MOSTRA ESPETACULAR CELEBRA 10 ANOS E TRANSFORMA CURITIBA EM TERRITÓRIO DE IMAGINAÇÃO PARA AS INFÂNCIAS

Na foto de Gerson Rubim, o espetáculo Fiu Fiu.

De 25 de abril a 3 de maio, programação gratuita ocupa a capital do Paraná com atrações nacionais e internacionais

Há dez anos, um gesto insiste em acontecer: criar espaço para que crianças encontrem a arte e, nela, descubram novas formas de ver, sentir e existir no mundo. A Espetacular – Mostra Internacional de Artes para Crianças chega à sua 10ª edição com esse movimento, ocupando Curitiba com uma programação gratuita que atravessa linguagens, territórios e gerações. Teatro, dança, música, circo, artes visuais e experiências sensoriais se distribuem por diferentes espaços da cidade, convidando o público a participar ativamente das propostas.

Logo na abertura, a mostra já anuncia seu tom. No dia 25 de abril, às 16h, o Teatro Bom Jesus recebe Fiu Fiu – Um encontro entre pássaros, do Grupo Tibanaré, de Cuiabá (MT). Em cena, dois passarinhos descobrem o encontro como possibilidade, em uma delicada combinação de teatro, dança e palhaçaria que aborda afeto, descoberta e presença.

Uma década de encontros
Idealizada por Michele Menezes e produzida pela Pró Cult, a Mostra Espetacular chega ao décimo ano sem perder aquilo que a move desde o início: a infância como linguagem, presença e potência criativa. A curadoria é assinada por Michele em parceria com Bebê de Soares, em um processo contínuo de construção de uma programação diversa e sensível, voltada ao desenvolvimento integral das crianças por meio da arte.

Mais do que apresentar espetáculos, a mostra constrói um ambiente. Ao longo dos anos, ocupou teatros, escolas, ruas e espaços alternativos, aproximando artistas e crianças em experiências que ultrapassam o palco. Para Bebê de Soares, o contato com as artes na infância fortalece dimensões essenciais do desenvolvimento, como criatividade, comunicação, pensamento crítico, consciência cultural e vínculos com a comunidade. “Chegar à décima edição é perceber que o mais importante não é o que já fizemos, mas o que ainda pode acontecer a partir desses encontros”, afirma.

Arte que atravessa a cidade
Durante a programação, Curitiba se transforma em um território de experiências. Espetáculos, oficinas, intervenções urbanas e ações formativas convidam o público a se envolver não apenas como espectador, mas como parte ativa da cena.

Entre os destaques está a exposição Pinturas Imaginadas, de Cintia Alves (Barueri/SP), que realiza no dia 25 o bate-papo pré-exposição, às 12h, na Alfaiataria. A abertura acontece no dia 28 de abril, com visitação até 3 de maio, no Vão Livre do MON. No dia 26, a Alfaiataria recebe a performance sensorial Ceci e a Caixa de Aromas, de Lu Comin (Salvador/BA), das 10h às 13h, enquanto o Miniauditório do Teatro Guaíra apresenta Brio Breu, da Sol-te Companhia (Curitiba/PR), com sessões às 11h e 16h.

No dia 1º de maio, o Memorial de Curitiba recebe A Menina dos Olhos D’Água, do Coletivo Gompa (Porto Alegre/RS), às 16h. Já no dia 2, o Centro Histórico se torna espaço de criação com o Walking Tour do coletivo Nós em Traço, às 10h, e o público também pode assistir ao espetáculo internacional Con un kilo de harina, da companhia de Fernán Cardama (La Plata, Argentina), às 16h, no Ave Lola.

A programação inclui ainda experiências voltadas à primeira infância, como Baby Bouge!, com a artista DoraW, no Studio D1, às 10h, no dia 1º de maio. No dia 3 de maio, o Memorial de Curitiba recebe a intervenção-instalação Casa de Madeira, da Laço Arte e Acessibilidade (Jaraguá do Sul/SC), e o encerramento acontece às 16h, no Teatro Solos, com Baquetinhá, do Grupo Baquetá, reunindo música, brincadeira e ancestralidade.

Um festival que também é ponte
Além das apresentações, a Mostra realiza o 2º Encontro de Programadores de Festivais de Artes Cênicas para Crianças, entre os dias 25 e 27 de abril. A iniciativa reúne profissionais do Brasil e do exterior em uma programação de mesas e atividades formativas, fortalecendo redes, ampliando possibilidades de circulação e posicionando Curitiba como um importante ponto de articulação para as artes voltadas às infâncias.

Organizado em três eixos, curadoria e programação, difusão e internacionalização, e sustentabilidade e modos de produção, o encontro promove trocas entre artistas, produtores e programadores. As atividades são gratuitas, com ingressos disponíveis via Sympla.

A abertura acontece no dia 25, às 18h, na Agrupa Cultura, com a mesa Por dentro da curadoria, que propõe um compartilhamento sobre processos curatoriais, critérios de escolha de obras e modos de construção de programações para festivais.

No dia 26, a programação segue na Alfaiataria, com a mesa Dramaturgia para crianças: questões de hoje, às 10h30, reunindo artistas para discutir caminhos contemporâneos da escrita cênica para as infâncias, e, às 18h, com Circuitos internacionais: estratégias de circulação e parceria, voltada à troca de experiências sobre mobilidade, redes de cooperação e intercâmbios.

O encontro se encerra no dia 27, às 10h, no Centro Cultural Sistema Fiep, com a mesa Construindo pontes, dedicada à sustentabilidade, modos de produção e continuidade de festivais voltados às infâncias.

Para Michele Menezes, celebrar é seguir em movimento. A 10ª edição não se coloca como ponto de chegada, mas como continuidade. “Temos hoje um festival que cresce junto com seu público e que, a cada ano, reafirma algo simples e essencial: o direito de toda criança à arte”, diz.

SERVIÇO:
10ª Espetacular – Mostra Internacional de Artes para Crianças
Dias: 25 de abril a 3 de maio de 2026
Ingressos espetáculos e encontro com programadores: todas as atrações são gratuitas (retirada via Sympla ou diretamente nos locais, conforme programação)
Inscrições oficinas: via formulário no link da bio @mostraespetacular
Informações sobre locais e programação completa: @mostraespetacular e www.mostraespetacular.com.br

PROGRAMAÇÃO:
Uma semana de encontros, encantamento e arte em movimento. A programação começa na sexta-feira (25/4) e segue até 3 de maio, ocupando diversos espaços da cidade. Entre os dias 25 e 27 de abril, acontece também o 2º Encontro de Programadores de Festivais de Artes Cênicas para Crianças, com atividades gratuitas e ingressos disponíveis via Sympla.

Sexta (25/4): Pinturas Imaginadas: Bate-papo pré-exposição (12h Alfaiataria), Fiu Fiu – Um encontro entre pássaros (16h, Teatro Bom Jesus); encontro com Cintia Alves (atividade em definição), às 12h, na Alfaiataria; mesa Por dentro da curadoria (18h, Agrupa Cultura).

Sábado (26/4):
Ceci e a Caixa de Aromas (10h, Alfaiataria); Brio Breu (11h e 16h, Teatro Mini Guaíra); mesa Dramaturgia para crianças: questões de hoje (10h30, Alfaiataria); mesa Circuitos internacionais: estratégias de circulação e parceria (18h, Alfaiataria).

Segunda (27/4): Mesa Construindo pontes (10h, Centro Cultural Sistema Fiep).

Terça (28/4): Exposição Pinturas Imaginadas, de Cintia Alves, no Vão Livre do MON (em cartaz até 3 de maio).

Quinta (1/5): Baby Bouge! (10h, Studio D1); A Menina dos Olhos D’Água (16h, Teatro Londrina no Memorial de Curitiba).

Sexta (2/5): Walking Tour pelo Centro Histórico com o coletivo Nós em Traço (10h); Con un kilo de harina (16h, Ave Lola).

Sábado (3/5): Casa de Madeira (10h, Memorial de Curitiba); encerramento com Baquetinhá (16h, Teatro Solos).

FICHA TÉCNICA:
Direção artística e curadoria: Michele Menezes | Curadoria: Bebê de Soares | Direção de produção: Iara Elliz | Produção executiva: Ana Costa | Produção técnica: Carol Vaccari | Financeiro: Nelcy Mendonça | Assistente de produção: Katarina Duarte | Design gráfico: Jeff Celophane | Estrategista digital e video creator: Gabriela Berbert | Registro fotográfico: Vitor Dias | Assessoria de imprensa: Bruna Bazzo

Assessoria de Imprensa:
BB Comunica – @bb_comunicabb

ENTRE PÁGINAS E CAMINHOS: PROJETOS UNEM LITERATURA, TEATRO E AGROECOLOGIA EM AÇÕES PARA AS INFÂNCIAS

A Terra do Povo da Graça, circulação de 2017. Na foto de Robson de Paula, da esquerda para a direita: Laís Rossatto (Palhaça Catarina), Yara Rossatto (Palhaça Solara) e Gabriel Teixeira Oliveira (Palhaço 100noção).

Lançamento do livro digital Mãe Terra acontece em Curitiba no dia 26 de abril, enquanto circulação teatral Tripé Mar Adentro percorre o litoral paranaense entre 27 de abril e 8 de maio.

Um livro que nasce em família e uma estrada que se abre para o encontro com crianças do litoral paranaense. Dois gestos que se conectam pelo mesmo fio: o cuidado com a terra, com a imaginação e com os modos de viver juntos.

No dia 26 de abril, a Semente Produções Culturais realiza, em Curitiba, o lançamento presencial do livro digital “Mãe Terra – Fábula, Canções e Cartilha Agroecológica para Infâncias”, em um encontro aberto ao público no espaço Doce de Cidra, no bairro Água Verde. A proposta é simples e afetiva: um café de domingo à tarde, com a exibição do audiolivro, reunindo narrativa, canções e imagens, seguida de um bate-papo com os autores. Durante o encontro, o público será convidado a assistir coletivamente à obra, em uma experiência sensível que integra escuta, leitura e visualidade. Após o lançamento, o livro será disponibilizado gratuitamente, com acesso via QR Code e link na bio do Instagram @semente.cultura, ampliando o alcance ao público interessado.

Voltado às infâncias, Mãe Terra é mais que uma fábula. A obra reúne narrativa, canções originais que foram compostas por Gabriel Teixeira Oliveira antes mesmo da história ser escrita, tornando-se seu fio condutor, e uma pequena cartilha elaborada pela mestra em educação no campo Laís Rossatto, abordando a agroecologia de forma sensível e acessível. Criado em um processo profundamente familiar, com ilustrações, músicas e concepção assinadas por diferentes integrantes da mesma família, o livro nasce do desejo de cultivar, desde cedo, outras formas de relação com o planeta. “É um trabalho feito com muito carinho, que reúne arte, afeto e reflexão. A gente acredita que essas sementes, quando plantadas na infância, podem florescer de muitas formas ao longo da vida”, comenta a idealizadora e uma das autoras, Yara Rossatto.

Arte que percorre territórios
Enquanto o livro encontra seu primeiro público em um encontro íntimo e presencial, outro projeto da produtora percorre caminhos mais amplos: o litoral do Paraná.

Entre os dias 27 de abril e 8 de maio, a circulação “Tripé Mar Adentro – A aventura continua” leva o espetáculo A Terra do Povo da Graça a 15 escolas públicas de comunidades rurais e do campo, nos municípios de Guaraqueçaba, Antonina, Morretes e Paranaguá. Viabilizado pelo edital Viva Cultura, da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná (SEEC-PR), por meio da Política Nacional Aldir Blanc, o projeto promove o acesso à arte para crianças da rede pública. A peça, conduzida por três palhaços, convida o público infantil a refletir sobre o mundo em transformação, abordando temas como sustentabilidade, consumo e relações humanas por meio do teatro e da ludicidade.

Além das apresentações, o projeto inclui oficinas de jogos teatrais e criação artística com materiais naturais, propondo uma experiência imersiva que conecta arte, território e vivência.

Uma trajetória em continuidade
Com trajetória marcada por andanças, a companhia soma 12 anos de percurso entrecortado. A circulação retoma um projeto apresentado pela última vez em 2017. Hoje, os artistas vivem em diferentes territórios, Laís, radicada na Bahia, e o casal Yara e Gabriel, em Curitiba, o que torna o reencontro ainda mais significativo.

Se no litoral a proposta é chegar até as crianças, nas escolas e comunidades, em Curitiba o convite se abre para famílias, educadores e interessados: um momento de pausa, escuta e partilha.

Entre páginas digitais e estradas de terra, os dois projetos revelam diferentes formas de presença, ambas guiadas pela mesma pergunta: que mundo estamos cultivando, e com quais histórias queremos crescer?

SERVIÇO:
Lançamento do livro Mãe Terra – Fábula, Canções e Cartilha Agroecológica para Infâncias
Data: 26 de abril (domingo)
Horário: 15h às 18h
Local: Doce de Cidra (Rua Cândido Xavier, 521 – Água Verde, Curitiba)
Entrada: gratuita e aberta ao público

Ficha técnica:
Criação: Yara Rossatto, Gabriel Teixeira Oliveira e  Laís Rossatto | Texto (fábula): Yara Rossatto | Cartilha e concepção pedagógica em agroecologia: Laís Rossatto | Ilustrações: Sol Rossato Oliveira | Projeto gráfico: Yara Rossatto | Revisão: Brisa Teixeira | Audiolivro – voz: Yara Rossatto | Produção musical, gravação e edição: Gabriel Teixeira Oliveira | Canções – composições e arranjos: Gabriel Teixeira Oliveira, Alexandre Rodrigues e Paulo Teixeira | Vozes: Gabriel Teixeira Oliveira, Sol Rossato Oliveira, Laís Rossatto, Yara Rossatto | Participações: Alexandre Rodrigues (voz e pífano), Paulo Teixeira (voz e piano) e Felipe Sartori “Boquinha” (bateria) | Produção: Semente Produções Culturais | Incentivo: Lei de Incentivo à Cultura – Fundação Cultural de Curitiba / Prefeitura de Curitiba | Realização: Lei Paulo Gustavo – Ministério da Cultura / Governo Federal

Assessoria de Imprensa:
BB Comunica – @bb_comunica

 

“AOS COMPANHEIROS DE ESTRADA” RETORNA A CURITIBA E TRANSFORMA O SERTÃO EM TRAVESSIA VIVA NO PALCO DO MINIAUDITÓRIO DO GUAÍRA

Na foto de Felipe Moura, cena do espetáculo “Aos Companheiros de Estrada”, que retorna ao miniauditório do Guaíra, convidando o público a uma travessia poética pelo sertão brasileiro, entre memória, corpo e paisagem.

Espetáculo inspirado no universo de João Guimarães Rosa realiza temporada gratuita, de 29 de abril a 10 de maio, no auditório Glauco de Flores de Sá Brito, em Curitiba, com teatro físico, música ao vivo e ações formativas gratuitas

“O sertão não começa no mapa. Começa no encontro”. É desse lugar, íntimo e coletivo, que brota “Aos Companheiros de Estrada”, que retorna a Curitiba para nova temporada de 29 de abril a 10 de maio, no Miniauditório do Guaíra, com apresentações gratuitas de quarta a domingo. Em cena, o público é convidado não apenas a assistir, mas a caminhar.

Inspirada no universo de João Guimarães Rosa e nas travessias reais da atriz Camila Ferrão pelo sertão mineiro, a obra costura teatro físico, música ao vivo e poesia brasileira em uma experiência sensorial que pulsa entre memória, território e identidade. “Mais do que um espetáculo, a ideia é a prática de encontro: um convite a atravessar o país que nos habita e reconhecer nele fragmentos de quem somos”, explica Camila.

A dramaturgia nasce da vivência no chamado Caminho do Sertão, atravessando comunidades quilombolas e paisagens do Cerrado, berço das águas do Brasil. O resultado é um teatro que oscila entre o depoimento e a fabulação, entre o corpo e a palavra, entre o íntimo e o país. No palco, a travessia ganha forma: o sertão surge como geografia e estado de espírito, revelando um Brasil profundo, de rios ameaçados, culturas resistentes e histórias que insistem em existir.

Após sessões de estreia com forte recepção de público, a montagem retorna ao Mini Guaíra com 12 apresentações confirmadas e a perspectiva de circulação por outros espaços da cidade.

A temporada amplia suas portas e escutas: haverá sessões com intérprete de Libras nos dias 8 e 9 de maio, às 20h, e 10 de maio, às 16h e 19h, além de conversas com o público após apresentações específicas, criando espaços de troca direta entre artistas e espectadores.

Como extensão da cena, o projeto realiza duas oficinas formativas gratuitas, desdobramentos do próprio processo criativo. Em “Corpo-Escrita: Criação de Dramaturgia”, Camila Ferrão e Victor Lucas Oliver conduzem um mergulho nas relações entre palavra, imagem e presença. Já em “Criação de Solos a partir do Teatro Gestual”, Victor investiga o corpo como dramaturgia viva, onde gesto, silêncio e movimento se tornam linguagem.

Sinopse: Fruto de uma imersão sócio-eco-literária no sertão mineiro, o espetáculo nasce do encontro entre artistas e território, inspirando-se na obra de Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, e nas travessias reais vividas nesse espaço onde brotam algumas das principais águas do país.

Em cena, teatro, música, dança e artes visuais se entrelaçam para construir uma narrativa que atravessa memória, território e urgência ambiental, refletindo sobre o presente e os caminhos que estamos escolhendo seguir.

Serviço:
Espetáculo: Aos Companheiros de Estrada
Local: Miniauditório – Auditório Glauco Flores de Sá Brito (Rua Amintas de Barros, s/n)
Temporada: 29 de abril a 10 de maio de 2026 (quarta a sábado às 20h e domingo às 16h e 19h)
Sessões com Libras: 08 e 09/05 (20h) | 10/05 (16h e 19h)
Bate-papo após sessão: 29/04 e 07/05

Ações  formativas
Oficina Corpo-Escrita: Criação de Dramaturgia, com Camila Ferrão e Victor Lucas Oliver
Dia: 14/05 às 19h

Oficina Criação de Solos a partir do Teatro Gestual
com Victor Lucas Oliver
Dia: 15/05 às 19h
Local: Toca Atelier (Av. Vicente Machado, 198, Curitiba)

Inscrições: gratuitas neste link
Vagas: 12 por oficina

Classificação: 18 anos

Assessoria de Imprensa
BB Comunica: @bb_comunica

 

“REVISITANDO A GRANDEZA QUE SOMOS – CARTAS PARA TEREZA DE BENGUELA” ESTREIA EM CURITIBA COM APRESENTAÇÕES GRATUITAS E PROGRAMAÇÃO FORMATIVA

Na foto de Lelo Sasso, as atrizes Flávia Imirene e Sol do Rosário em “Revisitando a Grandeza que Somos – Cartas para Tereza de Benguela”. Temporada gratuita de 16 a 19 e 22 a 26 de abril, no Teatro José Maria Santos, em Curitiba.

Espetáculo inspirado na trajetória de Tereza de Benguela ocupa o Teatro José Maria Santos, em temporada gratuita de 16 a 19 e 22 a 26 de abril, articulando memória, ancestralidade e criação contemporânea, e integra projeto com ações acessíveis e oficina formativa gratuita com o artista Nando Zâmbia, com vagas limitadas.

Curitiba recebe, em abril, a estreia do espetáculo “Revisitando a Grandeza que Somos – Cartas para Tereza de Benguela”, uma criação que entrelaça memória, ancestralidade e cena contemporânea para reverberar a força e a continuidade das histórias de mulheres negras no Brasil. Com apresentações gratuitas no Teatro José Maria Santos, o projeto propõe uma experiência que vai além da cena, articulando também ações formativas e de acessibilidade.

Uma estreia que convoca memória e presença
Inspirado na trajetória de Tereza de Benguela, liderança quilombola do século XVIII, o espetáculo acompanha o encontro entre duas mulheres negras e suas histórias atravessadas pelo tempo. Em cena, realidade e ficção se misturam como possibilidade de revisitar memórias, refletir sobre o presente e projetar futuros. “Essa criação é também um gesto de escuta e de reconexão com aquilo que nos atravessa como memória e como possibilidade de futuro”, afirma Flávia Imirene.

Interpretado por Flávia Imirene e Sol do Rosário, com direção de Sabrina Marques, o trabalho nasce de um processo criativo que inclui vivências no Quilombo Paiol de Telha (Guarapuava – PR), fortalecendo o diálogo com saberes ancestrais e práticas coletivas. A criação se insere na trajetória do OMI Núcleo Artístico e Cavala Produções ao propor narrativas que expandem o imaginário cultural a partir de perspectivas negras e afro-brasileiras. “Quando a gente sobe em cena, não estamos sozinhas, estamos em continuidade com muitas outras histórias que vieram antes e seguem pulsando através de nós”, completa Sol do Rosário.

Acessibilidade como parte da obra
Como desdobramento do espetáculo, o projeto investe na formação e no acesso, com sessões que contam com intérprete de Libras, audiodescrição e visitas guiadas para pessoas cegas ou com baixa visão. As apresentações com audiodescrição acontecem nos dias 25 e 26 de abril (sábado e domingo), e no sábado, dia 25, haverá ainda uma visita guiada ao espaço cênico, realizada uma hora antes da apresentação. Todas as sessões contam com intérprete de Libras.

Formação em movimento: oficina com Nando Zâmbia
A proposta se amplia ainda com a realização da oficina gratuita “Ará Izô – Corpo que Queima”, ministrada por Nando Zâmbia. Com trajetória consolidada no Brasil e no exterior, o artista conduz uma imersão intensiva voltada à investigação do corpo como campo de criação, energia e memória. A oficina articula elementos da dança, teatro e musicalidade afro-brasileira, propondo aos participantes uma experiência que conecta técnica e vivência sensível na construção de uma dramaturgia corporal.

Voltada a artistas, estudantes e interessados em geral, a atividade oferece 20 vagas gratuitas e acontece em período integral nos dias 17, 18 e 19. As inscrições estão abertas e fazem parte do conjunto de ações do projeto, que entende a formação como extensão do próprio gesto artístico. É possível participar de apenas um dos dias ou acompanhar toda a programação.

Com forte dimensão estética, política e formativa, “Revisitando a Grandeza que Somos” se apresenta como um convite à experiência, tanto para quem assiste quanto para quem deseja atravessar o processo criativo.

SERVIÇO:
Espetáculo “Revisitando a Grandeza que Somos – Cartas para Tereza de Benguela”
Datas: 16 a 18 de abril – 20h | 19 de abril – 19h | 22 a 24 de abril – 14h30 | 22 a 25 de abril – 20h | 26 de abril – 19h
Sessão com audiodescrição: 25 de abril com visita guiada 1 hora antes da apresentação – 19h | 26 de abril – 19h
Local: Teatro José Maria Santos (Rua Treze de Maio, 655 – São Francisco, Curitiba)
Ingressos: Gratuitos com distribuição 1 hora antes na bilheteria
Classificação: Livre

“Oficina: Ará Izô –  Corpo que Queima”
Ministrante: Nando Zâmbia
Datas: 17, 18 e 19 de abril
Horários: 9h às 12h e das 14h às 17h
Local: Grupo Capoeira Angola Zimba
Vagas: 20 (gratuitas)
Inscrições: aqui

FICHA TÉCNICA:
Elenco: Flávia Imirene e Sol do Rosário | EQUIPE CRIATIVA – Direção: Sabrina Marques | Dramaturgia: Flávia Imirene | Textos: Sol do Rosário, Sabrina Marques, Flávia Imirene | Direção de Movimento: Priscila Pontes | Direção Musical: Matheus Santos | Assistente de Direção Musical: Evangivaldo Santos | Música Original: Sol do Rosário, Sabrina Marques, Flávia Imirene | Operador de Som: Carlos Alberto Cortes Espejo | Iluminação: Nando Zâmbia | Figurino: Carla Torres | Caracterização e Maquiagem: Kênia Coqueiro | Social Media: Maria Carolina Felício | Foto de Divulgação: Lelo Sasso Fotografia | Identidade Visual: Keyla Queiroz | Direção de Produção: Vida Santos | Produção Executiva: Dan Ramos | Coordenação de Projeto: Sabrina Marques | Produção: Omi Núcleo Artístico e Cavala Produções

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DOS BASTIDORES AO PALCO: EXPOSIÇÃO REVISITA A HISTÓRIA DA MAQUIAGEM TEATRAL NO BRASIL

Projeto idealizado por Livien Ullmann destaca a trajetória da maquiagem cênica no Brasil, desde o século XVI até os dias atuais, dentro da programação do Festival de Teatro de Curitiba 2026

A exposição “Maquiagem Teatral: Uma História Nacional” integra a programação da 34ª edição do Festival de Teatro de Curitiba, em 2026, e abre ao público no dia 3 de abril, propondo um mergulho na trajetória da maquiagem cênica no Brasil, desde o primeiro espetáculo registrado no país, em 1564, até os dias atuais. Idealizado pela artista Livien Ullmann, o projeto lança luz sobre uma prática fundamental para as artes cênicas, cuja presença nem sempre esteve em evidência ao longo do tempo.

A mostra se organiza como um percurso que atravessa diferentes tempos, reunindo imagens, narrativas e vestígios em uma experiência acessível e dinâmica. Ao longo do trajeto, registros históricos, objetos e espaços de interação constroem um diálogo entre passado e presente, ao mesmo tempo em que recuperam a memória de uma profissão que por muito tempo permaneceu invisível. “Durante décadas, a maquiagem no teatro foi feita pelos próprios artistas, sem reconhecimento e sem registro. Essa exposição busca preservar essa história e valorizar esses profissionais na construção da cena brasileira”, afirma Livien.

À frente da coordenação geral e direção de produção Michele Menezes destaca o desafio de transformar a pesquisa em experiência: “Dar forma a essa história foi um exercício de escuta e composição. A gente organiza vestígios, cruza tempos e constrói um percurso, que só existe porque é coletivo”.

Além da exposição, o projeto promove quatro ações formativas ao longo do período expositivo. A programação inclui duas conversas abertas ao público e duas masterclasses de maquiagem e caracterização teatral, reunindo artistas convidados e maquiadores reconhecidos nacionalmente. As atividades têm como foco a formação de maquiadores cênicos profissionais e amadores, além de aproximar o público dos processos criativos do teatro.

A exposição foi pensada para ser acessível em todo o percurso. O espaço tem circulação adaptada, audiodescrição nas obras por QR Code e audioguia. Os vídeos contam com tradução em Libras e, ao longo da temporada, acontecem visitas guiadas em Libras nos dias 05 e 12 de abril, às 17h. A mostra também considera diferentes formas de percepção, com recursos voltados a pessoas neurodivergentes e uma equipe preparada para acolher o público.

Diálogos, práticas e memórias da maquiagem na cena brasileira

O projeto conta também com uma programação formativa gratuita, com encontros e masterclasses realizados sempre na Alfaitaria – Espaço das Artes. No dia 3 de abril (sexta-feira), das 17h às 19h, acontece o primeiro encontro: A Importância da Maquiagem e do Maquiador, mediado por Livien Ullmann, com participação do diretor George Sada e da maquiadora Mona Magalhães.

No dia 4 de abril (sábado), das 17h às 19h, a programação segue com a primeira masterclass, ministrada por Livien Ullmann, que apresenta ao vivo o processo completo de criação de uma maquiagem teatral. Já no dia 11 de abril (sábado), no mesmo horário, acontece a segunda masterclass, com o maquiador Marcelino de Miranda.

Encerrando a programação formativa, o acontece o segundo encontro: A História da Maquiagem e do Maquiador, será realizado no dia 18 de abril (sábado), das 17h às 19h, com mediação de Valesca Xavier Moura Jorge e participação do maquiador Anderson Bueno e da atriz Léa Albuquerque.

O projeto é realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), realização da Lillart, produção da Pró Cult, incentivo da Buffalo Motores e Cia Beal Alimentos.

Sobre Livien Ullman
Livien Ullmann é empresária, maquiadora e produtora cultural, formada em Design e Teatro, com uma trajetória sólida e reconhecida nas artes cênicas. À frente da Lillart Maquiagem há mais de 10 anos, desenvolve projetos que atravessam teatro, circo, dança e eventos corporativos, unindo criação artística, pesquisa e produção. É idealizadora da Convenção Lillart, a principal convenção de maquiagem artística do Brasil, e da exposição “Maquiagem Teatral: Uma História Nacional”, que evidencia e valoriza o papel do maquiador na cena cultural brasileira. Sua carreira é marcada por premiações, participações em televisão e atuação como jurada em competições da área. Também forma novos profissionais por meio de cursos presenciais e online em todo o país. Seu trabalho se destaca pela consistência, inovação e pela forma como posiciona a maquiagem como linguagem artística de relevância.

SERVIÇO:
Exposição: Maquiagem Teatral: Uma História Nacional
Abertura: 02 de abril, às 18 horas.
Datas e horários: de 03 a 18 de abril, das 10h às 19h.
Local: Alfaiataria – Espaço das Artes (Rua Riachuelo, 274)
Entrada: gratuita
Inscrições: Encontros e Masterclas em www.lillart.com.br

Ficha Técnica:
Idealização, Direção Artística, Pesquisa e Curadoria: Livien Ullmann | Concepção, Coordenação Geral e Direção de Produção: Michele Menezes | Curadoria e Artista Convidado: Anderson Bueno | Projeto Expográfico: Denise Bramatti | Identidade Visual e Design Gráfico: Luciano Maccio e Myrella Araújo | Artistas Convidados: Áldice Lopes, Alisson Rodrigues, Ana Maclaren, Anderson Bueno, Cacá Zech, Clarisse Abujamra, Claudinei Hidalgo, Cleber de Oliveira, Cristóvão de Oliveira, Fernando Ocazione, George Sada, Henrique Mello, João Marcos, Jorge Abreu, Julio Cesar Silveira, Léa Albuquerque, Lilian Blanc, Livien Ullmann, Louise Helène, Marcelino de Miranda, Marcio Desideri, Mona Magalhães, Mozart Machado, Regina Vogue, Rosamaria Murtinho, Tiça Camargo, Valesca Moura Jorge, Vitor Martinez, Westerley Dornellas | Produção e Assistência de Pesquisa: Valesca Xavier Moura Jorge | Produção Executiva: Iara Elliz | Administração Financeira: Nelcy Mendonça | Assessoria Jurídica: Thiago Portugal | Captação de Recursos: Manassés Sato | Produção Técnica e Montagem: Fabiano Hoffmann, Faho Produções Cenográficas | Iluminação e Impressão: Nicolas Caus, João Elias | Monitoria: Ales de Lara, Naiara Oliveira | Assistência de Produção: Ana Costa, Katarina Duarte, Naiara Oliveira | Produção Local (SP): Bruno Sena | Modelo Masterclass: Milena Xavier | Acessibilidade: Vozes Diversas | Audiodescrição: Cintia Alves, Ana Claudia Domingues | Tradução em Libras: Janaina Silveira | Edição de Som: Bianca Milanda | Registros em Foto e Vídeo: TB Filmes, Vitor Dias | Redes sociais: Ana Glória Braga |

Assessoria de Imprensa: Bruna Bazzo BB Comunica – @bb_comunica

RODA DE FOGO ACENDE CONVERSAS SOBRE MEMÓRIA NA ALFAIATARIA

A primeira Roda de Fogo, ciclo de conversas da Alfaiataria – Espaço de Artes sobre memória e criação, acontece em 25 de março, em Curitiba.

Ciclo criado pelo Programa Contínuo Alfaiataria reúne diferentes públicos ao redor de uma pergunta antiga: como lembramos, esquecemos e transmitimos histórias? O primeiro encontro acontece em 25 de março, às 19h, em Curitiba.

Desde muito antes da escrita, histórias são contadas ao redor do fogo. É nesse gesto ancestral de reunir pessoas para narrar, escutar e compartilhar experiências que se inspira Roda de fogo: práticas da memória – entre lembrar e esquecer, ciclo de encontros que acontece ao longo de 2026 na Alfaiataria – Espaço de Artes, em Curitiba. As conversas acontecem no quintal da Alfaiataria, espaço aberto da casa que convida o público a se reunir ao redor da palavra e da escuta.

Com curadoria do artista e pesquisador Francisco Mallmann, o projeto propõe quatro conversas ao longo do ano (março, maio, julho e setembro) reunindo artistas e profissionais de diferentes áreas do conhecimento para pensar a memória como prática viva: algo que atravessa o corpo, o tempo e a criação. A participação é livre e gratuita.

O primeiro encontro acontece no dia 25 de março, às 19h, com a participação da escritora e artista visual Julie Fank. Em sua trajetória, a autora investiga as relações entre memória, narrativa e criação, aproximando literatura, processo criativo e experimentação artística. Diretora da Esc. Escola de Escrita, em Curitiba, Julie parte de sua própria prática para compartilhar reflexões sobre como lembranças se transformam em histórias.

Nas artes da cena, essa relação entre lembrar e esquecer faz parte do próprio trabalho. Memorizar um texto, repetir uma ação, sustentar uma presença diante do público: cada gesto mobiliza memórias e, ao mesmo tempo, as transforma. As artes da cena existem nessa tensão entre repetição e mudança, entre aquilo que permanece e aquilo que inevitavelmente se perde. “A memória nunca é algo fixo. Cada vez que lembramos, reorganizamos a experiência. No teatro isso aparece de forma muito concreta: repetir uma ação não significa reproduzi-la, mas recriá-la a cada vez”, afirma o curador Francisco Mallmann.

“Inspirado na imagem ancestral do fogo como lugar de encontro e transmissão de histórias, o ciclo cria um espaço de escuta em que a memória deixa de ser apenas tema e se torna experiência compartilhada”, explica Janaina Matter, diretora artística da Alfaiataria. A ação integra o Programa Contínuo Alfaiataria – Teatro: Ações para Mundos Poéticos (AMP), contemplado pelo edital de Ações Continuadas da Funarte. Realizado em parceria com a produtora cultural Michele Menezes, da Pró Cult, o projeto articula ao longo de 2026 uma programação voltada à formação, criação e intercâmbio nas artes cênicas.

Além da Roda de Fogo, o AMP reúne outras iniciativas voltadas à formação e à experimentação artística, como a Oficina de Iluminação Cênica para Mulheres, ministrada por Lucri Reggiani; o Laboratório de Produção Cultural para Pessoas Trans e Travestis, conduzido por Guilherme Jaccon; a 2ª Edição do Programa de Formação Cênica Alfaiataria, residência destinada a artistas em início de trajetória; e a Mostra Les Latinas, dedicada a solos teatrais de artistas lésbicas da América Latina.

Ao articular formação, pesquisa e intercâmbio artístico, o programa reafirma a Alfaiataria como um espaço de encontro entre criação, pensamento e experimentação cênica.

SERVIÇO:
Roda de fogo: práticas da memória – entre lembrar e esquecer
Dia: 25 de março, às 19h
Duração: 1h a 1h30
Local: Quintal da Alfaiataria – Espaço de Artes
Endereço: Rua Riachuelo, 247 – Centro
Entrada: Livre e gratuita, com acesso sujeito à capacidade do espaço
Informações: @alfaiataria_

Sobre Julie Fank:
artista visual, escritora e professora, diretora e criadora da Esc. Escola de Escrita, em Curitiba (PR), espaço de formação de escritores fundado em 2014. Doutora em Escrita Criativa pela PUCRS, é graduada em Letras e mestre em Literatura Comparada. Sua produção investiga as intersecções entre memória, narrativa e performance, tratando a página como espaço de intervenção coletiva e o espaço expositivo como território de construção ficcional. Trabalhos recentes foram apresentados na The Wrong Biennale (2020), na Torre Panorâmica de Curitiba e na exposição Corpos Utópicos (2026), no Museu da Fotografia. É autora de Embaraço (Contravento Editorial, 2017), O grande livro de criatividade (Imagine, 2019) e Dobradiça (Telaranha, 2023), além de coordenar o selo Esc. em parceria com a editora Arte & Letra.

Sobre Francisco Mallmann:
Francisco Mallmann é artista, professor e pesquisador interdisciplinar. Atua na intersecção entre escrita, performance, artes visuais e teoria. Atualmente, é docente do Curso de Artes Visuais da PUCP-PR e participa de projetos artísticos e editoriais no campo das artes contemporâneas. É graduado em Jornalismo (PUC-PR) e Artes Cênicas (FAP), mestre em Filosofia (PUC-PR) e doutor em Artes da Cena (UFRJ), com orientação de Eleonora Fabião, tendo realizado estágio de pesquisa no México (UAM), orientado por Ileana Diéguez Caballero. Com publicações regulares no Brasil e no exterior, integra diversas antologias e é autor, entre outros títulos, de “haverá festa com o que restar” (2018), “língua pele áspera” (2019), “AMÉRICA” (2020), “tudo o que leva consigo um nome” (2021) e “outra vez de novo” (2025). Em 2019, venceu o Prêmio da Biblioteca Nacional na categoria Poesia e foi finalista dos prêmios Rio de Literatura e Mix Literário. Desenvolve práticas coletivas de experimentação e colabora, em diferentes contextos, com distintas artistas, grupos, coletivos e redes – entre elas, a Selvática Ações Artísticas. Em sua trajetória, desenvolveu pesquisas interdisciplinares que articulam estética, performance, escrita e arte contemporânea, com ênfase em reflexões sobre gênero e raça. Algumas de suas obras integram o acervo do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR).

Assessoria de Imprensa:
BB Comunica – @bb_comunica

DRAMATURGIA DE RESISTÊNCIA: ARTISTAS DE MINAS GERAIS LEVAM QUATRO ESPETÁCULOS AUTORAIS AO CORAÇÃO DO FRINGE 2026

Doce Árido. Crédito Foto: Marcella Calixto.

Mostra Insubmissa ocupa o Memorial de Curitiba com disruptura narrativa, lançamento literário e formato “Pague Quanto Vale” como manifesto político.

O que é preciso desobedecer para transformar estruturas opressoras e obsoletas? É a partir dessa provocação que se organiza a Mostra Insubmissa, que reúne no Fringe da 34ª edição do Festival de Curitiba um conjunto de obras criadas por artistas de Juiz de Fora (MG), marcadas pela força da dramaturgia autoral. Entre cozinhas que guardam segredos de família, personagens que escapam das páginas de Machado de Assis, mitos religiosos revisitados com ironia e jogos imaginativos da infância, os trabalhos transitam por universos muito distintos, mas compartilham uma mesma pulsão: questionar o que parece estabelecido e reinventar narrativas.

A Mostra Insubmissa acontece entre 1º e 6 de abril de 2026, no Memorial de Curitiba, reunindo quatro espetáculos, cenas curtas, leitura dramatizada e música ao vivo. “O projeto nasce de duas necessidades complementares. A primeira, reunir histórias ligadas pela insubordinação, pela reflexão crítica, pela recusa em baixar a cabeça. A segunda, mostrar que essa resistência à opressão vem do interior, chega com o pé na porta e sotaque mineiro, vindo de longe do eixo dos grandes centros e celebrando o impulso criativo artesanal de Minas”, afirma Tairone Vale, um dos idealizadores.

A ocupação também promove o trânsito entre linguagens. O espetáculo Doce Árido, que encerra a mostra, marca o retorno aos palcos de atriz Pri Helena com trabalhos recentes de destaque no audiovisual nacional, como o premiado longa Ainda Estou Aqui e a novela Volta por Cima.
Narrativas da insubmissão

Entre os espetáculos está Doce Árido, parceria do coletivo Grilla! com o dramaturgo e diretor Tairone Vale. A montagem acompanha três gerações de mulheres que sustentam a casa com a produção artesanal de doce de leite no interior de Minas Gerais. Em cena, o trabalho cotidiano na cozinha se transforma em metáfora para discutir herança familiar, sobrevivência e resistência feminina. O elenco reúne as atrizes Pri Helena, Rebeca Figueiredo e Layla Paganini.

A mostra ainda traz de volta a Trupe Qualquer a Curitiba, onde esteve em 2024, no FRINGE com sua Minas Mostra. Desta vez, em uma ousada releitura do maior autor brasileiro, Um Homem Célebre é construída a partir dos mais famosos contos de Machado de Assis. A peça costura personagens e situações do romancista para explorar temas universais e atemporais como identidade, arte brasileira, sucesso, fracasso e as contradições da natureza humana. A ideia era contribuir para a vida de uma obra que persiste em apontar feridas, sobretudo em um momento que Machado de Assis pode ser relido a partir de sua negritude, tarefa que a peça se encarrega. Para a supervisão dramatúrgica é assinada por Pedro Kosovski, diretor e dramaturgo carioca vencedor do Prêmio Shell de Teatro.

Já o solo Versão Demo, primeiro monólogo escrito e protagonizado por Tairone Vale, apresenta uma perspectiva provocadora: o próprio Senhor das Trevas decide contar sua versão da história. Com humor ácido e ironia, o espetáculo revisita narrativas religiosas e questiona conceitos de culpa, moralidade e livre-arbítrio.

Voltado ao público infantil e familiar, Como Cozinhar uma Criança parte de uma premissa inusitada: em um programa culinário fictício, dois cozinheiros discutem se devem ou não seguir uma receita que manda preparar… uma criança. O tema gira em torno da importante pergunta: como preparar uma criança para não virar um adulto duro e intragável? Inspirado no livro do escritor português Afonso Cruz, o texto e direção de Tairone dão vida ao espetáculo que mistura teatro, música e humor para abordar imaginação e infância de forma lúdica. A montagem marca também a estreia teatral da Banda Trupicada.

Além dos espetáculos, a Mostra Insubmissa inclui as cenas curtas Pharmakon e Memento Mori, da Trupe Qualquer, com textos de Rafael Coutinho, a leitura dramatizada de Big Bang, texto infantojuvenil de Tairone Vale, e ainda um pocket show da Banda Trupicada.

Do palco para as páginas: lançamento literário
O Fringe de Curitiba marca também o nascimento editorial de Versão Demo. Após quase dez anos de gestação, o monólogo de chega ao formato de livro pela Helicônia Editora. A publicação reúne o texto integral da peça e ilustrações de Bel Benetti, que transformam o sarcasmo do espetáculo em um jogo visual igualmente irreverente.

Acesso como manifesto: Pague quanto Vale
Na contramão da elitização do acesso à cultura, todas as sessões da Mostra Insubmissa adotam o formato “Pague Quanto Vale”. Mais do que uma facilidade econômica, a escolha é um posicionamento político dos coletivos mineiros para democratizar a fruição artística e convocar o espectador do Fringe à corresponsabilidade pela manutenção da pesquisa teatral independente. “O teatro de resistência vive muito da insistência e da coletividade. A mostra também é um gesto de encontro entre artistas, obras e público”, afirma Rafael Coutinho, diretor de Um Homem Célebre e integrante da Trupe Qualquer.

SERVIÇO:
Mostra Insubmissa
Programação integrante do Festival de Curitiba – Fringe Festival
Local: Memorial de Curitiba – Teatro Londrina (R. Dr. Claudino dos Santos, 79 – São Francisco)
Data: 1º a 6 de abril de 2026
Ingressos: Pague quanto vale
Confira a programação completa no site: www.mostrainsubmissa.com | @mostrainsubmissa

Fonte: Bruna Bazzo [Comunica]

ALFAIATARIA LANÇA PROJETO ANUAL QUE CONSOLIDA ESPAÇO COMO POLO DE FORMAÇÃO E CRIAÇÃO EM CURITIBA

Na arte de Adriana Alegria, o Programa Contínuo Alfaiataria – Teatro: Ações para Mundos Poéticos | 2026. Março a novembro, oficinas, residência artística, Roda de fogo e Mostra Les Latinas. Início com Oficina de Iluminação Cênica, 9 a 11 de março.

Projeto contemplado no edital de Ações Continuadas da Funarte inicia com oficina de iluminação cênica e reúne formação, encontros e intercâmbios artísticos ao longo de 2026.

A Alfaiataria – Espaço de Artes, em Curitiba, inicia em março de 2026 o Programa Contínuo Alfaiataria – Teatro: Ações para Mundos Poéticos (AMP), contemplado no edital de Ações Continuadas da Funarte. A iniciativa estrutura uma programação anual dedicada à formação, criação, difusão e intercâmbio nas artes cênicas, conectando artistas a redes de circulação e diálogo que ultrapassam o contexto local. Com produção da Pró Cult, as atividades seguem até novembro e reúnem oficinas, residência artística, ciclo de encontros e uma mostra com participação latino-americana.

A primeira ação acontece entre 9 e 11 de março, com a Oficina de Iluminação Cênica, ministrada pela iluminadora Lucri Reggiani. A proposta que combina prática e teoria, abordando fundamentos técnicos e processos de criação em luz, enquanto problematiza a ocupação de um campo historicamente masculinizado, é voltada a mulheres cis, mulheres trans e pessoas de gêneros dissidentes. As inscrições podem ser localizadas no link da Bio em @alfaiataria_ 

Também em março tem início Roda de fogo: práticas da memória – entre lembrar e esquecer, com curadoria de Francisco Mallmann. O ciclo bimestral, com edições em março, maio, julho e setembro, é aberto ao público e reúne artistas, estudantes e interessados em memória e criação. Cada encontro promove diálogo entre diferentes áreas das artes da cena, reflexão sobre como experiências se inscrevem no corpo e se transformam ao longo do tempo, e práticas de escuta e compartilhamento ao redor do fogo, símbolo ancestral de encontro e transmissão, afirmando a memória como criação coletiva.

Em julho, acontece o Laboratório de Produção Cultural para Pessoas Trans e Travestis, ministrado pelo produtor cultural Guilherme Jaccon. A formação é voltada ao desenvolvimento técnico em gestão e produção cultural, abordando leitura de editais, escrita de projetos, elaboração de orçamentos, cronogramas e prestação de contas, fortalecendo a autonomia profissional e ampliando possibilidades de inserção no circuito cultural.

Entre agosto e outubro, ocorre a 2ª edição do Programa de Formação Cênica Alfaiataria, residência destinada a artistas em formação ou iniciantes. Ao longo de três meses, participantes desenvolvem pesquisa cênica solo com orientação curatorial de Janaina Matter e Carmen Jorge, além de oficinas com Ana Kfouri, Janaina Leite e Mateus Aleluia Filho. O percurso culmina em uma Mostra de Processos aberta ao público.

Para encerrar o ciclo anual, em novembro, a Alfaiataria realiza a Mostra Les Latinas, dedicada a solos teatrais de artistas lésbicas da América Latina, selecionadas por convocatória aberta com curadoria de Janaina Matter e Sueli Araujo. Ao reunir criadoras de diferentes países, a mostra fortalece o intercâmbio artístico internacional e amplia o diálogo entre cena, identidade e território, além da produção de conteúdos em podcast com as artistas participantes.

Para a atriz e diretora artística Janaina Matter, o projeto consolida a Alfaiataria como território de pesquisa e criação. “Sustentar processos no tempo é também sustentar encontros. O Programa Continuado nasce do desejo de criar espaço para a pesquisa artística, para o convívio entre diferentes corpos e para uma cena viva, diversa e profundamente conectada ao seu tempo”, afirma.

A programação completa, assim como informações sobre inscrições e convocatórias, pode ser consultada no site e nas redes sociais da Alfaiataria. O acesso, às apresentações e ações abertas adotam o sistema “pague quanto vale”, garantindo gratuidade a quem não pode pagar. Os cursos contam com valores simbólicos de inscrição, com vagas gratuitas destinadas a pessoas de grupos historicamente marginalizados.

SERVIÇO:
Programa Contínuo Alfaiataria – Teatro: Ações para Mundos Poéticos
Local: Alfaiataria – Espaço de Artes (Rua Riachuelo, 247 – Centro – Curitiba/PR)
Período: março a novembro de 2026
Acesso: sistema “pague quanto vale” nas apresentações | cursos com valor simbólico
Informações: @alfaiataria_ / www.alfaiataria.art

Destaques da programação:

– Oficina de Iluminação Cênica, com Lucri Reggiani | de 9 a 11 de março | Inscrições: Sympla, (aqui) | 
Bolsas via formulário (aqui) | Vagas: 15

– Roda de fogo: práticas da memória – entre lembrar e esquecer | Março, maio, julho e setembro

– Laboratório de Produção Cultural para Pessoas Trans e Travestis | Julho

– Formação Cênica Alfaiataria | Agosto a outubro

– Mostra Les Latinas | Novembro

Sobre a Alfaiataria
A Alfaiataria – Espaço de Artes é um espaço cultural independente fundado em 2019, em Curitiba (PR), dedicado à pesquisa, formação, criação e difusão nas artes cênicas e visuais contemporâneas. Com programação continuada, promove ações voltadas à diversidade e ao intercâmbio com a comunidade artística local, nacional e internacional.

Assessoria de Imprensa: BB Comunica – @bb_comunica

QUANDO O BEIJO VIRA MANCHETE: GARALHUFA ESTREIA “BEIJO E ASFALTO OU O FATO É:” NO MINI GUAÍRA

Na foto de Lina Sumizono, as atrizes Stephanie Zouza e Mariana Venâncio e o ator Victor Lucas Olivier em preparo para a estreia da nova montagem no Mini Guaíra reinventando um clássico rodrigueano.

Garalhufa estreia montagem investigativa inspirada em Nelson Rodrigues no Miniauditório Glauco Flores de Sá com temporada gratuita em março.

Três atores decidem montar O Beijo no Asfalto. Durante o processo, percebem que talvez não estejam montando a peça, mas investigando-a. A partir dessa provocação nasce “BEIJO E ASFALTO ou O fato é:”, novo espetáculo da companhia Garalhufa, que estreia para o grande público no dia 12 de março, no Miniauditório Glauco Flores de Sá (Mini Guaíra), em Curitiba, com entrada gratuita e sessões acessíveis em Libras.

O projeto parte de um estudo aprofundado de O Beijo no Asfalto, clássico de Nelson Rodrigues. Mas não se trata de uma adaptação ou releitura tradicional. É um espetáculo-investigação. Durante o processo de pesquisa, o grupo mergulhou na dramaturgia rodrigueana e descobriu informações históricas pouco conhecidas sobre a escrita da obra e sobre o próprio autor. A partir desse material, decidiu transformar o palco em laboratório: uma mesa de apuração, sala de ensaio, redação de jornal, tribunal, delegacia e feed de notícias.

Na peça original, o beijo entre Arandir e um homem atropelado vira manchete e serve como cortina de fumaça para encobrir um crime policial. Mais de seis décadas depois, a pergunta permanece: quem constrói os fatos? Por que se contam algumas histórias e não outras? Um jornal mentiria?

Em vez de “atualizar” Nelson, o espetáculo da Garalhufa utiliza a obra como ponto de partida para investigar a permanência das estruturas que ele denunciava: espetacularização midiática, moralismo, violência institucional e fake news. “A obra não é uma adaptação. É um estudo cênico. Investigamos como um gesto íntimo pode ser convertido em escândalo público, e como as versões se consolidam como verdade”, afirma a atriz e idealizadora do projeto Mariana Venâncio.

Peça-ensaio, palestra performativa, investigação
Com orientação artística de Giordano Castro, integrante do grupo pernambucano Magiluth, o trabalho assume uma linguagem híbrida entre peça-ensaio, palestra performativa e investigação documental. A dramaturgia é assinada por Vinicius Medeiros, com direção colaborativa entre elenco e dramaturgo. Em cena estão Mariana Venâncio, Victor Lucas Olivier e Stephanie Zouza.

O projeto nasceu em 2023, durante uma residência de Criação Colaborativa realizada no CPT Sesc Consolação, em intercâmbio com os grupos Magiluth e Quatroloscinco. A partir dessa experiência, iniciou-se a pesquisa que agora chega ao público.

Todas as apresentações da primeira temporada são gratuitas, com ingressos distribuídos 30 minutos antes de cada sessão na bilheteria do teatro. As sessões com tradução em Libras acontecem nos dias 15 (19h) e 19 (20h). A segunda temporada, com data marcada para o meio do ano, no Teatro Cleon Jacques, também oferece ingressos gratuitos e as sessões com Libras acontecem nos dias 17, 18 e 24 de julho.

O projeto é realizado por meio do Mecenato – Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba, com incentivo do Centro Diagnóstico Água Verde, Florença Veículos e Serra Verde Express.

Sobre a Garalhufa
A Garalhufa é uma trupe teatral, escola de atuação e centro cultural sediado no Largo da Ordem, em Curitiba. Com seis anos de atuação, já produziu seis espetáculos (quatro autorais) e três curta-metragens, além de circular por cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, João Pessoa, Florianópolis e Campinas.

Serviço:

“BEIJO E ASFALTO ou O fato é:”
Temporada de estreia: Miniauditório Glauco Flores de Sá (Rua Amintas de Barros, s/n – Centro, Curitiba)
Data: 11 a 22 de março, de quarta a sábado às 20h e nos domingos às 16h e às 19h. *Dia 14 (sexta) não haverá apresentação. 
Sessões com Libras: dia 15 às 19h e dia 19 às 20h.

2ª Temporada: Teatro Cleon Jacques (Rua Prof. Nilo Brandão, 710 – São Lourenço) 
Data: 17 a 26 de julho, sextas e sábados às 20h, e domingos às 19h. 
Sessões com Libras: 17, 18 e 24 de julho.
*Ingressos: Gratuito – retirar 30 minutos antes de cada sessão na bilheteria do teatro.

Ficha Técnica:
Idealização e direção de produção: Mariana Venâncio | Orientação artística: Giordano Castro | Dramaturgia: Vinicius Medeiros | Direção colaborativa: elenco e dramaturgo | Elenco: Mariana Venâncio, Stephanie Zouza e Victor Lucas Oliver | Sonoplastia: Cadu Machado | Iluminação: Ever Silva | Preparação vocal: Elis Koppe | Preparação corporal: Ana Filimberti | Cenário: Júlia Herculano | Figurino: Beatriz Alves e Izabelle Viana | Assistência de produção: Mateus Sandré | Mediação: Enzo Torre

Assessoria de Imprensa:
BB Comunica – @bb_comunica

ENTRE GUERRA E AFETO: “CONTO DE FARIDA” ESTREIA EM CURITIBA COM LUÍS MELO

Na foto de Vitor Dias, o elenco da nova montagem do AP da 13 e da Cardume Cultural: Luis Melo, Ciliane Vendrusculo, Mayra Fernandes e Camila Ferrão, que estreia dia 13 de março no Zé Maria.

Inspirado no trabalho premiado do fotógrafo Maurício Lima e em relatos reais de refugiados sírios, o espetáculo dirigido por Eduardo Ramos conecta a história íntima da família Farah a um cenário global de deslocamento humano e faz temporada gratuita no Teatro José Maria Santos a partir de março.

No dia 13 de março, o Teatro José Maria Santos recebe a estreia nacional de “Conto de Farida”. Com dramaturgia de Luci Collin e direção de Eduardo Ramos, o espetáculo aborda os impactos da guerra e do exílio a partir da história de uma família, marcando o retorno de Luís Melo aos palcos paranaenses em uma narrativa sensível sobre as tantas diásporas existentes na atualidade.

Realizado pela AP da 13 com produção da Cardume Cultural, o espetáculo transforma em cena uma realidade contemporânea urgente: a trajetória da família Farah ecoa a experiência de milhões de pessoas forçadas a deixar seus territórios em contextos de conflito e perseguição.

De acordo com o diretor do espetáculo Eduardo Ramos, a obra acompanha uma família síria dilacerada pela guerra, confrontada com escolhas extremas entre partir ou permanecer, preservar a memória ou buscar um futuro possível. “Entre silêncios, despedidas e gestos de resistência, a cena se constrói como espaço de escuta e testemunho, encontrando lugares possíveis de existir, em um cenário onde a humanidade deixou de existir”, conta o diretor.

A encenação tem como referência visual a exposição “Farida – Um Conto Sírio”, do fotógrafo brasileiro Maurício Lima, vencedor do Prêmio Pulitzer em 2016, que acompanhou por 51 dias a fuga de uma família de Alepo. Essa experiência se articula aos relatos reais dos artistas sírios Abed Tokmaji, Myria Tokmaji e Lucia Loxca, radicados no Brasil há 12 anos, que contribuem diretamente para a dramaturgia a partir da vivência do exílio.

No palco, a história da família Farah revela o dilema de quem vê a guerra bater à porta: o conflito entre o apego às raízes e a urgência da sobrevivência em terras desconhecidas. Luís Melo interpreta Khaled Farah, o patriarca, acompanhado por Mayra Fernandes (a filha Aisha), Ciliane Vendruscolo (a filha Qamar) e Camila Ferrão (a sobrinha/prima Jamile), que dão voz às diferentes perspectivas de uma família fragmentada pelo avanço do conflito.

A atmosfera de urgência e tensão é reforçada pela cenografia de Fernando Marés, com tons acinzentados e planos irregulares que evocam tanto os escombros da guerra quanto o caminho incerto da travessia, enquanto o desenho de luz de Beto Bruel e Lucas Amado dialoga com a trilha sonora executada ao vivo sob a direção de Edith de Camargo, com a participação direta dos músicos sírios, Abed Tokmaji e Lucia Loxca, com alaúde, cantos e sonoridades tradicionais, transportando o público para o epicentro da narrativa.

De acordo com Eduardo, Melo começou a estreitar os laços com o AP da 13 durante a pandemia e, desde então, passou a acompanhar de perto os trabalhos do grupo. “Tivemos um contato no Campo das Artes em um projeto viabilizado por um edital de São Paulo. Essa experiência aproximou nossas trajetórias e fortaleceu a parceria. A partir daí, seguimos em diálogo, com Melo acompanhando as produções do grupo, até que surgiu o convite para que ele participasse como curador do festival Novos Olhares em 2025, conta o diretor.

Para Melo, voltar para uma produção curitibana como a que será apresentada no palco do Zé Maria unindo história, música e memória humana é profundamente emocionante. “Gosto de trabalhar com grupos dedicados, que desenvolvem processos contínuos com cuidado e comprometimento. É esse empenho que torna o retorno ao palco uma experiência feliz, responsável e memorável. É um trabalho que acredito que, daqui a muitos anos, será lembrado, pois valoriza a pesquisa, a qualidade e a autenticidade do coletivo”, afirma o ator.

Um contexto global de deslocamento sem precedentes
A história de “Conto de Farida” dialoga diretamente com uma das maiores crises humanitárias da atualidade. Segundo dados do ACNUR/ONU, ao final de 2024 e início de 2025, mais de 123 milhões de pessoas foram deslocadas à força devido a conflitos, perseguições e crises humanitárias, especialmente no Sudão, Ucrânia e Gaza. Do total, 83,4 milhões vivem como deslocadas internas e mais de 43 milhões como refugiadas. Aproximadamente 40% são crianças e adolescentes, e 4,4 milhões de pessoas são apátridas. O espetáculo transforma esses números em experiência sensível e concreta no palco.

A temporada é gratuita e inclui sessões com acessibilidade, com Libras, nos dias 14 e 21 de março, e com audiodescrição, no dia 20, ambas às 20 horas. Dentro do projeto está também a oficina gratuita de dramaturgia depoimental intitulada Corpo em Guerra: Possíveis Caminhos para além do Êxodo, ministrada pelo diretor Eduardo Ramos, a fase de inscrições vai ser divulgada no instagram do Coletivo: @apedatreze

FICHA TÉCNICA:
Dramaturgia: Luci Collin | Direção: Eduardo Ramos | Direção Musical e música ao vivo: Edith de Camargo | Pesquisa e música ao vivo: Abed Tokmaji e Lucia Loxca | Elenco: Camila Ferrão, Ciliane Vendruscolo, Luís Melo e Mayra Fernandes | Luz: Beto Bruel e Lucas Amado | Cenário: Fernando Marés | Figurino: Carmem Felipa Leme | Adereços: Eberton Lennon | Direção de movimento e preparação corporal: Flávia Massali | Preparação vocal: Edith de Camargo | Direção de Produção: Mayra Fernandes | Assistência de Produção: Karu Mochinsky | Assessoria de Imprensa: Bruna Bazzo | Mídia Social: Juliana Villas Boas | Design Gráfico: Guto Stresser | Realização: Jade Rudnick Giaxa, Setra Companhia e AP da 13 | Produção: Cardume Cultural

SERVIÇO
Local: Teatro José Maria Santos (Rua Treze de Maio, 655 – São Francisco)
Datas: 13 a 26 de março (terças, quartas, quintas e sextas às 20h; sábados às 17h e 20h; domingos às 11h e 17h)
Ingresso:  Gratuito – retirada uma hora antes na bilhete do teatro)
Sessões com Libras: 14 e 21 de março (sábados às 20h)
Sessão com audiodescrição: 20 de março (sexta às 20h)
Classificação Indicativa: 14 anos

Informações adicionais

Sobre AP da 13 e Setra Companhia
O AP da 13 é um coletivo e espaço multicultural fundado pelo artista Eduardo Ramos, sede da Setra Companhia que se dedica à fricção do teatro com a dança há mais de 10 anos. De 2013 até hoje, foram 18 espetáculos tendo como norte a proposição de novas pesquisas estéticas e dramatúrgicas, na busca conceber obras que habitem um campo que transita entre o reconhecimento e a estranheza, de modo a promover experiências novas e de extrema singularidade para quem assiste aos espetáculos da Cia. Promovendo o encontro entre artistas do teatro, dança e performance, o Coletivo se destaca pela maneira que cria mecanismos entre estas linguagens. Em 2015 estreou dois espetáculos completamente singulares: Ave Miss Lonelyhearts por Gustavo Marcasse e MOMMY em parceria com a dramaturga, Mariana Mello. Em 2017, o espetáculo Contos de Nanook a partir da construção de um universo fantástico, trata das fábulas dos inuits, indígenas do Polo Norte. Em 2019, a Cia começa suas pesquisas nas reescritas dos textos clássicos a partir do mito Fedra de Eurípedes e Amor de Phaedra da dramaturga britânica Sarah Kane, estreando o espetáculo de dança teatro Fedra em: O Fantástico Mundo de Hipólito. Espetáculo convidado para a Mostra Principal do Festival de Curitiba 2019. Os últimos espetáculos do Coletivo foram: Aqui é Minha Casa (2022/24), Monstro (2023/2025), Família Original 3.0 (2024) e Multidão, espetáculo com 8 não artistas em cena, realizado em agosto de 2025.

Sobre Luis Melo
Nascido em 1957 em Curitiba, Paraná, Luís Melo é uma das referências no meio teatral, televisivo e cinematográfico brasileiro. Sua entrada no universo da dramaturgia se deu na década de 1970, por meio do curso permanente de teatro da Fundação Teatro Guaíra, em Curitiba. Uma década mais tarde em São Paulo, sob a tutela do diretor Antunes Filho no Centro de Pesquisa Teatral (CPT), o ator ganha reconhecimento pela maestria e sensibilidade às técnicas de corpo e voz, e por sua potência interpretativa.  Ao interpretar Macbeth, em Trono de Sangue (1992), é reconhecido com os prêmios Shell, Mambembe e Associação Paulista de Críticos de Arte, consagrando-se como um dos grandes atores de sua geração. Três anos mais tarde, Melo é convidado para atuar na televisão brasileira pela primeira vez, atingindo uma grande popularidade fora do meio teatral, sem jamais, entretanto, abandonar os palcos.

A partir dos anos 2000, Luís Melo retorna à Curitiba e passa a dedicar-se também à formação de jovens profissionais do teatro, fundando, em parceria com a atriz Nena Inoue e o cenógrafo Fernando Marés, o Ateliê de Criação Teatral (ACT) – uma proposta expandida do CPT de Antunes Filho em São Paulo. Ao longo de seis anos de existência, o ACT promoveu importantes e indispensáveis diálogos abertos entre artistas, produtores culturais e público, e a proposta transdisciplinar do espaço foi um verdadeiro marco no fazer e pensar as artes no Paraná. Muito além do teatro, o ACT tinha como missão promover um campo fértil para a música, fotografia, artes plásticas, literatura, cinema: não havia fronteiras de linguagens ou expressões.

A herança vanguardista do ACT após o encerramento de suas atividades deixou não apenas um vácuo no meio cultural curitibano, mas também uma semente: ali brotou o sonho de Luís Melo para a idealização, construção e fundação do Campo das Artes.

Assessoria de Imprensa:
BB Comunica – @bb_comunica