NOVOS DEBATES SOBRE A PÓS-MODERNIDADE

Noite Ciborgue e Natura in Data de Aricia Machado chegam ao MuMA em dezembro

Curitiba sedia, a partir do mês de dezembro, as videoinstalações da artista Aricia Machado. A dobradinha imprevista (porém bem-vinda) de Natura in Data, aberta ao público no dia 02, e Noite Ciborgue, que inicia no dia 10, acontecem no MuMA, no Portão Cultural. Com curadoria de Guilherme Zawa, as exposições convidam o espectador a um cenário de instalações imersivas, vídeos com audiodescrição, esculturas e ilustrações de processo, que apresentam indagações e convidam o espectador a novas discussões sobre a pós-modernidade, a humanidade e a nossa relação com a tecnologia. “Aricia transita entre a biologia e as artes”, comenta Zawa, “da mesma forma que suas indagações sobre os temas aos quais se debruça transitam pelo vídeo, escultura e instalação”. Para a artista, que também é diretora de arte no cinema, “As questões sobre o excesso de tecnologias e redes artificiais deixam uma camada, fruto de um certo otimismo perante as tecnologias, intocável e simultaneamente sublime. Mas ao mesmo tempo há uma outra camada mais bruta, distópica, que é fruto de um processo orgânico, que não se governa pelo Homem e dá margem para tantas interpretações’’

Noite Ciborgue é um projeto realizado com recursos do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba, com incentivo do Ebanx e apoio da Casa 4 Ventos.

Natura In Data é um projeto realizado com recursos do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba e teve apoio do Passaúna Paddle Club.

SERVIÇO
O evento de abertura das exposições acontece no dia 11 de dezembro, com um bate-papo com a artista e o curador, das 17h30 às 19h.


Natura in Data:
De 02 de dezembro de 2021 à 06 de fevereiro de 2022


Noite Ciborgue:
De 10 de dezembro de 2021 à 20 de fevereiro de 2022

Local: Museu Municipal de Arte (MuMa) – Portão Cultural
Endereço: Av. República Argentina, 3430, Terminal do Portão – Portão, Curitiba-PR.

Contato:
(41) 3329-2801
portaocultural@fcc.curitiba.pr.gov.br
Horário de funcionamento:
10h às 19h (3ª feira a domingo)
Instagram: @ariciamachado

SOLITUDE (CURTA-METRAGEM)

Solitude (Short Film) from Gabriella on Vimeo.

Curta metragem produzido na Oficina Passeio Audiovisual

Solitude é um curta-metragem experimental sobre a solidão urbana; estar ao redor das pessoas e ainda sentir-se sozinho.

Solitude significa o estado de privacidade de uma pessoa, não significando, propriamente, estado de solidão – representado pela garçonete, que, ao estar em um ambiente tão solitário, ainda sente-se contente em seu próprio mundo.

Direção: Caroline Martins
Roteiro: Felipe Hammerschmidt
Assistência de Direção: Gabriella Maciosek
Direção de Fotografia: Caroline Martins e Francyelli Lechenacoski
Direção de Arte: Nágila Hachmann e Paola Magni
Edição e Finalização: Gabriella Maciosek
Desenho de Som: Paola Magni

Orientado por:
Arícia Machado
Juliana Sanson
Leandro Borges
Thiago Takemori

Música: Calmô – Liniker e os Caramelows.

 

PROJETO THEA: PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

O evento acontecerá no dia 14 de setembro a partir das 16 horas, promovendo intercâmbio artístico-cultural, com o objetivo de arrecadar donativos para a Casa da Mulher Brasileira em Curitiba, uma organização não-governamental que acolhe mulheres vítimas de violência doméstica. 

A cada 2 minutos, uma agressão contra mulher é registrada no Brasil. Por dia, 3 crimes de feminicídio são registrados. O machismo cala as mulheres pelo medo. E, mesmo quando se decide denunciar o agressor, a violência é propagada por falta de informação, falta de apoio, burocracia e por uma cultura vigente em que se questiona e culpa a vítima.

Informar, orientar, dar apoio e acolher ajuda a minimizar as dificuldades de quem enfrenta esse problema. Com isso em mente, o Projeto Thea vem promover um encontro com profissionais da área jurídica, social e da saúde, especialistas no combate da violência contra a mulher; com arte e reflexão, o apoio às redes de apoio às mulheres empreendedoras.

O Projeto Thea é uma iniciativa AsteroideBogotá, com patrocínio do Grupo Boticário e apoio do Projeto Pégaso.

PROGRAMAÇÃO:
(sujeita a alterações)
16h – Abertura da casa
16h10 – Abertura da exposição coletiva “Travessia“, curadoria de Ana Rivelles
Artistas:

Adelina Takako Nishiyama
Aricia Machado
Cintia Ribas
Deise Dias
Isabelle Mesquita
Lisa Panont
Polyanna Morgana
Vivien Zanlorenzi
16h15 – Abertura do Flash Tattoo com Giovanna Biglia
16h30 – Discotecagem com Carmen Agulham
17h – Exibição de filmes (longas e curtas) selecionados pela curadoria de Ray O’Haylle 
19h – Show com Brejeiras

*O bar estará aberto com venda de comidinhas e bebidas (Os valores serão revertidos para a campanha)
**Durante o evento disponibilizaremos consultoria jurídica gratuita.
***Os ingressos serão vendidos no dia do evento.

Como posso ajudar na campanha?
– Indo ao evento! (Se optar por pagar R$10,00 de entrada, o valor será revertido para a campanha. Se optar por levar a sua doação, melhor ainda!)
– Você também pode entregar sua doação nos pontos de coleta (informações em andamento);
– Adquirindo uma obra da exposição de arte;
– Comprando um dos pratos e/ou bebidas vendidos no evento. (O valor arrecadado será revertido para a campanha.)
– Divulgando o evento/campanha!
– Sendo voluntário no dia do evento!

O contato pode ser feito pelo WhatsApp (41 99581 3018 – Ana Rivelles).

SERVIÇO
Projeto Thea
Data: 14 de setembro (sábado)
Hora: 16h
Local: Asteroide Filmes, Rua Flávio Dallegrave, n 2661, Hugo Lange, em Curitiba.
Ingresso: R$ 10 ou um kit de higiene pessoal (sabonete, shampoo, escova e pasta de dentes) ou ainda, pijama, roupa íntima ou chinelos para doação à Casa da Mulher Brasileira.
Página do evento, aqui

TEXTO SOBRE A VÍDEO INSTALAÇÃO ORGANISMO IN CYBER, MUMA

Por Diogo Woiczack

E que assim seja quando o próximo passo for o abismo. E ao invés da floresta imensa que resiste e resistirá por breve tempo talvez (ou não), veremos a ordem e o progresso dilacerando animais, humanos, terra, tudo. Plantando casas em lugares outros, com suas famílias, carros e celulares, como todas as famílias desse mundo de deus.

No Organismo in Cyber de Arícia Machado, essa cena pode acontecer – caso se consiga parar para olhar o abismo. E acuado, olhar para os índios que despertam como que de um grande porre, cercados por monitores de tubo, antigos. Mas não são indígenas naturais, são pessoas como eu e você pintados de neon. Há essa transposição entre realidades, inclusive temporais. Esse anacronismo e desencaixe entre as peças colaboram para o cenário distópico, retratado principalmente nos corpos.

São quatros filmes em looping projetados em três paredes – o que também sugere um teatro invertido, ou jaula. Cada uma das imagens obedecem, fora uma ou outra dissonância, uma única cena própria, num único plano fixo, como nos primórdios do cinema. As imagens são coloridas e possuem uma luz bem trabalhada, que acentua o brilho do fogo e do neon na noite escura.

No eixo formado pelas paredes laterais, notamos a dicotomia entre o despertar e o desfalecer. O despertar da tribo e o agonizante fim do pajé. Na projeção frontal duas cenas: 1. Um rito onde homens-índios encarnam uma dança em transe, caminhando para o primeiro plano, para o close da câmara, retirando fios de nylon de suas bocas, como tantas tartarugas no facebook. 2. Mulheres-índias e homens-índios estão corpo-a-corpo, deitados uns sobre os outros, como uma orgia filmada no bumerangue do insta, um movimento de vai e vem sem ir nem vir – por isso sem sensualidade, talvez.

Em alguns momentos esses cyber-índios nos encaram de frente, como se pudessem nos ver. Apesar do looping há uma sequência proposta, um ciclo pontuado pelo despertar e pela morte. No meio, o sagrado e o sexo, atravessado pela profusão de imagens que nos cercam, que desafiam a atenção e o entendimento. Uma entropia tão humana quanto a vivência de um mundo capturado em diferentes telas e pixels.

Essas imagem eu vi no abismo de Arícia Machado. Imagens muito bem produzidas pela sociedade mais tecnológica de todos os tempos, mas que retratam um mundo sem esperanças, conectado por redes de todos os tipos, que nos prendem em todas as partes num lento afogar. É como se estivéssemos cercados por toda nossa sucata e dejetos, condenados ao destino daqueles que exterminamos para construir o Brasil do futuro.


Serviço:
Vídeo Instalação ”Organismo In Cyber” no CACC
Data: de 27 de fev até 12 de março, das 10h às 19h
Local: Museu Municipal de Arte (MuMA) – Portão Cultural, Av. Rep. Argentina, 3.432 – Portão, Curitiba
Entrada gratuita!
Confira a página do evento, aqui