COM NECROFILIA E MUITO SANGUE, DRAG QUEEN DALVINHA BRANDÃO LANÇA SEU PRIMEIRO CLIPE

Psicopata do Amor lembra os clássicos da música brega com uma pegada disco 80

O que você faria se matasse alguém? Segundo a drag queen Dalvinha Brandão, foi dessa pergunta que surgiu “Psicopata do Amor”, cujo clipe será lançado quinta (17). Na letra, uma mulher mata o companheiro e divaga sobre como vai ser sua vida a partir desse momento. Num diálogo imaginado com o morto, ela se prepara mentalmente pra abrir mão de tudo o que tinha na vida.

“Eu sempre gostei de músicas que contam histórias tristes. Na música brasileira tem muito disso, essas letras trágicas, Teixeirinha, Diana, Amado Baptista. Eu escuto muito esse tipo de música, são as primeiras referências que me apareceram na hora de compor”, conta Dalvinha. “Tem um humor nisso, que é do over, do exagero, mas que ao mesmo tempo eu acho realmente bonito e comovente”, continua a drag, que há 10 anos atua como comediante e agitadora cultural.

Como contraponto, a produção musical de Jo Mistinguett trouxe uma mistura de referências, como o ska e a disco music dos anos 1980. O objetivo era criar uma sonoridade que remetesse a muitas coisas que as pessoas já ouviram, mas ao mesmo tempo não coubesse em nenhuma categoria definida. A gravação ainda contou com a participação de Amira Massabki, que tocou baixo e guitarra, e Simone Magalhães que fez os vocais.

Entre o início das gravações e a finalização da faixa foram quase três anos. “O trabalho que elas fizeram era impecável, só que eu canto muito mal, então quando colocava a minha voz em cima dos instrumentos era quase outro assassinato, eu não gostava do resultado. Acabei dando uma pausa na ideia até sentir firmeza pra cantar e entender o meu jeito de fazer aquilo”.

Doce de fígado
O clipe, dirigido pela cineasta Juliana Sanson, mostra o momento após o assassinato, em que a personagem interage com o cadáver, interpretado pelo ator Luiz Bertazzo, numa cozinha típica de classe média. Com o corpo do companheiro à sua disposição, ela aproveita pra se despedir, enquanto elucubra sobre qual será o seu futuro.

Sobre as gravações, ela conta: “Desde o começo eu sabia que a gente ia usar vísceras de bicho em algum momento. A Fabi (Melatte, diretora de arte) tinha preparado miúdos de galinha e de boi, com sangue cênico, de glucose, pra serem as tripas do cadáver. Eu falava ‘eu vou comer isso no clipe, eu não tenho frescura, eu sou artista’. Mas, olha, colocar um pedaço de fígado cru e doce na boca é uma sensação que não dá pra apagar da memória”.

Em outro plano, imaginário, uma boate disco, a personagem se imagina dançando acompanhada de drag queens e kings. Ali eles dançam uma coreografia, de Cleiton Demian e Lucas Valério, que traduz de forma bem literal trechos da letra.

O clipe será lançado em uma festa em Curitiba onde os fãs verão o trabalho em primeira mão. Será na próxima quinta-feira (17) no espaço mais tradicional da cena rock curitibana, o 92 graus. Os ingressos custam R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada) e serão vendidos apenas no dia direto na bilheteria do local.

Serviço:
Lançamento do clipe “Psicopata do amor”
Onde: Youtube e Facebook
Quando: 17/10
www.facebook.com/dalva.brand/
www.youtube.com/channel/UCvRkgSIZkwagbivkB-Q4mQg

Festa de lançamento em Curitiba
Dalvinha Brandão + Ankou + Jeruza Miller
Performances de Carmen Von Blue, Deborah Black, Dandara Swinton, Ayana Lua, Zeolda e AnaConda
MC: Juana Profunda
Discotecagem: W.H.O. e Juana Profunda
Dia 17/10, a partir das 21h30
92 Graus The Underground Pub
Av. Manoel Ribas, 108. Tel.: (41) 99919-1492
Ingressos a R$30 e R$15 (meia entrada)
FOTOS DE SHOW (por MONICA LACHMANN): 

EVENTO NO FACEBOOK: 
www.facebook.com/events/520538395181164/

OS PÁLIDOS

Os Pálidos. Foto: Elenize Dezgeniski

A CiaSenhas de Teatro, dentro das ações do Projeto CiaSenhas ACIONA!, volta em curta temporada no Centro Cultural SESI  Heitor Stockler de França, em Curitiba, com o espetáculo Os Pálidos. As apresentações acontecem a partir de 3 de julho, de terça a sábado,  sempre às 20h00. A entrada é Pague Quanto Quiser.

O espetáculo Os Pálidos foi criado a partir de dois polos: a relação com o espectador (já experimentada em outros trabalhos do grupo) e a reflexão sobre estados de inércia, paralisação e anestesia em um ato urgente de pensar o mundo e a cena. 

Os Pálidos tem como ponto de partida dois clássicos de Luis Buñuel: O Anjo Exterminador e O Discreto Chame da Burguesia.

A peça, com texto e direção de Sueli Araujo, acontece em dois ambientes simultaneamente, dividindo a plateia, mas mantendo uma conexão permanente entre os espaços e com “os públicos”. Em cena, ao invés de personagens tradicionais, os atores exploram vozes contraditórias, visões de mundo e formas de pensamento e conduta que tentam forjar uma atitude, construir um gesto que faça a diferença no mundo. Porém, são seres paralisados, medicados e em estado de absoluta suspensão. Em dissonância a este estado das coisas, a cena é revestida com diversos tipos de plantas, investindo na possibilidade de percepção da vida para além da quase morte e apatia das figuras da montagem.

Ao mesmo tempo em que o espetáculo aciona um tipo de humor desestabilizante e estabelece pontos de relação com o espectador, cria espaços de discussão sobre criação de condições de sobrevivência e de formas de estar junto. São situações em que um tipo de micropolítica está sugerida. 

Em Os pálidos, artistas e público, buscam saídas e entradas em um jogo potente de presença. Trabalha com a ideia de que, segundo Eliane Brum: estamos “Esvaziados de ilusões e de formas, aquele que precisa construir um rosto tem medo. Em vez de disputar democraticamente, o que dá trabalho e envolve perdas, prefere o caminho preguiçoso da adesão. E adere àquele que grita, saliva, vocifera, confundindo oportunismo com força, berro com verdade.” É sobre o contexto atual que vivemos e sobre escolhas. 

FICHA TÉCNICA
Dramaturgia e Direção – Sueli Araujo
Atuação: Anne Celli, Ciliane Vendruscolo, Greice Barros, Luiz Bertazzo, Rafa di Lari e Sueli Araujo
Direção de Movimento – Cinthia Kunifas
Cenário e Figurino – Paulo Vinícius
Designer de Som – Ary Giodani
Designer de Luz – Wagner Corrêa
Direção de Produção – Marcia Moraes
Produção Executiva – Edran Mariano
Designer Gráfica – Adriana Alegria
Assessoria de Imprensa – Fernando de Proença
Fotos – Elenize Dezgeniski

SERVIÇO:
OS PÁLIDOS
de 03 a 07 de julho de 2018
terça a sábado às 20h  no Centro Cultural SESI  Heitor Stockler de França (Mal. Floriano Peixoto, 458, centro de Curitiba)
Entrada: PAGUE QUANTO QUISER
Confira a página do evento, aqui

OBSCURA FUGA DA MENINA APERTANDO SOBRE O PEITO UM LENÇO DE RENDA

Fotografia: Elenize Dezgeniski

A CiaSenhas de Teatro, dentro das ações do Projeto CiaSenhas ACIONA!, volta em curta temporada no Teatro Novelas Curitibanas, com o espetáculo Obscura fuga da menina apertando em seu peito um lenço de renda. As apresentações acontecem a partir de 25 de maio; de quinta a domingo,  sempre às 20h00. A entrada é Pague Quanto Quiser.

Obscura fuga da menina apertando em seu peito um lenço de renda é o segundo texto do autor argentino Daniel Veronese encenado pela CiaSenhas de Teatro. O espetáculo apresenta ao espectador a ideia de um teatro seco, presente em todas as dimensões da encenação, assinada por Sueli Araujo. O objeto dramático é exposto despudoradamente, permitindo uma variação constante de possibilidades expressivas não convencionais onde a subjetividade entra em contraste com a objetividade da cena teatral.

Em cena um pai e uma mãe se debatem com as incertezas que envolvem o repentino desaparecimento de Martina, sua filha. As recordações e recriminações são os topos das lamentações e desesperos gerados pela ausência da filha. As duvidas aumentam com a chegada de um namorado secreto, uma amiga-namorada e um carteiro.

A busca de um culpado e a ausência de explicação sobre o desaparecimento da personagem provocam situações grotescas onde cada um tenta sobrepor sua justificativa sobre a realidade da perda imanente, expondo a disputa pelo amor e a dificuldade de aceitação da perda. Os personagens oscilam entre o desespero e o patético em universos contraditórios criados para suportar a Perda, representada pela ausência de Martina.

O universo fictício proposto pela obra se estabelece como impossibilidade entre o real e a representação. A narrativa será conduzida por personagens em estados emocionais alterados cuja dilaceração psíquica está relacionada a momentos de grandes perdas e desolação.

No texto Equívoca fuga de Señorita, apretando um pañuelo de encaje sobre su pecho (título original) o autor expande a fronteira entre o lírico e o grotesco, narrativa e drama, personagens e atores. A insinuação entre realidade, mentira e verdade serve como estratégia para impulsionar novas percepções sobre a complexidade do universo proposto em seus textos.

Em Obscura fuga da menina apertando sobre o peito um lenço de renda, a plateia e os atores habitam um espaço de tensão entre real e ficção. É nas alternâncias do público como espectador de uma fábula insolúvel ou cúmplice da percepção da realidade dos afetos que a dimensão universal e contemporânea se estabelece.

Ficha Técnica:
Texto: Daniel Veronese
Direção: Sueli Araujo
Tradução: Isabel Cristina Jasinski
Atores: Ciliane Vendruscolo, Greice Barros, Luiz Bertazzo, Anne Celli  e Rafael di Lari
Preparação Corporal: Cinthia Kunifas
Iluminação: Wagner Corrêa
Figurino: Amabilis de Jesus
Cenário: Paulo Vinícius
Maquiagem: Marcia Moraes
Desenho de Som/Trilha Sonora: Ary Giordani
Direção de Produção: Marcia Moraes
Assistência de Produção: Edran Mariano
Assessoria de Imprensa: Fernando de Proença
Programação Visual: Adriana Alegria
Fotografia: Elenize Dezgeniski

SERVIÇO:
OBSCURA FUGA DA MENINA APERTANDO SOBRE O PEITO UM LENÇO DE RENDA
de 24/05 a 03/06 – quinta a domingo às 20h no Teatro Novelas Curitibanas (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1222, centro, Curitiba )
Entrada: PAGUE QUANTO QUISER
Fanpage: www.facebook.com/CiaSenhasDeTeatro/
Confira a página de evento, aqui