CANAL “HISTÓRIAS DA AILÉN” ESTREIA PROGRAMAÇÃO INÉDITA COM CONTAÇÕES DE HISTÓRIAS DE AUTORES CURITIBANOS

Canal “Histórias da Ailén” estreia programação
inédita com contações de histórias de autores curitibanos

O projeto, idealizado pela artista Ailén Roberto, reunirá 10 contações de histórias de livros escritos por autores curitibanos com tradução para libras e bate-papos sobre literatura para crianças.

Já que não podemos sair de casa, que tal viajar pelas histórias de autoras e autores de Curitiba? Esse é o convite do projeto inédito “Curitiba – literatura e histórias”, que acontecerá de 05 a 24 de abril de 2021 através do canal do YouTube Histórias da Ailén. Ao todo, serão publicadas 10 contações de histórias inéditas com tradução para libras e bate-papos online com os autores participantes.

A curadoria dos livros que integram o projeto foi realizada pela atriz e contadora Ailén Roberto a partir do acervo do Coletivo Era Uma Vez, grupo colaborativo de escritores e ilustradores de literatura infantil e juvenil, que produz em Curitiba para leitores de toda parte do mundo. “Eu já tinha uma aproximação com alguns autores do Coletivo Era Uma Vez, mas a partir deste projeto pude conhecer a fundo a produção dos autores e ilustradores contemporâneos de Curitiba que se dedicam com muita seriedade e sensibilidade à literatura para crianças. O projeto tem o objetivo de criar uma ponte entre os autores e os pequenos leitores / espectadores por meio das novas tecnologias”, explica a atriz Ailén Roberto.

As histórias selecionadas apresentam diferentes personagens e paisagens: de leão mandão que só sabe dizer não que surge por meio das rimas da escritora Delma Maria Lucchin no livro “Onde tem ão tem confusão” à delicadeza de uma menina que tenta desvendar os mistérios do amor e do mar no livro “Coração Submarino”, do escritor Lucas Buchile. Diferente do mundo real, a imaginação não tem limites geográficos nem pandêmicos.

Além disso, a programação do projeto “Curitiba – Literatura e histórias” realizará bate-papos com os autores dos livros nos dias 10, 17 e 24 de abril no formato live através do canal Histórias da Ailén. “Essa é uma forma de dialogar com crianças, pais e educadores sobre a produção literária da nossa cidade. ”, considera Ailén Roberto, que também fará a mediação dos encontros.

No dia 26 de março de 2021, o projeto já promoveu uma oficina formativa para os professores da rede municipal de ensino de Curitiba ministrada pelo Prof. Dr. Cleber Fabiano sobre Literatura Moderna Infantil e no dia 09 de abril de 2021 realizará a oficina “Poemagia, Poesia e Infância”, que será ministrada pela Adriana Barretta Almeida ação está também voltada para os professores da rede municipal de ensino.

Ficha Técnica
Direção, atuação e roteiro: Ailén Roberto
Captação e edição de imagens: Daniel Santoro
Tradução para libras: Fluindo Libras (Viviana Rocha)
Produção: Surya Roberto
Designer gráfico: Gabriel Rischbieter
Web designer: Penta Kill
Assessoria de imprensa e redes sociais: Larissa de Lima
Apoio: Coletivo “Era uma vez”
Coordenação Coletivo Era Uma Vez: Josiane Mayr Bibas
Realização: Colorín Colorado Produções Artísticas

Serviço
Curitiba – literatura e histórias
> Contações inéditas e bate-papos com autores curitibanos disponibilizados gratuitamente no canal do YouTube Histórias da Ailén.

Programação Completa | De 05 a 24 de abril de 2021

Contação: Onde tem ão tem confusão
Autora: Delma Maria Lucchin
Quando? 05 de abril às 11h

Contação: À espera do Sol
Autora: Rapha Nunes
Quando? 07 de abril às 11h

Contação: Cheiros
Autora: Celia Cris Silva
Quando? 09 de abril às 11h

Bate-papo: Célia Cris Silva, Ana Rapha Nunes e Delma Maria Lucchin
Mediação: Ailén Roberto
Quando? 10 de abril às 19h

Contação: A coceira de Bartolomeu
Autora: Josiane Mayr Bibas
Quando? 12 de abril às 11h

Contação: Pitico e a Gata Branca
Autora: Rosy Greca
Quando? 14 de abril às 11h

Contação: O ovo do bolo
Autora: Marilza Conceição
Quando? 16 de abril às 11h

Bate-papo: Marilza Conceição, Rosy Greca e Josiane Mayr Bibas
Mediação: Ailén Roberto
Quando? 17 de abril às 19h

Contação: Passarinho às oito e pouco
Autora: Jaqueline Conte
Quando? 19 de abril às 11h

Contação: Coração Submarino
Autora: Lucas Buchile
Quando? 21 de abril às 11h

Contação: Meu amigo Boris
Autora: Veronica Fukuda
Quando? 22 de abril às 11h

Contação: Viagem pelo Jardim
Autora: Álvaro Posselt
Quando? 23 de abril às 11h

Bate-papo: Álvaro Posselt, Veronica Fukuda, Lucas Buchile e Jaqueline Conte
Mediação: Ailén Roberto
Quando? 24 de abril às 18h

Instagram: @historiasdaailen
Facebook: https://www.facebook.com/historiasdaailen
YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCAz42sUWVKaC3rpZo97E5-g

Assessora de Imprensa: Larissa de Lima | 41-98510-6389. Crédito fotografia:  Daniel Santoro

PROJETO REALIZADO COM RECURSOS DO PROGRAMA DE APOIO E INCENTIVO À CULTURA – FUNDAÇÃO CULTURAL DE CURITIBA, DA PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA E DO MINISTÉRIO DO TURISMO.

TODAS AS INFORMAÇÕES CONSTANTES NESTA OBRA SÃO DE RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO AUTOR.

UM CANTO ANAERÓBICO / WELLINGTON MÜLLER BUJOKAS

Copiamos texto e foto do site da Editora Quelônio

Você pode adquirir o segundo livro do poeta Wellington Müller Bujokas através do site da Editora Quelônio, aqui. O lançamento será dia 6/3, pelo Instagram da Quelônio

Um canto anaeróbico
Wellington Müller Bujokas
Editora Quelônio
Gênero: Poesia
Capa: Julia Contreiras
Posfácio: Roberto Medina
ISBN: 978-65-87790-06-0
Formato: 21,5 x 15,6 cm
104 pp.
Valor:
Preço normal: R$48.00.
Preço promocional:  R$36.00 (está com 25% de desconto por ser pré-venda)
Através do site da Quelônio, neste link

“Um canto anaeróbico é um conjunto de poemas ou de fragmentos poéticos que se entrelaçam em um longo poema, dialogando de maneira inventiva com a tradição épica, com as vanguardas e com a poesia concreta. Segundo livro de poemas do escritor e diplomata Wellington Müller Bujokas, combina a dicção de um épico abreviado, que pode ser lido de um só fôlego, a uma investigação pessoal sobre as dimensões formais da palavra poética, o sentido do vivido e os limites da comunicação verbal.

O conjunto reúne uma produção poética de alta voltagem experimental, conjugando a disposição dos signos verbais no espaço da página com um ritmo intenso e não musical. A poesia do autor promove a investigação minuciosa das palavras por meio de neologismos, polissemia, contrações e outras formas de renovação do léxico.

Os versos se dispõem em tamanhos e andamentos variados, em um estilo que envereda pela dicção paródica das vanguardas e da poesia moderna e também explora o branco das páginas, em diálogo com o concretismo.

A sonoridade desse canto poético contemporâneo inclui elementos da oralidade e contempla a visualidade experimental dos poemas, dispostos na página de acordo com o ritmo e com os efeitos de um verbo que se revela falho, mas sempre tateante, em busca de uma palavra original, mesmo que o sentido do que se diz não esteja clarividente.

A poética do autor traduz, por meio de procedimentos incomuns, temas de grande atualidade e ao mesmo tempo seculares: a relação do eu com o mundo, a (in)comunicabilidade, a subjetividade, o tempo, a memória, o padecimento, o sufocamento, a sobrevivência, a reflexão sobre o próprio fazer literário.

No posfácio, Roberto Medina destaca que, nessa poética, o esgarçamento da palavra é também o esgarçamento do mundo, um mundo a que os poemas se referem e que buscam traduzir, mas sem verdade cabal.

A edição da Quelônio procura intensificar o efeito visual dos poemas por meio de algumas soluções propostas pelo autor e que foram trabalhadas no projeto gráfico. O livro é impresso em off-set, com texto em preto e algumas ocorrências de pantone vermelho. Utilizou-se um carimbo para agregar uma terceira cor, o verde utilizado pelo autor em uma palavra de um dos poemas. Os 300 exemplares do livro foram carimbados, tornando cada exemplar único. A designer Júlia Contreiras utiliza as fontes Futura e Garamond para potencializar a visualidade e a legibilidade dos poemas, que investigam justamente o esgarçamento do signo verbal.

SOBRE O AUTOR:
Wellington Müller Bujokas nasceu em 1982 em Itararé (SP) e passou a infância em Barão de Antonina, interior de São Paulo. Na juventude, transferiu-se para Curitiba, onde se formou em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná. Posteriormente tornou-se diplomata e mudou para Brasília. Trabalhou em Astana (hoje Nur-Sultan) no Cazaquistão, e em Moscou. Atualmente mora em Baku, no Azerbaijão. É autor de Estudos (Travessa dos Editores, 2012). Um canto anaeróbico é seu segundo livro de poemas.

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PRODUTORA CULTURAL ISADORA FLORES LANÇA O “LABORATÓRIO GARRA!”, PROJETO QUE OFERECE CURSO PROFISSIONALIZANTE E OFICINAS GRATUITAS PARA JOVENS DA CULTURA

Terão prioridade nas inscrições agentes culturais com idade entre 16 e 25 anos, pretos, pardos, indígenas, mães solo, LGBTQIA+, Pessoas com Deficiência e de baixa renda. 

A primeira edição do projeto “Laboratório Garra!” acontece entre os meses de fevereiro e março de 2020 de forma online e gratuita. O projeto é um ambiente de formação voltado para pessoas interessadas em produção cultural, sobretudo da área da música. Além de um curso profissionalizante de maior duração com a produtora e idealizadora do projeto Isadora Flores, serão realizadas sete oficinas gratuitas de temas variados com profissionais atuantes da cena cultural: Bina Zanette, Brenda Santos, Carolina Wanderley, Gilmar Kaminski, Helena Sofia, Julie Fank e Luana Angreves.

As inscrições estão acontecendo pela página: www.lnk.bio/garralab, e vão até dia 29 de janeiro para o curso profissionalizante, e para as outras oficinas se estendem até dia 19 de março de acordo com o calendário de Oficinas. 

O curso de maior duração – com carga horária de 21h – dará direito ao registro profissional de “Diretor/a de Produção” emitido pelo SATED-PR (os custos com o Registro serão cobrados pelo SATED/PR). Terão prioridade nas inscrições agentes culturais com idade entre 16 e 25 anos, pretos, pardos, indígenas, mães solo, LGBTQIA+, Pessoas com Deficiência e de baixa renda. O projeto tem incentivo da Fundação Cultural de Curitiba, através da Lei de Incentivo à Cultura do Município e da Lei Aldir Blanc – Lei Federal de Emergência Cultural (Lei que dispõe sobre ações emergenciais destinadas ao setor cultural a serem adotadas durante o estado de calamidade pública).

O nome do projeto, “Garra!” é um convite para agentes culturais que batalham na cena independente e são profissionais iniciantes, muitas vezes alheios às políticas de incentivo à cultura. O “Laboratório Garra!” também oferece a oportunidade para que mais pessoas tenham acesso a conteúdos de formação e direito a um registro profissional.

INFORMAÇÕES SOBRE AS OFICINAS
As inscrições para o Curso e todas as Oficinas acontecem pelo link: www.lnk.bio/garralab

1. “Curso de Produção” com a produtora Isadora Flores e participação de Gilmar Kaminski e Carolina Wanderley.
MÓDULO I: Leis de Incentivo, preparação de projetos, Mecenato Subsidiado e Lei Municipal de Incentivo de Curitiba)”
04 de fevereiro de 2021, das 09h às 12h
11 de fevereiro de 2021, das 09h às 12h
18 de fevereiro de 2021, das 09h às 12h
MÓDULO II: Profice – Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Paraná”
04 de março de 2021, das 09h às 12h
MÓDULO III: Lei Federal de Incentivo à Cultura”
18 de março de 2021, das 09h às 12h

2. Oficina: “Aspectos jurídicos básicos da produção cultural” com a advogada e consultora em direitos culturais e propriedade intelectual Carolina Wanderley (São Sebastião Cultura e Propriedade Intelectual)
20 de fevereiro de 2021, das 09h às 12h

3. Oficina: “Sonorização para produtores”, com a Produtora, cantora e compositora Helena Sofia (Estúdio Old Cat) – Dia 27 de fevereiro de 2021, das 09h às 12h

4. Oficina: “Uma festa de verdade! – Produção Cultural como laboratório de Experiências”, com a produtora cultural, criativa e pesquisadora Brenda Santos (Um Baile Bom)
Dia 06 de março de 2021, das 09h às 12h

5. Oficina: “NEM TUDO SÃO LIKES: da superfície à profundidade da comunicação digital”, com a comunicadora, seletora musical e ativista Luana Angreves (Cliteriosa)
Dia 13 de março de 2021, das 09h às 12h

6. Oficina: “Curadoria para projetos de música”, com a produtora e curadora Bina Zanette (Santa Produção)
Dia 13 de março de 2021, das 14h às 17h

7. Oficina: “Gestão administrativa e prestação de contas de projetos culturais”, com o produtor cultural e técnico em contabilidade Gilmar Kaminski (Flutua Produções)
Dia 20 de março de 2021, das 09h às 12h

8. Oficina: “Escrita para quem se (in/e)screve” com a escritora, professora e artista visual Julie Fank (ESC. Escola de Escrita)
Dia 27 de março de 2021, das 09h às 12h

Inscrições: https://lnk.bio/garralab

Ficha Técnica:
Coordenação: Isadora Flores
Coordenação de Produção e Gestão Financeira: Gilmar Kaminski
Produção Executiva: Vi Gabarda
Ministrantes: Isadora Flores, Bina Zanette, Helena Sofia, Julie Fank, Carolina Wanderley, Brenda Santos, Luana Angreves e Gilmar Kaminski
Videos: Alan Raffo
Design Gráfico: Brenda Santos
Assessoria de Imprensa: Luisa Bonin e Thays Cristine – Platea Comunicação e Arte
Realização: Isadora Flores I Produtora
Produção: Flutua Produções
Apoio: SATED-PR

PROJETO REALIZADO COM RECURSOS DO PROGRAMA DE APOIO E INCENTIVO À CULTURA – FUNDAÇÃO CULTURAL DE CURITIBA, DA PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA E DO MINISTÉRIO DO TURISMO.

OUTRAS PALAVRAS – PRÊMIO DE OBRAS LITERÁRIAS

O concurso público “Prêmio de Obras Literárias” irá selecionar e premiar textos de obras de romance, coletânea de contos e crônicas, coletânea de poesia, roteiro, dramaturgia, coletânea de ensaios críticos, pesquisa de cultura alimentar e livro ilustrado, escritas em língua portuguesa.

Cada obra literária selecionada receberá um valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Como contrapartida, as obras premiadas poderão ser publicadas pela SECC no prazo de até cinco anos. Para romance, coletânea de contos e crônicas, coletânea de poesia, roteiro, dramaturgia, coletânea de ensaios críticos e pesquisa de cultura alimentar, serão aceitas obras de 49 a 250 páginas de elementos textuais, seguindo as especificações da ABNT para formatação de texto. Já no caso de livros ilustrados, serão aceitas obras de 16 a 150 páginas, em tamanho A4, em PDF contendo texto e imagem integrados.

Inscrições até 20 de novembro.

Confira o edital, aqui

fonte: Superintendência da Cultura

EM SEU TERCEIRO ROMANCE, CEZAR TRIDAPALLI ABRE AS FERIDAS DE UM MUNDO EM EBULIÇÃO

“Vertigem do Chão” toca em temas urgentes como imigração, fanatismo, questões de gênero, corpo e territorialidade. 

Estar para não estar. Em seu terceiro romance, Vertigem do chão – que será lançando no dia 30 de novembro, às 16h, na Livraria da Vila –, o escritor Cezar Tridapalli, vencedor do Prêmio Minas Gerais com O Beijo de Schiller (2014), narra com sensibilidade e inteligência as vidas de dois homens em busca de suas identidades. Com um texto engenhoso e uma narrativa de fôlego, Tridapalli faz uma verdadeira investigação dos males do nosso século, criando um espelho partido com as esperanças e os medos dos protagonistas, o brasileiro Leonel e o holandês Stefan. 

Em um jogo de duplos, Leonel, um bailarino desencantado com a sua arte, abandona Curitiba para viver uma utopia em Utrecht, a mesma cidade que Stefan, um sujeito atlético e na corda banda moral diante do pensamento conservador do pai, troca pela capital das araucárias após o namorado ser assassinado por um fanático religioso. Tratando de temas delicados e urgentes – como a desterritorialização, a imigração, as questões de gênero, a incomunicabilidade e o radicalismo –, Tridapalli faz de Vertigem do Chão um retrato certeiro de um momento singular e cínico da História, em que o negacionismo e o revisionismo tomam a frente no debate. 

Longe de ser um romance político no sentido estrito, os personagens – diante do abismo pessoal e da ideia de fuga como libertação – representam as contradições da natureza humana. Por isso, cabe ao escritor simular uma arena de embates. Para Tridapalli, um dos papéis da literatura é, justamente, apresentar os conflitos que dão molde às relações entre os diferentes, trazer à tona fobias e emoções sem busca didática por respostas certas. “A rigor, nós não somos iguais a ninguém e essas lutas identitárias, que são fundamentais, fazem com que você se una a outra pessoa”, explica, “mas ainda assim, jamais será idêntico a alguém”. 

Nessa abordagem, ousada e bastante original, Cezar Tridapalli faz do livro um diálogo interessante com grandes obras da literatura contemporânea. Vertigem do Chão pode ser comparado a Sábado ou Máquinas como eu, ambos romances do escritor inglês Ian McEwan, em termos de linguagem e condução narrativa, mas se assemelha também aos polêmicos Plataforma e Submissão, de Michel Houellebecq, o enfant terrible francês, pela escolha dos temas e dilaceração das conclusões. 

Verdade 
Se por um lado Vertigem do Chão é um olhar amplo, por outro Leonel e Stefan são cronistas das cidades que escolheram. Como flâneurs na era da superinformação, esquadrinham as ruas com seus computadores e celulares, buscam pontos de contato com aqueles espaços urbanos, e com as pessoas que os ocupam, por meio dos bytes e bits em uma Babel cibernética. Ao mesmo tempo, enquanto caminham pela praça Santos Andrade ou pela Domplein, estão tateando um terreno movediço, um lugar que, sabem muito bem, não lhes pertencem. 

E, portanto, não existe verdade em Vertigem do Chão. Ao menos, não como um vidro blindado, impossível de ser quebrado. Segundo Tridapalli, o livro discute a ideia de individualidade, de certeza absoluta e da dificuldade de entender o interesse coletivo. “Nós somos a medida de todas as coisas”, avalia o escritor e afirma: “é essa propensão de nos colocarmos como se sempre estivesse claro o que é verdade, do mesmo modo que está claro para o outro”. 

Fotógrafo 
Desde o seu primeiro livro, Pequena Biografia de Desejos (2011), Cezar Tridapalli é um fotógrafo sem câmera. Como o personagem de outro curitibano, Cristovão Tezza – este por adoção, é verdade –, ou ainda, como os protagonistas de Janela Indiscreta e Blow Up, Leonel e Stefan observam e registram o mundo ao seu redor – mesmo que metaforicamente. São É nessas imagens, e em suas ampliações, que Curitiba e Utrecht ganham cor e forma, detalhes e minúcias, revelando seus pecadilhos e suas virtudes. 

Parte dessa dimensão plástica é o resultado da fabulosa construção narrativa do escritor que, em uma mesma frase, espelha as duas cidades. É um trabalho de ourives: uma técnica de lapidação da linguagem e de domínio da escrita. Vertigem do Chão, sem sombra de dúvidas, consolida Cezar Tridapalli como uma das grandes vozes da literatura brasileira contemporânea, capaz de dar um novo impulso para a vertigem em câmera lenta. 

Sobre o autor 
Cezar Tridapalli nasceu em Curitiba, em 1974. É escritor, professor e tradutor. Graduado em Letras e mestre em Estudo Literários pela Universidade Federal do Paraná, publicou Pequena Biografia de Desejos (7letras, 2011) e O Beijo de Schiller (Arte & Letra, 2014), livro vencedor do Prêmio Minas Gerais de Literatura. Escreve, semanalmente, crônicas para o jornal Plural e faz estudos de formação em psicanálise. É produtor executivo do festival literário Litercultura. 

Serviço 
Vertigem do Chão – Cezar Tridapalli
Editora Moinhos – 300 páginas – R$ 50 
Lançamento do livro Vertigem do Chão
Quando: 30 de novembro, às 16h
Onde: Livraria da Vila – Pátio Batel
Endereço: Av. do Batel, 1868 – Loja 314 – Batel, Curitiba – PR

“ERA O VENTO”, NOVO LIVRO DE CONTOS DE CARLOS MACHADO EXPLORA COM DELICADEZA A COMPLEXIDADE DOS NOSSOS TEMPOS

Os doze relatos que formam o volume tratam de questões como a imigração, as políticas sul-americanas e a incomunicabilidade diante do discurso non-sense.

A literatura do escritor e músico curitibano Carlos Machado é testemunha da mudança dos tempos e das pessoas. Seus personagens flutuam pelos espaços das cidades, desenhando pelas muitas ruas e esquinas uma trajetória a esmo, enquanto estão conscientes de que são sujeitos ausentes ou perdidos. Era o vento (140 páginas, Editora Patuá), que será lançado no dia 25 de maio, às 14h30, no Café Tiramisù, reúne contos escritos durante o trânsito do autor entre o Brasil e a Suíça, refletindo os caminhos que unem e apartam os seres humanos.

Para além do olhar sobre Curitiba, que é a figura central em muitos dos seus trabalhos anteriores, Machado constrói histórias que sustentam sobre temas como a inquietude frente ao outro, a (i)migração, a mobilidade e a imobilidade, as ditaduras, as guerras e o desejo de controle. “São temas que parecem distantes, mas que na verdade estão muito presentes”, explica o escritor, “e, por mais que eu achasse que tinha mudado o fio fundamental da minha obra – o desejo da solidão e o medo de ser solitário –, ele volta e se torna central outra vez, porém, transformado na busca por alguma coisa que nem sempre se sabe o que é”.

As narrativas se desenrolam em suas multiplicidades e variações, puxadas pelo anseio do autor em de viajar com o leitor para cada canto descrito nos contos. O olhar de Carlos Machado não se prende ao óbvio, ressignifica o cotidiano ao ler o mundo e interpretá-lo de uma maneira singela e muito pessoal.

Sangue latino
Em Era o vento, Machado volta a explorar aquele que foi o ponto de fuga em Balada de uma retina sul-americana (2004): a relação do brasileiro com a sua própria latinidade. Com sutileza e densidade, o conto “Latinoamérica” traça um olhar certeiro sobre a impossibilidade e resistência da construção de uma identidade em um continente como a América do Sul.

“Em nome do pai, amém” é um relato sensível, e às raias do expressionismo, que se desenvolve por meio das vidas de duas pessoas separadas pela guerra. Nos lugares ocupados pelas cidades existe somente um deserto e o vazio deixado pelo silêncio. “É o contraponto da minha multidão”, comenta Carlos sobre uma das suas obsessões literárias: a invisibilidade urbana.

“A Mesma moeda” é comovente ao tratar da imigração através das tradições familiares, tema que percorre também “Janela” e “A Visita”. Já “Renúncia”, conto escolhido para compor a antologia Off Flip 2019, narra, ao som da fadista Amália Rodrigues, a separação de um casal durante uma viagem à terra de Cabral. “Malheureusement, mon cher” é como filme da nouvelle vague: ruas, casais que se encontram e desencontram nos labirintos e cruzamentos, que usam as palavras como facas ou papel picado jogado ao vento. São pessoas que vão e vêm, passando à vista do narrador sentado na janela de um café. É como se a garota de Ipanema passeasse em um doce balanço no Calçadão da Rua XV.

Conflito
Os doze textos de Era o vento são uma anatomia do conflito e da inércia que, não por acaso, dá nome ao conto que abre o livro. À medida em que as diferenças se assomam, os abismos se aprofundam e se tornam intransponíveis. Para compor esse cenário, Carlos Machado brinca com os idiomas. O português, o francês e o alemão se misturam para (de)mo(n)strar as barreiras e rupturas possíveis. “As linguagens carregam todas características culturais e sociais de um povo. Quando muda o idioma, você não está alterando só as palavras, mas todo o conceito. Se um personagem fala em alemão, ele rompe o que se esperava. E aí vem outra questão: o que significa ser alemão?”

O conto “Criar raízes” é, com inteligência, uma antítese de seu próprio título. Novamente, um casal que procura na cidade as razões para que as relações – entre si e com o mundo – continuem existindo tal qual o dilema do alpinista, proposto por de Reinhold Messner: a ironia entre a inutilidade e a necessidade de escalar uma montanha.

E a montanha pode ser a metáfora para tudo. Elias, protagonista do conto que dá título ao volume, vive ensimesmado entre a vida de solteiro, suas inúmeras possibilidades, e o fardo, cada diz mais pesado, de precisar ter uma esposa e filhos. O mesmo mal acomete o personagem de “Apenas uma perspectiva”, um homem que almoça sozinho aos domingos, vítima da pena de quem senta nas mesas próximas. Na contramão das expectativas, aquele sujeito, à primeira vista solitário, é o único que pode, sem concessão alguma, chegar, sentar onde bem entender e sair na hora que quiser.

Com Era o vento, Carlos Machado se consolida como um dos grandes narradores contemporâneos, capaz de examinar sem hipocrisia a fragilidade das relações humanas e extrapolar os limites geográficos da sua literatura.

Sobre o autor
Carlos Machado nasceu em Curitiba, em 1977. É escritor, músico e professor de literatura e línguas estrangeiras. Publicou os livros A Voz do outro (contos 2004, 7Letras), Nós da província: diálogo com o carbono (contos 2005, 7Letras), Balada de uma retina sul-americana (novela 2006, 7Letras), Poeira fria (novela 2012, Arte & Letra), Passeios (contos 2016, 7Letras) e Esquina da minha rua (novela 2018, 7Letras).

Tem contos e outros textos publicados em diversas revistas e jornais literários (Revista Oroboro, Revista Ficções, Revista Ideias, Revista Philos, Revista Arte e Letra, Jornal Rascunho, Jornal Cândido, Jornal RevelO etc.), participação nas antologias “48 Contos Paranaenses” (2014), organizada por Luiz Ruffato e “Curitiba Literária” (2019) com a curadoria de Rogério Pereira. Foi finalista do prêmio Off Flip de literatura (contos) 2019.

Na música, lançou os CDs Tendéu (2008), Samba portátil (2010), Longe (2012), o DVD ao vivo (Teatro Guairinha) Longe e outras canções (2012), o trabalho em espanhol Los Amores de paso (2013), Bárbara (2015) e DESencontro (2017), seu trabalho mais recente.

Para saber mais, acesse: www.carlosmachadooficial.com

Serviço:
Era o vento (140 páginas, Contos)
Carlos Machado
Editora Patuá
R$ 40

Lançamento | Era o vento
Quando: 25 de maio, sábado | 14h30
Local: Café Tiramisù – anexo ao Museu Guido Viaro
Endereço: Rua XV de Novembro, 1330 – Centro, Curitiba – PR
Telefone: 41-99994-4580