
Podcast com mais de 260 mil visualizações, Licurgo Spinola e Emerson Rechenberg estreiam primeira temporada na capital e apostam na fricção como linguagem crítica
Do imediatismo à superficialidade, o pensamento crítico é um antagonista no universo online. Se a provocação para cargas filosóficas traduz um incômodo necessário como resistência aos conteúdos rasos, para Emerson Rechenberg e Licurgo Spinola a saída não é para a esquerda ou para a direita. É pela culatra. Afinal, para os idealizadores e apresentadores do Os Gralhas Podcast, cutucar feridas sem filtro é a arte do possível.
Avessos a roteiros e combatentes da espontaneidade, Emerson e Licurgo não fazem a linha da boa vizinhança. Gravar o Os Gralhas Podcast em Curitiba é um pano de fundo quase caótico na sociedade do leite quente.
Entretanto, nessa convergência conflituosa de afetos, onde pisar na grama alheia é uma afronta social, a capital do Paraná é o ponto de encontro defenestrado onde os apresentadores confrontam o cotidiano político, social, econômico e cultural, transformando suas polaridades em sabatinas semanais pelo YouTube.
“Somos cidadãos e artistas, não necessariamente, nesta ordem. Esse olhar é o ponto de partida do podcast. Tem empatia, mas tem fúria. Tem compreensão, mas tem revolta. Tem um, que é gratiluz, e outro mais punk. Esse é o molho”, traduz o ator, diretor, cenógrafo, produtor cultural e apresentador Emerson Rechenberg.
Idealizado em 2025, o Os Gralhas Podcast teve finalmente sua estreia em abril deste ano, após meses de produção e identificações difusas em suas opiniões, como deixa claro Emerson Rechenberg.
Esse é o mote do programa. Não é para agradar convidados ou passar pano. A linha editorial é explícita. Gralhar é uma forma de sobrevivência, uma experiência condutora. Por isso, Os Gralhas não sobrevoam os assuntos; mergulham neles, justamente por entenderem como funciona a engrenagem por trás da tal ordem e progresso.
“Os Gralhas existem porque não queremos ficar calados frente a tantos desmandos. Acho que temos conteúdos diversos para falarmos de tudo e todos. Uma característica que nos torna reais neste contexto seria sermos ‘os inconformados’, aqueles que não querem viver na caixinha. Por isso tem o lado afetivo e o ofensivo. O good guy e o bad guy”, define o ator, diretor, produtor, empreendedor e apresentador Licurgo Spinola.
Com a inquietação de quem já decorou falas demais e agora prefere fazer perguntas, Licurgo é um rosto que já frequentou casas e salas de cinema do país inteiro. No folhetim, já foi galã, mocinho e bandido. Desta vez, a polaridade é outra.
“Ser artista de novela é andar no fio da navalha porque você entrega sua melhor performance para que as emissoras possam manipular o público. Quanto melhor você faz uma personagem, mais contribui para a comercialização de sua arte. Somos vítimas e cúmplices dessa manipulação”, confronta.
Do outro lado, sem levantar suspeitas de qualquer protagonismo que tente lhe cair no colo, Emerson é um produtor de bastidores. No universo de semideuses, ele assume o microfone sem cair na armadilha da vaidade. “Tem tanta gente imbecil fazendo podcast. Eu sou mais um ocupando esse lugar”, constata.
O Os Gralhas Podcast é um tropeço de raciocínios onde o pensamento não chega pronto. Ele acontece. Não oferecem respostas, mas companhia para quem ainda acha que pensar, mesmo sem conclusão, é um bom começo. Entre Emerson Rechenberg e Licurgo Spinola não há exatamente concordância. Há fricção e dicotomia.
A parceria entre a dupla vai além dos estúdios. Há algumas décadas, a cumplicidade advém do convívio diário entre coxias e palcos. Entre similaridades e diferenças, o novo desafio em formato de podcast é marcado pelo reencontro em uma nova era. Sem IAs ditando conectividades de busca, mas indagando novas perspectivas. É justamente daí que sai alguma coisa que presta.
Com mais de 260 mil visualizações entre cortes e devaneios no Instagram e TikTok, o canal do Os Gralhas Podcast no YouTube reúne mais de 60 mil reproduções e mais de mil inscritos em apenas dois meses de exibição.
O Os Gralhas Podcast está disponível nas principais plataformas, com entrevistas inéditas às terças, quintas e sábados. E, como tudo que nasce em Curitiba, ele não pede atenção. Mas inscreva-se no canal para receber as notificações de novos episódios.
Fonte: Cabana Assessoria