BUTŌ OCUPA CURITIBA COM DANÇA, PERFORMANCE E CORPOS EM TRANSFORMAÇÃO

E se o corpo não precisasse estar sempre funcionando? E se o cansaço, a fragilidade, a deformação e até a morte também pudessem ser matéria de criação? É a partir dessas perguntas que “Liturgia dos Escombros – Mostra de butō contemporâneo” chega a Curitiba. Fruto de uma iniciativa independente dos próprios artistas e produtores envolvidos, a mostra ocupa o Espaço KÀ de Artes e a Casa Hoffmann, entre 18 e 22 de setembro, com performances, cine-butō, oficinas e conversas.

Idealizada pelo butōista Lucca Lírio e pelos dançarinos de butō Beatriz Marçal e Caio Frankiu, com direção e curadoria de Lucca, a mostra parte de uma linguagem nascida no Japão do pós-guerra, que rompeu com padrões tradicionais de beleza, virtuosismo e representação. Inspirada nas linhagens de Tatsumi Hijikata, Kazuo Ohno e Yoshito Ohno, Liturgia dos Escombros aproxima o butō de questões do presente: exaustão, ancestralidade, desejo, precariedade, memória, morte e transformação. “O butō não começa perguntando como um corpo deve parecer. Ele pergunta o que esse corpo carrega, o que o atravessa e o que ainda pode nascer dele. Olhar para a fragilidade pode ser um gesto radical”, afirma Lucca Lírio.

Dois espaços, duas atmosferas
A programação foi pensada em duas frentes curatoriais, criando experiências distintas para o público. No Espaço KÀ acontece o SOMOS KÀ-baret, programação paga que recupera uma dimensão experimental, noturna, erótica e marginal ligada às primeiras experiências do butō. Em diálogo com o Ankoku-Butō, a “dança das trevas” de Tatsumi Hijikata, a programação mistura performances ao vivo, cine-butō, registros históricos e festejos.

Entre os trabalhos estão performances ao vivo e transmissão de vídeo-dança butō, além de vídeos de arquivo da história do Butō e outras produções audiovisuais. “O Espaço KÀ permite uma relação mais carnal, excessiva e indisciplinada com o butō. É um espaço em que a performance pode acontecer junto com o cinema, a música, o encontro e a presença do público”, explica Beatriz Marçal.

Na Casa Hoffmann, as apresentações de 20 a 22 de setembro são gratuitas e assumem uma atmosfera mais ritualística, meditativa e fantasmagórica, aproximando-se das poéticas de Kazuo Ohno e da transmissão de Yoshito Ohno. “Nesse segundo polo da nossa mostra, decidimos honrar a linhagem mais onírica e surreal que chega até nós de Kazuo e Yoshito Ohno, onde se dança com os Ancestrais, dança-se com quem já não está mais aqui nesse plano, encontrando-se no limiar de vida. A morte aqui existe como um último suspiro, um alívio do retorno ao éter primordial” afirma Lucca.

Corpos que viram memória, criatura e paisagem
Nas performances, os corpos deixam de ser apenas instrumentos para se tornar matéria, arquivo, paisagem, criatura, fantasma e raiz.

Entre os trabalhos apresentados estão Bloodline Ritual: O que os Ancestrais deixam no corpo, de Lucca Lírio; A Morte que Nela Habita, de Beatriz Marçal; Cyber, de Alessandra Giacomoni; Kanashibari Hypnagógico, de Bruno Sanctus; Pollen-Pólem(os), de Caio Frankiu; Anemia, de Dani Durães; e Butōsei no YoaKe (Alvorecer Butônico): Uma raiz que atravessa o futuro, criação coletiva dos cinco artistas citados anteriormente sobre transmissão, transformação e continuidade. “O corpo é também espaço. Quando ele ocupa, desloca ou transforma um lugar, cria outra relação com a cena e com quem está assistindo. É esse cruzamento entre corpo, espaço e dramaturgia que atravessa o meu trabalho”, afirma Caio Frankiu.

Quando o butō sai do palco
A mostra também abre espaço para formação e pesquisa. Na Casa Hoffmann, a programação inclui as oficinas Karada – O Corpo Vazio, MA – O Espaço-Entre, além da Roda de Conversa Butô: Origem e História.

Antes da abertura da mostra, no dia 13 de setembro, a Casa Hoffmann recebe, dentro da programação Portas Abertas, a oficina Butô: Inclusão Radical. A atividade é gratuita e aberta a diferentes corpos, idades e habilidades, sem necessidade de experiência anterior em dança.

A proposta parte de uma provocação: e se a fragilidade também fosse beleza? “Existe uma ideia de que determinados corpos precisam ser consertados antes de ocupar uma cena. A gente quer fazer o contrário: começar pelo corpo que existe, com suas marcas, seus limites, sua história e suas possibilidades. O butō começa aí”, afirma Lucca.

A pesquisa também ultrapassa o palco. Lucca Damilano e Nabylla Fiori de Lima tiveram aprovada no 1º Congresso de Dança da UNESPAR a pesquisa Butō como prática de cultivo: investigando a fronteira entre vida e cena, que será apresentada durante o Seminário de Pesquisa Acadêmica, realizado de 14 a 18 de setembro, em Curitiba. O estudo investiga o momento em que o viver cotidiano pode se transformar em dança, a partir da compreensão do butō como uma prática de cultivo, borrando as fronteiras entre arte e vida.

Entre o cabaré e o ritual, o grotesco e o sublime, a sombra e a flor, Liturgia dos Escombros aproxima diferentes linhagens, corpos e modos de criação. Para Lucca, “um corpo que não precisa ser perfeito para estar em cena. Um corpo que pode parar, desaparecer, se transformar, e continuar”, finaliza.

SERVIÇO:
LITURGIA DOS ESCOMBROS – Mostra de butō contemporâneo
Data: 18 a 22 de setembro de 2026
Espetáculos de Classificação: 14 anos

SOMOS KÁ-BARET
De: 18 e 19 de setembro | 19h às 22h
Local: Espaço Kà de Artes (Rua Treze de Maio, 506 – Centro)
*Performances, cine-butō, vídeos e registros históricos.

Ingressos via Sympla aqui

LITURGIA DOS ESCOMBROS
De: 20, 21 e 22 de setembro
Local: Casa Hoffmann (Rua Dr. Claudino dos Santos, 58 – São Francisco)

Horarios: 9h às 13h: oficinas e formação | 14h às 18h: ensaios técnicos | 19h às 22h: performances

*Apresentações gratuitas, retirada de ingressos com uma hora de antecedência. Oficinas gratuitas mediante inscrição., no link: aqui

PORTAS ABERTAS
Dia: 13 de setembro | domingo | 9h às 13h | Casa Hoffmann

Oficina Butô: Inclusão Radical

*Atividade gratuita, aberta a diferentes corpos, idades e habilidades. Não é necessário ter experiência anterior em dança. Inscrições na hora.

Instagram: @pocoependulo | @espacokadeartes

PROGRAMAÇÃO:

A programação começa no dia 13 de setembro, antes da abertura oficial da mostra, com a Oficina Butô: Inclusão Radical, realizada das 9h às 13h na Casa Hoffmann, dentro do projeto Portas Abertas. Gratuita, a atividade é voltada a diferentes corpos, idades e habilidades, sem necessidade de experiência anterior em dança.

Nos dias 18 e 19 de setembro, o Espaço KÀ recebe, das 19h às 22h, o SOMOS KÁ-baret, reunindo performances, cine-butō, vídeos e registros históricos, e uma programação audiovisual dedicada ao universo do butō. A entrada com 3 lotes e venda na hora.

De 20 a 22 de setembro, a Casa Hoffmann concentra a programação principal de Liturgia dos Escombros, com atividades formativas pela manhã e performances à noite. No dia 20, o público poderá assistir a Bloodline Ritual: O que os Ancestrais deixam no corpo, de Lucca Lírio; A Morte que Nela Habita, de Beatriz Marçal; e Butōsei no YoaKe (Alvorecer Butônico): Uma raiz que atravessa o futuro, criação coletiva.

No dia 21, a programação reúne Cyber, de Alessandra Giacomoni; Kanashibari Hypnagógico, de Bruno Sanctus; e novamente Butōsei no YoaKe. Já no dia 22, são apresentados Pollen-Pólem(os), de Caio Frankiu; Anemia, de Dani Durães; e a criação coletiva Butōsei no YoaKe. As apresentações na Casa Hoffmann são gratuitas.

A programação formativa inclui as oficinas Karada – O Corpo Vazio, MA – O Espaço-Entre, a Roda de Conversa Butô: Origem e História e a partitura imagética e corporal do butō. As atividades são gratuitas mediante inscrição.

20 de setembro – Oficina Butō: Karada, O corpo vazio
Manhãs | 9h30 às 13h30 | R$ 75,00 a Inteira

21 de setembro – Oficina Butō: MA – O Espaço-Entre
Manhãs | 9h30 às 13h30 | R$ 75,00 a Inteira

22 de setembro – Roda de Conversa Butō: Origem e História
Manhãs | 10h-12h | Gratuita

Horários e inscrições: aqui

Assessoria de Imprensa: BB Comunica – @bb_comunica
Foto: Maria Tortato.

CASA HOFFMANN RECEBE DUAS ÚNICAS APRESENTAÇÕES DE GALOPE, TRABALHO INÉDITO DE PATRICIA CIPRIANO

Espetáculo propõe uma coreografia de autodefesa da memória sapatão e integra programação gratuita em julho, com apresentações e oficina abertas ao público

A performance solo GALOPE, mais recente trabalho da artista Patricia Cipriano, será apresentado em duas únicas sessões nos dias 3 e 4 de julho, às 19h30, na Casa Hoffmann – Centro de Estudos do Movimento. Com entrada gratuita, a obra investiga memória, identidade e pertencimento a partir da experiência sapatão, construindo uma coreografia de autodefesa que articula dança, performance, palavra e arte sonora. A programação inclui ainda a oficina gratuita “Do Trote ao Galope”, ministrada por Cipriano e Janaine Karma e realizada em 1º de julho.

Em GALOPE, a figura do cavalo surge como metáfora de deslocamento, sobrevivência e conexão entre diferentes temporalidades. A partir dessa imagem, Patricia constrói uma dramaturgia corporal que mobiliza memórias individuais e coletivas para reivindicar a presença de pessoas e trajetórias frequentemente invisibilizadas.

Resultado de uma pesquisa iniciada durante residência realizada na Casa Hoffmann, em 2025, GALOPE tem origem no trabalho experimental TROTE, apresentado na Mostra de Residentes. A criação, que agora chega ao público em sua primeira versão integral, foi desenvolvida em parceria com a artista Amira Massabki e integra uma investigação de longa duração sobre arte sapatão e linguagens híbridas que transitam entre teatro, performance, audiovisual e experimentação sonora.

A partir da pergunta “como não desaparecer na história?, Patricia Cipriano investiga a memória como ferramenta de permanência e resistência, especialmente diante do apagamento histórico de experiências e vivências sapatão. “Me interessa pensar a memória como um animal vivo, que continua seu percurso mesmo quando tentam interromper seu caminho e, talvez, não desaparecer seja justamente isso: continuar produzindo vida, arquivo vivo e através do corpo e dos afetos deixar vestígios pelo caminho, marcas que tempo nenhum apaga.”, fala a artista.

Além das apresentações, Patricia Cipriano e a artista e pesquisadora Janaine Karma conduzem a oficina “Do Trote ao Galope” no dia 1º de julho. O encontro propõe o compartilhamento de procedimentos criativos e investigações ligadas ao corpo, à memória e à identidade. A atividade busca construir coletivamente uma coreografia de autodefesa a partir das experiências e repertórios das pessoas participantes, promovendo reflexões sobre proteção à vida, enfrentamento das violências e promoção da igualdade para pessoas LGBTQIAP+.

Sobre Patricia Cipriano
Com mais de duas décadas de atuação nas artes da cena, no audiovisual e na produção cultural, Patricia Cipriano desenvolve uma trajetória marcada pelo diálogo entre criação artística e engajamento político. Integrante da Selvática em Rede e colaboradora da Súbita Companhia, a artista pesquisa práticas dissidentes e investiga as relações entre corpo, performance, gênero e memória, afirmando perspectivas LGBTQIAP+ como eixo central de sua produção.

SERVIÇO:
GALOPE – Performance solo de Patricia Cipriano
03 e 04 de julho, às 19h30Casa Hoffmann – Centro de Estudos do Movimento (Rua Dr. Claudino dos Santos, 58 – São Francisco, Curitiba/PR)
Entrada gratuita
Classificação indicativa: 18 anos
A apresentação do dia 04 de julho contará com audiodescrição e bate-papo após a performance.

Oficina – Do Trote ao Galope
Com Patricia Cipriano e Janaine Karma
1º de julho, das 14h30 às 17h30
Casa Hoffmann – Centro de Estudos do Movimento (Rua Dr. Claudino dos Santos, 58 – São Francisco, Curitiba/PR)
Participação gratuita
Inscrições: em breve, pelos perfis das produtoras no Instagram.
Mais informações: @furiosasproducoes | @flutuaproducoes

FICHA TÉCNICA
Idealização e performance: Patricia Cipriano
Desenho de som: Amira Massabki
Iluminação: Semy Monastier
Interlocução artística: Janaine Karma
Direção de produção: Gilmar Kaminski
Produção executiva: Dânatha Siqueira
Audiodescrição: ElasAD – Joselba Fonseca
Design gráfico: Pablito Kucarz
Assessoria de imprensa: Thays Cristine
Redes sociais e criação de conteúdo: Gabriela Berbert
Realização: Furiosas Produções
Produção: Flutua Produções

Projeto realizado com recursos do Programa de Apoio, Fomento e Incentivo à Cultura de Curitiba – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.

RETRÓPICA INICIA TEMPORADA NA CASA HOFFMANN NESTE FIM DE SEMANA

Espetáculo contemporâneo contemplado pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna conta com a colaboração do público curitibano para a sua concepção

Brasil e Antropofagia cultural. Uma pesquisa de dança contemporânea de iniciativa da artista paulistana Mari Paula discute e atualiza esses temas em um espetáculo solo cuja a concepção “final” contará com a colaboração do público curitibano. A obra, que foi contemplada pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna – edição 2015, chega ao público da capital paranaense com apresentações a preços populares durante o mês de setembro. O projeto, cuja produção está a cargo da Associação de Bailarinos e Apoiadores do Balé Teatro Guaíra – a ABABTG, ainda conta com oficinas e mostras de processo.

De acordo com a bailarina, performer e diretora Mari Paula, o Brasil não foi “descoberto” por um fidalgo navegador e sua caravela. “A colônia Brasil descendeu de um tratado ibérico que, em sua bula papal, estipulou que o leste de uma linha meridional seria ‘redescoberto’ por Portugal e o oeste dessa mesma linha ficaria para a Espanha”, defende. Segundo a pesquisadora, os corpos brasileiros se movem e agem sob essa influência histórica, o que repercute em uma produção artística nem sempre originalmente nacional.

Com base na antropofagia cultural, a pesquisa de Retrópica, aborda o hibridismo existente entre alguns elementos da cultura brasileira e da península ibérica e conta com a colaboração dos curitibanos para se aproximar de uma arte de identidade brasileira. Tal contribuição do público se dará por meio de duas mostras de processo e 10 oficinas culturais intituladas “O corpo brasileiro e a performatividade”, para o levantamento de reflexões e partilhas em torno do tema.

“Curitiba apresenta um determinado contexto sócio-identitário europeu, mas está localizada em uma realidade sócio-política latino-americana. Diante disso, se faz relevante ingressar em discussões sobre arte de identidade brasileira aqui e tornar essas partilhas parte do espetáculo. É por isso que a criação de Retrópica organiza-se em caráter híbrido, com a participação do público”, explica Mari Paula.

O resultado desse trabalho teve a sua estreia com três apresentações na Casa Selvática e segue agora em temporada na Casa Hoffmann, de 15 16 de setembro, com ingressos a R$ 10,00 e uma sessão gratuita no dia 17. O projeto conta com a colaboração de artistas como Ângela Donat, Airton Rodrigues, Fernando de Castro, Giorgia Conceição, Leonarda Glück, Ricardo Nolasco, Vítor Sabbag e Wagner Corrêa e com a produção da ABABTG – Associação de Bailarinos e Apoiadores do Balé Teatro Guaíra.

A Associação de Bailarinos e Apoiadores do Balé Teatro Guaíra apresenta
Espetáculo Retrópica, de Mari Paula
Na Casa Hoffmann
Datas: Dias 15 e 16 de setembro, às 20h. Dia 17 de setembro, às 11h e às 20h.
Ingressos: R$ 10,00 (retirados no dia do evento, na bilheteria do espaço, uma hora antes do espetáculo)
Obs.: Haverá sessão gratuita no dia 17 de setembro, às 11h
Endereço: Rua Dr. Claudino dos Santos, 58 – São Francisco, Curitiba.
Projeto contemplado pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna – edição 2015
Classificação indicativa: 14 anos
Produção: ABABTG
Contato: (41) 3044-7439 / 99136-7884

Ficha técnica:
Concepção e performance: Mari Paula
Colaboração: Airton Rodrigues, Ángela Donat, Giorgia Conceição, Leonarda Glück e Ricardo Nolasco
Iluminação: Trio desenho de luz – Wagner Correa e Victor Sabbag
Operação de Luz: Semy Monastier
Sonoplastia: Fernando de Castro
Ilustração: Evandro Prado
Vídeo: Marcus Vinicius Bonato e Livea Castro Calvo
Foto: Frank Pittoors, Ángela Donat e Cayo Vieira
Assessoria de impressa: Smartcom – Inteligência em Comunicação
Designer gráfico e gerenciamento de redes sociais: RDO Brasil
Direção de produção: Jorge Schneider
Coordenação geral: Simone Bönisch
Agradecimentos: Gabriel Machado, Adrián Torices Sáez, Alma Sáenz, Demétrio Sanches, Gil Costa, Victor Hugo, Ana Machado, Centro Cultural Teatro Guaíra, Estúdio Aire Flamenco, Casa Hoffmann e Casa Selvática.

ABABTG
Fundada em 2007, a Associação de Bailarinos e Apoiadores do Balé Teatro Guaíra surgiu para fortalecer a dança e demais artes motivando uma ligação sinérgica entre os setores público e privado. Para tanto, tem desenvolvido projetos culturais que promovam ações de formação, atualização, divulgação e fomento da dança, em suas diversas linguagens. A formação de público e o apoio à gestão de carreira de seus associados bailarinos, ex-bailarinos e apoiadores do Balé Teatro Guaíra também estão entre os compromissos da ABABTG. Formalizada como uma agremiação artística e cultural de caráter civil e personalidade jurídica e recentemente qualificada como Organização Social, a Associação tem demonstrado uma atividade intensa desde a sua fundação. Entre os seus principais eventos está a Mostra Paranaense de Dança, realizada anualmente em diferentes cidades do Estado para incentivar e valorizar bailarinos e grupos amadores e promover apresentações profissionais a preços populares. www.ababtg.org.br/mostra | www.facebook.com/ababtgoficial/

RETRÓPICA ATUALIZA O TROPICALISMO E A ANTROPOFAGIA NA DANÇA

Crédito da foto: Frank Pittoors

Espetáculo contemporâneo contemplado pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna contará com a colaboração do público curitibano para a sua concepção

Brasil e Antropofagia cultural. Uma pesquisa de dança contemporânea de iniciativa da artista paulistana Mari Paula discute e atualiza esses temas em um espetáculo solo cuja a concepção “final” contará com a colaboração do público curitibano. A obra, que foi contemplada pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna – edição 2015, chega ao público da capital paranaense com apresentações a preços populares durante o mês de setembro. O projeto, cuja produção está a cargo da Associação de Bailarinos e Apoiadores do Balé Teatro Guaíra – a ABABTG, ainda conta com oficinas e mostras de processo.

De acordo com a bailarina, performer e diretora Mari Paula, o Brasil não foi “descoberto” por um fidalgo navegador e sua caravela. “A colônia Brasil descendeu de um tratado ibérico que, em sua bula papal, estipulou que o leste de uma linha meridional seria ‘redescoberto’ por Portugal e o oeste dessa mesma linha ficaria para a Espanha”, defende. Segundo a pesquisadora, os corpos brasileiros se movem e agem sob essa influência histórica, o que repercute em uma produção artística nem sempre originalmente nacional.

Com base na antropofagia cultural, a pesquisa de Retrópica, aborda o hibridismo existente entre alguns elementos da cultura brasileira e da península ibérica e conta com a colaboração dos curitibanos para se aproximar de uma arte de identidade brasileira. Tal contribuição do público se dará por meio de duas mostras de processo e 10 oficinas culturais intituladas “O corpo brasileiro e a performatividade”, para o levantamento de reflexões e partilhas em torno do tema.

“Curitiba apresenta um determinado contexto sócio-identitário europeu, mas está localizada em uma realidade sócio-política latino-americana. Diante disso, se faz relevante ingressar em discussões sobre arte de identidade brasileira aqui e tornar essas partilhas parte do espetáculo. É por isso que a criação de Retrópica organiza-se em caráter híbrido, com a participação do público”, explica Mari Paula.

O resultado desse trabalho poderá ser conferido em três apresentações na Casa Hoffmann e seis na Casa Selvática de 1 a 17 de setembro, com ingressos a R$ 10,00 e uma sessão gratuita na Casa Hoffmann. O projeto conta com a colaboração de artistas como Ângela Donat, Airton Rodrigues, Fernando de Castro, Giorgia Conceição, Leonarda Glück, Ricardo Nolasco, Vítor Sabbag e Wagner Corrêa e com a produção da ABABTG – Associação de Bailarinos e Apoiadores do Balé Teatro Guaíra.

Crédito da foto: Ángela Donat

A Associação de Bailarinos e Apoiadores do Balé Teatro Guaíra apresenta Espetáculo Retrópica, de Mari Paula

Crédito da foto: Frank Pittoors

Na Casa Selvática
Datas e hora: De 1 a 3 de setembro e de 8 a 10 de setembro. Sempre às 20hs
Ingressos: R$ 10,00 (retirados no dia do evento, na bilheteria do espaço, uma hora antes do espetáculo)
Endereço: Rua Nunes Machado, 950 – Rebouças, Curitiba
Página do evento, aqui

Na Casa Hoffmann
Datas: Dias 15 e 16 de setembro, às 20h. Dia 17 de setembro, às 11h e às 20h.
Ingressos: R$ 10,00 (retirados no dia do evento, na bilheteria do espaço, uma hora antes do espetáculo)
Obs.: Haverá sessão gratuita no dia 17 de setembro, às 11h
Endereço: Rua Dr. Claudino dos Santos, 58 – São Francisco, Curitiba.

Projeto contemplado pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna – edição 2015
Classificação indicativa: 14 anos
Produção: ABABTG
Contato: (41) 3044-7439 / 99136-7884
Ficha técnica:
Concepção e performance: Mari Paula
Colaboração: Airton Rodrigues, Ángela Donat, Giorgia Conceição, Leonarda Glück e Ricardo Nolasco
Iluminação: Trio desenho de luz – Wagner Correa e Victor Sabbag
Operação de Luz: Semy Monastier
Sonoplastia: Fernando de Castro
Ilustração: Evandro Prado
Vídeo: Marcus Vinicius Bonato e Livea Castro Calvo
Foto: Frank Pittoors, Ángela Donat e Cayo Vieira
Assessoria de impressa: Smartcom – Inteligência em Comunicação
Designer gráfico e gerenciamento de redes sociais: RDO Brasil
Direção de produção: Jorge Schneider
Coordenação geral: Simone Bönisch
Agradecimentos: Gabriel Machado, Adrián Torices Sáez, Alma Sáenz, Demétrio Sanches, Gil Costa, Victor Hugo, Ana Machado, Centro Cultural Teatro Guaíra, Estúdio Aire Flamenco, Casa Hoffmann e Casa Selvática.

ABABTG
Fundada em 2007, a Associação de Bailarinos e Apoiadores do Balé Teatro Guaíra surgiu para fortalecer a dança e demais artes motivando uma ligação sinérgica entre os setores público e privado. Para tanto, tem desenvolvido projetos culturais que promovam ações de formação, atualização, divulgação e fomento da dança, em suas diversas linguagens. A formação de público e o apoio à gestão de carreira de seus associados bailarinos, ex-bailarinos e apoiadores do Balé Teatro Guaíra também estão entre os compromissos da ABABTG. Formalizada como uma agremiação artística e cultural de caráter civil e personalidade jurídica e recentemente qualificada como Organização Social, a Associação tem demonstrado uma atividade intensa desde a sua fundação. Entre os seus principais eventos está a Mostra Paranaense de Dança, realizada anualmente em diferentes cidades do Estado para incentivar e valorizar bailarinos e grupos amadores e promover apresentações profissionais a preços populares.

Saiba mais:
www.ababtg.org.br/mostra
www.facebook.com/ababtgoficial/