ALFAIATARIA RECEBE VINÍCIUS ARMILIATO PARA CONVERSA SOBRE MEMÓRIA E PSICANÁLISE

Na foto de Vitor Dias, o público reunido no quintal da Alfaiataria – Espaço de Artes durante a primeira edição da Roda de fogo: práticas da memória – entre lembrar e esquecer, encontro que transforma escuta, convivência e partilha em experiência coletiva.

Segundo encontro do ciclo “práticas da memória – entre lembrar e esquecer”, que integra o projeto “Ações para Mundos Poéticos”, propõe uma travessia entre arte, escuta e experiência subjetiva no dia 27 de maio.

Há lembranças que permanecem acesas durante anos. Outras desaparecem antes mesmo de se tornarem linguagem. Entre aquilo que o corpo guarda, o tempo transforma e a palavra tenta alcançar, se acende a segunda edição da Roda de fogo: práticas da memória – entre lembrar e esquecer, encontro promovido pela Alfaiataria – Espaço de Artes, em Curitiba. O encontro gratuito acontece no dia 27 de maio (quarta-feira, as 20h), e recebe o pesquisador e psicanalista Vinícius Armiliato para uma conversa aberta ao público sobre memória, subjetividade e criação.

Realizada no quintal da Alfaiataria, a ação parte da imagem ancestral das pessoas reunidas ao redor do fogo para compartilhar histórias, experiências e modos de existir. Mais do que um debate, a proposta cria um espaço de convivência e escuta, onde pensamento e presença se atravessam continuamente.

Com curadoria do artista e pesquisador Francisco Mallmann, a Roda de Fogo reúne convidados de diferentes áreas do conhecimento para refletir sobre a memória não como arquivo fixo, mas como matéria viva: algo que se reorganiza, se desloca e se reinventa continuamente. O encontro faz parte do Programa Contínuo Alfaiataria – Teatro: Ações para Mundos Poéticos (AMP), iniciativa contemplada pelo edital de Ações Continuadas da Funarte e dedicada ao fortalecimento de práticas de criação, formação e intercâmbio nas artes da cena contemporânea.

Graduado em Artes Cênicas e Psicologia, Vinícius Armiliato desenvolve pesquisas que articulam filosofia, clínica e artes da cena. Doutor e pós-doutor na linha de Filosofia da Psicanálise da PUCPR, atua como professor da Univille e curador do Seminário Fronteiras da Psicanálise, realizado mensalmente em Curitiba desde 2021.

Memória como criação em movimento
Ao aproximar psicanálise e experiência artística, o encontro propõe reflexões sobre esquecimento, repetição, elaboração e construção narrativa de si. Na clínica, lembrar nunca significa simplesmente recuperar algo intacto. Toda memória carrega desvios, lacunas e reinvenções. Nas artes da cena, essa instabilidade aparece de maneira concreta: nenhum gesto retorna da mesma forma, nenhuma presença se repete integralmente. “A memória nunca retorna de maneira idêntica. Toda lembrança carrega algo de invenção, de reconstrução e de deslocamento. Talvez lembrar seja justamente produzir novas formas de relação com aquilo que vivemos”, afirma Vinícius Armiliato.

Para Francisco Mallmann, a potência da Roda de Fogo está na possibilidade de transformar pensamento em experiência compartilhada. “O fogo aparece como imagem de encontro, mas também de transformação. Ao compartilhar experiências e escutas, percebemos que memória não é permanência absoluta, e sim algo que se move entre presença, ausência e criação”, comenta.

Ações para Mundos Poéticos
A Roda de Fogo integra o conjunto de ações do Programa Contínuo Alfaiataria – Teatro: Ações para Mundos Poéticos (AMP), idealizado por Janaina Matter, realizado em parceria com a produtora cultural Michele Menezes, da Pró Cult. Ao longo de 2026, o programa promove atividades voltadas à formação artística, pesquisa e experimentação cênica.

Entre as iniciativas estão a Oficina de Iluminação Cênica para Mulheres, ministrada por Lucri Reggiani; o Laboratório de Produção Cultural para Pessoas Trans e Travestis, conduzido por Guilherme Jaccon; a segunda edição do Programa de Formação Cênica Alfaiataria; e a Mostra Les Latinas, dedicada a solos teatrais de artistas lésbicas latino-americanas.

Ao aproximar arte, pensamento e convivência, o programa consolida a Alfaiataria – Espaço de Artes como um espaço dedicado à criação contemporânea, à troca entre diferentes saberes e à construção de experiências coletivas. “Inspirada na imagem ancestral das pessoas reunidas ao redor do fogo, a ação busca criar uma experiência de escuta compartilhada. Mais do que discutir memória, queremos produzir um espaço em que ela possa ser vivida coletivamente”, afirma Janaina Matter, diretora artística da Alfaiataria.

SERVIÇO:
2ª Roda de fogo: práticas da memória – entre lembrar e esquecer
Dia: 27 maio de 2026
Horário: 20h
Duração: 1h a 1h30
Local: Quintal da Alfaiataria – Espaço de Artes (Rua Riachuelo, 247 – Centro)
Entrada: gratuita, sujeita à capacidade do espaço
Informações: @alfaiataria_

Sobre Vinícius Armiliato:
Bacharel em Artes Cênicas pela FAP e graduado em Psicologia pela PUCPR, Vinícius Armiliato é psicanalista, pesquisador e professor universitário. Doutor e pós-doutor na linha de Filosofia da Psicanálise da PUCPR, desenvolve pesquisas voltadas às relações entre memória, subjetividade, normalidade e experiência clínica. Atualmente é professor adjunto do curso de Psicologia da Univille e curador do Seminário Fronteiras da Psicanálise, realizado mensalmente em Curitiba desde 2021. Também atua como tradutor de textos nas áreas de filosofia e psicanálise e organizou publicações como Nunca se vive inteiramente o presente: patrimônio, psicanálise e epistemologia (2025) e Georges Canguilhem em Perspectiva.

Assessoria de Imprensa
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THE MANGO TREE, NOVA COMÉDIA DE LEONARDA GLÜCK, ESTREIA EM CURITIBA E FLERTA COM O TEATRO DO ABSURDO

Flávia Imirene, Saravy e Katia Horn protagonizam nova comédia de Leonarda Glück. Foto: Vitor Dias.

O espetáculo traz, numa irreverente montagem, diferentes arquétipos do feminino em três personagens que se encontram para uma festa e cumpre curta temporada gratuita no Teatro José Maria Santos, em Curitiba.

De 5 a 22 de setembro o palco do Teatro José Maria Santos vai receber a temporada de estreia de The Mango Tree (em português A Árvore de Manga), uma comédia escrita e dirigida por Leonarda Glück que trata sobre os ideais e estereótipos do feminino na sociedade contemporânea e no imaginário popular. Através do humor, da ironia e do deboche, a criação – produzida pela Pomeiro Gestão Cultural – provoca questões acerca da presença da mulher nos dias atuais.

A trama é protagonizada por três mulheres com diferentes personalidades: uma escritora decadente, uma aspirante a atriz de Hollywood e uma ex-atriz pornô cleptomaníaca. Elas se encontram para uma festa que nunca acontece. Interpretadas por Flávia Imirene, Katia Horn e Saravy, as personagens retomam memórias do passado enquanto protegem um pomar onde há um grande pé de mangas.

Com forte inspiração no teatro do absurdo, em especial Eugène Ionesco e o brasileiro Qorpo Santo, o texto foi originalmente escrito por Glück em 2004 e agora, 20 anos depois, a dramaturga retoma o material e lhe dá nova roupagem, fazendo referência à cultura pop dos anos 1990 e também dos dias de hoje. Para Leonarda, a situação mundial é a maior referência à proposta da peça The Mango Tree: “O teatro do absurdo acabou ignorado no decorrer da história teatral, e eu acredito que não há nada mais absurdo que os dias atuais, que são um prato cheio para a dramaturgia nacional”, revela.

A visualidade da peça foi concebida a partir das cores e tonalidades das mangas – o laranja, o verde e o roxo. Na composição do espetáculo uma equipe criativa de peso, com cenário e figurinos seguindo a mesma proposta de cores como resultado de diálogo profundo entre a cenógrafa Guenia Lemos e as figurinistas Fabianna Pescara e Renata Skrobot. Somam-se ainda a artista Jo Mistinguett, na criação da trilha original, e os iluminadores Nadja Naira e Wagner Corrêa. A direção de movimento fica por conta de Katia Drumond.

A montagem integra o projeto Dramaturgia TransCuritibana, uma parceria entre a artista Leonarda Glück e a Pomeiro Gestão Cultural, que visa fomentar a presença de pessoas trans no cenário teatral e dramatúrgico de Curitiba. O projeto contempla ainda um laboratório de dramaturgia para pessoas trans, leituras públicas e a publicação de um e-book com trechos dos textos produzidos pelos participantes. A iniciativa é viabilizada com recursos do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura de Curitiba e tem o incentivo do Ebanx.

SINOPSE:
Uma escritora decadente, que é praticante de sadomasoquismo nas horas vagas, uma aspirante a atriz de Hollywood interiorana e uma ex-atriz pornô cleptomaníaca se encontram para uma festa que não acontece. Canções, rixas e suspiros do passado vêm à tona e expõem as forças e fragilidades da mulher contemporânea em um mundo caótico que as atormenta. Nos preparativos para essa celebração que jamais ocorrerá, é entre inspirações, martinis e revistas de fofoca que rememoram as agruras e os prazeres dos dias de outrora e brindam, ainda, aos que virão.

FICHA TÉCNICA
Texto e Direção: Leonarda Glück
Elenco: Flávia Imirene, Katia Horn e Saravy
Direção de Movimento: Katia Drumond
Cenografia: Guenia Lemos
Figurinos: Fabianna Pescara e Renata Skrobot
Trilha Original e Operação de Som: Jo Mistinguett
Iluminação e Operação de Luz: Nadja Naira e Wagner Corrêa
Costureira: Rose Matias
Cenotécnico: Fabiano Hoffmann
Técnico de Som: GuiMiudo
Direção de Produção: Igor Augustho
Produção Executiva: Rebeca Forbeck
Estagiários de Produção: Ayesla Fabian, Isac Kempe e Luciano França
Designer Gráfica e Identidade Visual: Adriana Alegria
Fotografias: Vitor Dias
Videomaker: Eduardo Ramos
Maquiagem Ensaio Fotográfico: Kenia Coqueiro
Assessoria de Imprensa: Bruna Bazzo
Estratégia Digital e Vídeo Creator: Gabriela Berbert
Intérprete de Libras: Talita Grünhagen
Captação de Recursos: Meire Abe
Realização e Produção: Pomeiro Gestão Cultural

SERVIÇO:
THE MANGO TREE – Comédia
Temporada de 5 a 22 de setembro.
Quarta a sexta às 20h. Sábados às 16h e 20h. Domingos 16h e 19h.
Teatro José Maria Santos (Rua Treze de Maio, 655 – Centro).
Ingressos Gratuitos, retirada a partir de 1 hora antes no teatro.
Classificação: 16 Anos I Sujeito à lotação.

Fonte: Bruna Bazzo [Comunica]