escritores paranaenses.. Curitiba: Imprensa Oficial.
SANTANA, Ivan Justen. Emiliano Perneta: vida e poesia de província? Tese. Curitiba: UFPR, 2015.
SANTOS, Laura. Poemas. Curitiba: SEEC, 1990.
SANTOS, Pompília. L. S. (org.) Sesquicentenário da Poesia Paranaense. (antologia). Curitiba: Secretária da Cultura e do Esporte do Paraná, 1985.
SOUSA, Colombo & RAITANI NETO, Felício.(orgs.) Letras Paranaenses. Curitiba: Ocyron Cunha, 1971.
VELOZO, Dario. Cinerário & outros poemas. Curitiba: Farol do Saber, 1996.

Fonte: Canal do Youtube Raízes da Poesia Paranaense

BOLSA QUALIFICAÇÃO 2021 ::: EDITAL RETIFICADO

A Secretaria da Comunicação Social e da Cultura (SECC) do Paraná, por meio da Superintendência-Geral da Cultura, informa que estão abertas as inscrições para as 12 mil vagas do Programa Bolsa Qualificação Cultural – Lei Aldir Blanc 2021. Para macrorregião de Curitiba serão 3.784 vagas.  As inscrições vão de 15 a 04 de outubro de 2021.

O objetivo geral do Programa Bolsa-Qualificação é a oferta de cursos de qualificação e concessão de bolsas para até 12.000 (doze mil) trabalhadores e trabalhadoras da Cultura, pessoas físicas, residentes no Estado do Paraná. 

Os objetivos específicos do Programa Bolsa-Qualificação são:
– Incentivar a participação destes trabalhadores no processo de formação;
– Garantir conhecimentos mínimos necessários para participação em editais e ações desenvolvidas pela Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura-SECC;
– Qualificar os trabalhadores e trabalhadoras no segmento cultural em que atuam, deixando assim um legado de aperfeiçoamento do fazer Cultural e a possibilidade de geração de trabalho, emprego e renda.

Os cursos do Programa Bolsa-Qualificação Cultural serão ofertados na modalidade de Educação a Distância. Os cursos terão duração total de 120 (cento e vinte) horas, divididos em 03 (três) Módulos de 40
(quarenta) horas cada, no período de no período de 19 de outubro a 08 de dezembro de 2021.

São 3 módulos de 40 horas cada, onde você vai estudar sobre cultura e no final de cada módulo ganha R$1.000,00. 

Os cursos do Programa Bolsa-Qualificação Cultural serão ofertados na modalidade de Educação a Distância.
Os cursos contém 03 Módulos:
MÓDULO 1 – comum a todos os Segmentos do Setor Cultural;
MÓDULO 2 e MÓDULO 3 – Qualificação específica para cada segmento do setor cultural: Artes Visuais / Audiovisual / Circo/ Dança / Literatura, Livro e Leitura / Música / Ópera / Povos, Comunidades Tradicionais e Culturas Populares / Teatro / Técnicos que atuam na cadeia produtiva da cultura.

O pagamento das bolsas será realizado ao fim de cada módulo, em três parcelas de R$ 1.000,00 (um mil reais), totalizando R$ 3.000,00 (três mil reais) por bolsista. O pagamento das bolsas está condicionado ao bom desempenho no curso, ou seja, para receber a bolsa referente ao módulo concluído é preciso que o participante seja aprovado e receba o seu certificado de conclusão do módulo.

As inscrições serão realizadas online exclusivamente no endereço eletrônico no período no período de 00h00min do dia 15 de setembro de 2021 até às 23h59min do dia 04 de outubro de 2021. Os interessados devem acessar o link: https://inscricoes.apps.uepg.br/ 

Entre no site da Lei Aldir Blanc para saber mais sobre o programa, neste link.

Bolsa
CONFIRA O EDITAL RETIFICADO,  Edital Bolsa Qualificação Cultural – Lei Aldir Blanc, neste link.

fonte: Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura

Confira a
REUNIÃO COM OS DIRIGENTES MUNICIPAIS DE CULTURA
14 DE SETEMBRO DE 2021 | 9h30 às 11h30min


fonte: Cultura Paraná