PAULO LEMINSKI COMPLETARIA 78 ANOS NESTA QUARTA (24/08)

Paulo Leminski por João Urban.

Autor é um dos principais nomes da literatura brasileira do último século

Paulo Leminski se consolidou como um dos nomes mais importantes e vibrantes da literatura brasileira. O escritor, que completaria 78 anos no dia 24/08, experimentou diversas linguagens artísticas com uma rica obra poética, de prosa experimental, tradução, ensaios e composições musicais.

Para conhecer mais a obra de Leminski: https://pauloleminski.com.br

Nascido em Curitiba em 1944, Leminski fez de sua vida uma busca pelo sublime. Seja pela procura religiosa, vinda da vontade de ser monge que o levou a passar parte da juventude em um mosteiro, até a filosofia zen que marcou sua obra, passando pelo minimalismo do dia a dia dos haicais. A forma poética japonesa, aliás, teve no autor um de seus grandes divulgadores no Brasil.

Em 1975 começa uma série de lançamentos de trabalhos que se tornaram marcos na literatura brasileira com “Catatau”, em prosa, e dos escritos poéticos independentes  “Quarenta clics em Curitiba” (com o fotógrafo Jack Pires) em 1976 e “Não fosse isso e era menos não fosse tanto e era quase” e “Polonaises”, ambos de 1980. A repercussão destes trabalhos foram base para o seminal “Caprichos e relaxos” (1983). Quatro anos depois lança seu último livro em vida, o cultuado “Distraídos venceremos”.

Como tradutor, Leminski trouxe para nossa língua textos de autores plurais como Matsuó Bashô, Beckett, James Joyce e John Lennon. Como compositor, escreveu mais de 100 canções e teve suas composições gravadas por nomes como Caetano Veloso, Itamar Assumpção, Banda Blindagem (Ivo Rodrigues), Ney Matogrosso, Paulinho Boca de Cantor e Moraes Moreira. Em 2015, sua filha Estrela Leminski compilou as canções do pai em um songbook com partituras e cifras que podem ser baixadas de modo gratuito.

Confira uma playlist com faixas icônicas de autoria do poeta: https://spoti.fi/3PIL7Pl

Baixe o songbook de modo gratuito: http://www.pauloleminski.com.br/songbook/livro-cancoes-paulo-leminski.html

Em 2013, a carreira de Leminski ganhou um renascimento com a cultuada coletânea “Toda Poesia”, best-seller com as obras poéticas completas, organizada por Alice Ruiz, que acompanhou toda a produção de sua obra. Esse trabalho apresentou o autor para toda uma nova leva de leitores.

Neste ano, seu trabalho ganha edições em todo o mundo com publicações na Itália, Espanha, Argentina e Estados Unidos. Para os fãs brasileiros, um sarau de celebração ao poeta acontece em sua cidade natal de Curitiba, no dia de seu aniversário, no Wonka Bar e a exposição Múltiplo Leminski abre em outubro em Porto Alegre, no Centro Cultural da UFRGS.

Para mais informações:
Build Up Media
(24) 999377203
contato@buildupmedia.com.br

CAIXA CULTURAL TRAZ A CURITIBA A PEÇA NA SELVA DAS CIDADES – EM OBRAS

foto: Renato Mangolin

Com texto original de Bertold Brecht, a montagem oferece um novo olhar a partir de pesquisa realizada pelo grupo mundana companhia. A direção geral é assinada por Cibele Forjaz, mas conta com “propositores de encenação” da própria companhia para cada nova temporada/ocupação

A CAIXA Cultural Curitiba apresenta uma versão inusitada da peça Na Selva das Cidades. Escrita em 1927, pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956), a obra ainda desafia o tempo, quase um século depois. De uma atualidade aguda, o texto alinha exclusão social aos podres poderes da vida em sociedade. Esses aspectos são investigados à exaustão para a montagem trazida pelo grupo mundana companhia.

Com direção geral de Cibele Forjaz, a peça tem elenco formado por Aury Porto, Carol Badra, Guilherme Calzavara, João Bresser, Luah Guimarãez, Mariano Mattos Martins, Sylvia Prado, Vinícius Meloni e Washington Luiz Gonzales. A pesquisa resultou em um livro distribuído gratuitamente para escolas de teatro e instituições de todo o país.

Parte do conjunto de principais realizadoras de teatro contemporâneo no Brasil, a mundana companhia fez jus a seu nome durante o desenvolvimento da estrutura da peça: ao longo de dois anos, enveredou por toda São Paulo pesquisando, de corpo presente, sua humanidade. A partir daí, arquitetou um espetáculo que se transforma, literalmente, a cada temporada/ocupação.

A partir do glossário urbano adquirido, a montagem conta a mesma história a partir de novos pontos de vista. Ao trabalho da diretora Cibele Forjaz soma-se sempre uma equipe propositiva formada por componentes do grupo que assumem uma espécie de curadoria. Em Curitiba, Aury Porto, Bia Fonseca, Flora Belotti e Rogério Pinto vão liderar a Ocupação #17 PALCO. Eles estudam o espaço e propõem, para toda a equipe, a forma que a peça assumirá durante a temporada/ocupação.

Em Curitiba, Na Selva das Cidades 
Em Obras os criadores apresentam o palco à italiana – espaço nada comum na trajetória da mundana companhia. “A imersão por São Paulo, durante a pesquisa de linguagem, nos deu um eixo. Desde o início estabelecemos uma equipe propositiva que aponta rumos. Toda a ficha técnica está o tempo inteiro envolvida, em movimento, sem um pensamento pronto e acabado para a montagem”, explica Aury Porto, fundador junto com Luah Guimarãez da mundana companhia. As peculiaridades que envolvem a montagem e o processo de criação da companhia serão apresentados durante um bate papo com o público, que será realizado no dia 4 de março, às 15 horas, com entrada franca.

Bixiga – Perdizes: Potência das experiências
Um dos textos com mais elementos expressionistas de Brecht, Na Selva das Cidades mostra a luta entre dois homens, mas também o embate com a cidade. Em 1969, o Teatro Oficina realizou uma montagem do texto considerada antológica. “Lina Bo Bardi levou, para dentro da Oficina, restos de moradias do Bixiga que estavam sendo demolidas para a construção do Minhocão, que liga Bixiga a Perdizes”, conta Aury Porto. Esse processo orientou a pesquisa de campo da mundana companhia. O impacto da imersão dos artistas com o intercâmbio junto aos moradores de SP foi vertiginoso. “Não podíamos criar uma montagem, digamos, formal. A cidade nos deu um estímulo que, na sala de ensaio, se esvaía. Decidimos abrir a possibilidade de mudar tudo a cada nova agenda de apresentações. Já fizemos sem palavra alguma; outra vez fizemos em uma hora, depois em três”, contextualiza Aury.

Dessa maneira, a companhia assumiu o risco de investir no inusitado. “Os conceitos acabados e as formas fixas não cabiam mais nesse trabalho. O próprio texto de Brecht é cheio de lacunas. Percebemos que era a partir destas lacunas que o trabalho se abriria para o nosso tempo e suas questões, para uma comunicação mais livre entre a nossa equipe de criação e o público, entre o teatro e a cidade, entre a ficção e a realidade. Resolvemos, então, abrir radicalmente o espetáculo para a potência das experiências vividas, em grupo, com a cidade. A partir desse novo paradigma, tudo passou a ser móvel e inacabado. A cada nova ocupação, tudo se transforma na relação com o espaço ocupado. Desta forma, o cenário propõe sempre uma nova intervenção no espaço. Da mesma forma, a luz, o vídeo, os figurinos e os objetos de cena só existem a partir da relação com esse novo espaço e seus conceitos. O trabalho dos atores não tem marcas fixas, mas regras de jogo que determinam a movimentação e o desenho da cena. Cada Ocupação é singular, cada sessão é uma estreia. Lutando diariamente contra a nossa tendência às relações hierárquicas e às formas prontas, estamos no risco, prontos para o inesperado”, conclui Cibele Forjaz.

Sobre a mundana companhia
Desde o ano 2000, inspirados pela militância política dos artistas de teatro da cidade de São Paulo junto ao movimento “Arte contra a Barbárie”, Aury Porto e Luah Guimarãez desejavam criar um núcleo artístico formado essencialmente por atores-produtores. A partir daí, um diretor – com afinidades afetivas e estéticas com os membros da companhia – seria convidado a participar. O mesmo ocorreria com os profissionais das outras áreas, como cenografia, figurino, música, luz, e até mesmo outros atores. A cada projeto a companhia teria um novo corpo que daria vazão às ideias de continuidade e transitoriedade. Esse é o pensamento que caracteriza a mundana companhia.

Essa companhia, de encontros conscientemente transitórios, recebe o adjetivo antes do substantivo e tem seu nome integralmente grafado com letras minúsculas. Esboça-se, assim, um projeto em constante construção por diversas mentes e mãos, num processo que pode ser chamado de “frátria”, em dissonância com a supremacia do ideário de pátria – tão caro à maioria das sociedades modernas. Essas especificidades nas relações internas se refletem nas relações com os espectadores e, obviamente, nos temas a serem investigados a cada novo projeto. Apesar de elaborado desde a virada do século, o primeiro trabalho deste núcleo artístico só foi realizado muitos anos depois.

O repertório da mundana companhia é formado pelas montagens: A Queda (2007), adaptação do romance de Albert Camus; Das Cinzas (2009), com texto de Samuel Beckett; O Idiota – uma novela teatral (2010), realizado a partir da obra homônima de Fiódor Dostoiévski; Tchekhov 4 – Uma Experiência Cênica (2010), primeiro trabalho do diretor russo Adolf Shapiro com atores brasileiros – montado por ocasião do centenário de Anton Tchekhov; Pais e Filhos (2012), com encenação adaptada do romance homônimo de Ivan Turguêniev, mais uma vez dirigida por Adolf Shapiro; O Duelo (2013), criado a partir da novela de Tchekhov, que foi a temporada anterior da mundana companhia na cidade de Curitiba em 2014. Atualmente, está apresentando a peça Dostoiévski Trip, de Vladímir Sorókin, com direção de Cibele Forjaz, numa coprodução com a Cia Livre.

Serviço:
Teatro: Na Selva das Cidades – Em Obras
Local: CAIXA Cultural Curitiba. Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Curitiba (PR).
Data: 02 a 04 de março de 2018 (sexta a domingo)
Horário: sexta às 20h; sábado às 17h e às 20h; e domingo às 18h.
Ingressos: Vendas a partir de 24 de fevereiro (sábado). R$ 10 e R$ 5 (meia – conforme legislação e correntistas que pagarem com cartão de débito CAIXA). A compra pode ser feita com o cartão vale-cultura.
Bilheteria: (41) 2118-5111 (De terça a sábado, das 12h às 20h. Domingo, das 16h às 19h.)
Classificação etária: 14 anos
Lotação máxima: 125 lugares (2 para cadeirantes)
Debate com os criadores: 04 de março, às 15h, com entrada franca.

Informações e entrevistas:
Maria Celeste Corrêa – (41) 9 9995 0169 / 9 8786 4465
maria.correa@grupoinforme.com.br
fernandezcorreamc@gmail.com