Blogue FATO Agenda divulga: 1) vagas e oportunidades em comunicação social, mkt e design em Curitiba e região. 2) Agenda cultural da cidade. 3) Livros e discos de vinil (do Sebinho FATO Agenda). Editado há 17 anos (desde 2009) pelo jornalista Leandro Hammerschmidt.
PRÊMIO ARTES VISUAIS: Difusão de Saberes e Fazeres Tradicionais.
O foco deste prêmio será a seleção de obras de artes visuais já produzidas por artistas ou coletivos que pertençam a povos e comunidades tradicionais formadores do Paraná. Este prêmio tem como foco promover e fomentar as artes visuais produzidas no Paraná, com foco especial à produção artística de comunidades e povos tradicionais do Estado.
Serão concedidos prêmios de R$ 10.000,00 cada, e poderão ser inscritas obras nas seguintes categorias de artes visuais: Desenho, Pintura, Escultura, Colagem, Fotografia, Gravura, Videoinstalação, Videoperformance e Videoarte. Todas as obras selecionadas poderão ser incorporadas aos acervos dos Museus do Governo do Estado, por meio de termo de doação. Inscrições até 26 de novembro.
E que assim seja quando o próximo passo for o abismo. E ao invés da floresta imensa que resiste e resistirá por breve tempo talvez (ou não), veremos a ordem e o progresso dilacerando animais, humanos, terra, tudo. Plantando casas em lugares outros, com suas famílias, carros e celulares, como todas as famílias desse mundo de deus.
No Organismo in Cyber de Arícia Machado, essa cena pode acontecer – caso se consiga parar para olhar o abismo. E acuado, olhar para os índios que despertam como que de um grande porre, cercados por monitores de tubo, antigos. Mas não são indígenas naturais, são pessoas como eu e você pintados de neon. Há essa transposição entre realidades, inclusive temporais. Esse anacronismo e desencaixe entre as peças colaboram para o cenário distópico, retratado principalmente nos corpos.
São quatros filmes em looping projetados em três paredes – o que também sugere um teatro invertido, ou jaula. Cada uma das imagens obedecem, fora uma ou outra dissonância, uma única cena própria, num único plano fixo, como nos primórdios do cinema. As imagens são coloridas e possuem uma luz bem trabalhada, que acentua o brilho do fogo e do neon na noite escura.
No eixo formado pelas paredes laterais, notamos a dicotomia entre o despertar e o desfalecer. O despertar da tribo e o agonizante fim do pajé. Na projeção frontal duas cenas: 1. Um rito onde homens-índios encarnam uma dança em transe, caminhando para o primeiro plano, para o close da câmara, retirando fios de nylon de suas bocas, como tantas tartarugas no facebook. 2. Mulheres-índias e homens-índios estão corpo-a-corpo, deitados uns sobre os outros, como uma orgia filmada no bumerangue do insta, um movimento de vai e vem sem ir nem vir – por isso sem sensualidade, talvez.
Em alguns momentos esses cyber-índios nos encaram de frente, como se pudessem nos ver. Apesar do looping há uma sequência proposta, um ciclo pontuado pelo despertar e pela morte. No meio, o sagrado e o sexo, atravessado pela profusão de imagens que nos cercam, que desafiam a atenção e o entendimento. Uma entropia tão humana quanto a vivência de um mundo capturado em diferentes telas e pixels.
Essas imagem eu vi no abismo de Arícia Machado. Imagens muito bem produzidas pela sociedade mais tecnológica de todos os tempos, mas que retratam um mundo sem esperanças, conectado por redes de todos os tipos, que nos prendem em todas as partes num lento afogar. É como se estivéssemos cercados por toda nossa sucata e dejetos, condenados ao destino daqueles que exterminamos para construir o Brasil do futuro.
Serviço: Vídeo Instalação ”Organismo In Cyber” no CACC Data: de 27 de fev até 12 de março, das 10h às 19h Local: Museu Municipal de Arte (MuMA) – Portão Cultural, Av. Rep. Argentina, 3.432 – Portão, Curitiba Entrada gratuita! Confira a página do evento, aqui