Blogue FATO Agenda divulga: 1) vagas e oportunidades em comunicação social, mkt e design em Curitiba e região. 2) Agenda cultural da cidade. 3) Livros e discos de vinil (do Sebinho FATO Agenda). Editado há 17 anos (desde 2009) pelo jornalista Leandro Hammerschmidt.
Categoria: CURITIBA / RMC
Nessa categoria você encontra vagas e oportunidades na cidade de Curitiba-PR e região metropolitana, rmc.
Analista de Gestão de Pessoas Pleno (Generalista). Vaga para trabalhar em Curitiba-PR. Atuação em Hospital de Pequeno Porte.
Responsabilidades: – Implementar as ações e projetos definidos pelo planejamento estratégico no que se refere a Gestão de Pessoas; – Responder pelo processo de Recrutamento e Seleção de cargos operacionais e estratégicos; – Criar políticas para buscar, desenvolver e reter talentos; – Coordenar os processos e atividades de recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento, benefícios, legislação trabalhista e áreas afins; – Identificar necessidade de treinamento e desenvolvimento, bem como elaborar e aplicar ferramentas; – Organizar e acompanhar o processo de integração de novos colaboradores da empresa, elaborar regulamentos internos, normas do hospital e similares; – Acompanhar, analisar e apresentar indicadores de gestão de pessoas afim de observar melhorias; – Elaborar e gerir os orçamentos da área e gestão de pessoas; – Apoiar todas as diretorias e demais coordenações da empresa na resolução de conflitos; – Atendimento orientativo a colaboradores e lideranças; – Negociar e fechar contratos com fornecedores da área de gestão de pessoas; – Atuar junto com área de Marketing em ações de endomarketing; – Acompanhar a saúde laboral e políticas de segurança do trabalho; – Acompanhar vencimentos dos laudos referentes a saúde e segurança no trabalho; – Controlar e efetuar a manutenção dos cartões ponto da empresa; – Programação de férias; – Participar de reuniões estratégicas para definir diretrizes.
Requisitos: – Superior Completo em Recursos Humanos, Psicologia ou afins; – Conhecimento intermediário de informática; – Experiência de no mínimo 3 anos na função.
Diferencial: – Especialização na área de Gestão de Pessoas, Psicologia Organizacional ou afins; – Conhecimento em rotinas de Departamento Pessoal – Experiência na área assistencial
Contrato: CLT. Remuneração: R$ 3.200,00 + Vale refeição + Vale Alimentação + Plano de Saúde + Plano Odontológico
EXECUTIVO(A) DE VENDAS. Várias regiões até 2 vagas por cidade. Local de trabalho: Campo Largo-PR, Londrina-PR, Cascavel-PR, Itajaí-SC, Goiânia-GO, Campo Grande-MS e Cuiabá-MT.
atividades: – Prospectar novos clientes, elaboração e negociações de propostas comerciais, vendas de frete, relacionamento com clientes, e outras atividades da área comercial.
requisitos: – Ensino médio completo; – Desejável graduação na área: Administração, logística ou marketing ou afins; – Veículo próprio e CNH B; – Vivência na área comercial do transporte/logística. – Trabalho externo na região.
Perfil: – Buscamos profissionais éticos, empáticos, comprometidos e que priorize um atendimento de excelência, boa comunicação verbal e escrita, bom relacionamento interpessoal, disciplina para cumprimento de rotina; – Disposição para trabalhos externos.
Horário: Segunda a Sábado – 44 horas semanais.
Salário compatível com o mercado + comissão, vale refeição, seguro de vida, plano odontológico, vale transporte, cartão multi benefícios.
Local de trabalho: Campo Largo-PR – Londrina-PR – Cascavel-PR – Itajaí-SC – Goiânia-GO – Campo Grande-MS e Cuiabá-MT.
Enviar e-mail com currículo para: recrutamento@gobor.com.br informando no campo assunto: Título da vaga e a cidade.
Gerente de Marketing. Vaga para trabalhar em Curitiba.
atividades: Desenvolver estratégias de marketing e identidade visual da marca, implementar ações com o intuito de promover a imagem da empresa e de aprimorar os negócios, realizar pesquisas de mercado e desenvolver estratégias que aumentem os resultados. Reporte ao VP.
Requisitos: – Superior completo, inglês avançado. Desejável Espanhol. – Experiência na área de no mínimo 2 anos.
Horário: Comercial de segunda à sexta.
Benefícios: Vale Refeição, Vale Transporte, Plano de Saúde Amil, Plano Odontológico.
Sistema Fiep abre processo seletivo para Designer PL. Vaga para trabalhar na Sesi Sede, em Curitiba, no centro da cidade. Vaga presencial, mas no momento estão em formato híbrido. Inscrições abertas de 27 à 03 de setembro de 2021.
“Sistema Fiep é sinônimo de fortalecimento da indústria. Trabalhamos de forma integrada, com soluções capazes de melhorar os resultados das indústrias, movimentar a economia, realizar sonhos, empregar e projetar o Paraná no cenário internacional.
Esta é a nossa missão: servir e fortalecer a indústria para melhorar a sua vida.
Pra você que deseja contribuir com o desenvolvimento da indústria e da sociedade, esta vaga pode ser sua!
Qual é a posição? – Designer PL
Quais são os desafios e as principais responsabilidades? – Desenvolvimento de campanhas publicitárias, conceitos criativos / identidades visuais, folders, livretos, revistas, materiais gráficos em geral e para PDVs; Adaptação de peças gráficas para formatos variados: online (anúncios, e-mkts, banners, etc.) e offline (anúncios, impressos, ambientações, estandes promocionais, etc.); Tratamento de imagens e fechamento de arquivos online (html) e off-line (gráficas / veículos);
Gostou? Então verifique se você possui os requisitos abaixo: – Superior completo em Design, Publicidade e Propaganda, Artes visuais, Marketing ou áreas afins; – Desejável Pós-Graduação (especialização ou MBA) nas áreas de Marketing, Comunicação, Design, Artes ou áreas correlatas; – Desejável Inglês Intermediário – Conhecimento em design gráfico e motion design; – Experiência comprovada nas áreas de design / criação / direção de arte; – Conhecimentos em usabilidade e arquitetura da informação; – Conhecimentos avançados em programas populares de criação, editoração e design; – Conhecimentos avançados do pacote Creative Cloud (Photoshop, Illustrator, InDesign, Dreamweaver) – Adobe
Conheça nosso pacote de benefícios: – Plano de Saúde; – Vale Transporte; – Vale Refeição/Alimentação; – Previdência privada; – Desconto para estudos no Sistema Fiep; – Auxílio creche (até os 6 anos de idade); – Associação de funcionários; – Cartão Viva Mais.
Fique por dentro de alguns detalhes sobre esta oportunidade: – Local de trabalho: Sesi Sede – Curitiba/PR – Horário: 9h as 12h e 14h as 19h (40h semanais) – Tipo de contrato: CLT Indeterminado
Ficou interessado? Candidate-se e boa sorte! O prazo para inscrição neste processo seletivo é dos dias 27/09/2021 á 03/10/2021.
Interessados inscrevam-se através deste link / Código da vaga: JP-83439 – Designer PL – RP 6498 – Sesi Curitiba-PR
Essa vaga também se destina a pessoas com deficiência (PCD) ou reabilitados (as).
Este processo seletivo tem validade de 24 meses, podendo ocorrer o aproveitamento de candidatos aprovados em novas oportunidades deste mesmo perfil, seguindo a ordem de classificação.
CG Multimídia contrata Publicitário. Vaga para trabalhar em Curitiba.
“Cursando Publicidade e Propaganda, Comunicação, ou Marketing? Tem conta em mais de 5 redes sociais? É Proativo, trabalha bem em equipe, conhecimento em mídias on e off e anúncios?
Conhecimento em mídias sociais, divulgação de materiais e criação de conteúdo.
Horário, Salário e Benefícios à combinar
Interessados enviem currículo através do site, neste link
Processo seletivo Soluemba. Empresa contrata Desenhista Industrial. Para trabalhar em Campo Magro-PR.
ATIVIDADES: – Realizar desenhos de embalagens já prontas; – Realizar desenho de embalagens já fabricadas; – Realizar desenhos em desenvolvimentos na área de projetos; – Emissão de lista de corte para confecção de embalagens; – Realizar visitas a clientes quando necessário; – Desenvolver projetos; – Implantar projetos de melhorias e redução de custo em embalagens já existentes.
REQUISITOS: – Necessário Conhecimento e/ou curso em Solidworks e Autocad – Ter conhecimento em desenvolver embalagens a partir de cálculos matemáticos; – Ter conhecimento sobre embalagens de madeira e vontade de aprender sobre. – Ter curso técnico de DESENHO INDUSTRIAL ou estar cursando.
Horário de trabalho: De Segunda à Sexta das 07:45 às 17:30 com 1 hora de almoço.
Salário a combinar.
De benefícios a empresa oferece: – Refeição no local – VT ou Ajuda de Custo – Plano de Saúde e convênio farmácia.
Interessados enviem currículo com pretensão salarial no e-mail: rh@soluemba.com.br
Gerente de Marketing. Vaga para trabalhar em Curitiba.
atividades: Desenvolver estratégias de marketing e identidade visual da marca, implementar ações com o intuito de promover a imagem da empresa e de aprimorar os negócios, realizar pesquisas de mercado e desenvolver estratégias que aumentem os resultados. Reporte ao VP.
Requisitos: – Superior completo, inglês avançado. Desejável Espanhol. – Experiência na área de no mínimo 2 anos.
Horário: Comercial, de segunda à sexta.
Benefícios: Vale Refeição, Vale Transporte, Plano de Saúde Amil, Plano Odontológico.
Artista multidisciplinar e luthier curitibano, Seithy faz de sua estreia musical um reflexo de sua identidade enquanto latino americano amarelo que vê sua cultura ser apropriada e invisibilizada. A urgente “Sem Nome” é guiada pela guitarra Kakushin-I de confecção própria e pela produção musical de Hugo Noguchi. A faixa está disponível em todos os serviços de música digital e antecipa o álbum “Haikai Espiritado”.
“Depois de anos num coma colonial, entre não-lugares, inseguranças e naturalmente alocado à margem do possível, decidi saltar. Existo nesse salto, livre, caótico, saturado, conflituoso e humano. De som e de ser”, reflete ele.
No single “Sem Nome”, Seithy busca um olhar descolonial inspirado por todas as histórias, civilização e relatos que foram esquecidos em processos predatórios, desde terras até criações artísticas.
“Essa faixa é sobre o sufocar neo-colonial, não em meu nome, mas em nome de qualquer natureza não hegemônica, sobre artefatos, sobre as histórias caladas, aterradas, queimadas, sobre entrar num museu e se resumir num artefato exótico de autoria desconhecida, da cerâmica indiana do século II ao adorno kaingang de 2017”, conta Seithy.
O lançamento é uma aposta do selo Diáspora, projeto de Hugo Noguchi que pretende dar visibilidade para que artistas racializados se insiram de modo profissional no mercado musical, buscando descendentes das diásporas africana e asiática, bem como das internas brasileiras. “Sem Nome” está disponível em todas as plataformas de streaming musical.
Ficha técnica: Música por Seithy Voz, violão, guitarra e bateria acústica: Seithy. Engenharia de som e gravação da voz e bateria acústica por Leonardo Gumiero no Gume Estúdio. Baixo, produção musical, mixagem e masterização por Hugo Noguchi.
Seithy – crédito Fanny Ogata
Letra Decolonize o som Mas tenta ouvir também A voz que se apagou, que embranqueceu Amém. De baixo da terra ou na cinza do fogo, das velhas bocas dos povos negados aqui. Desestatize a cor, mas tenta ver além Quem sucumbiu à mão Que vem de contra-mão, e insiste em esclarecer Que o lugar pra fala é claro e restrito Basta que vivo ou revividamente ocupe-o
Faça-se você mesmo, publicado pela PONTOEDITA, chega ao Brasil em edição com J. P. Cuenca e Bernardo Cople.
Influenciado por Godard e García Márquez, argentino Enzo Maqueira discute em livro a desconstrução da masculinidade e a formação do homem
Faça-se você mesmo, publicado pela PONTOEDITA, chega ao Brasil em edição com J. P. Cuenca e Bernardo Cople.
Faça-se você mesmo, do argentino Enzo Maqueira (Buenos Aires, 1977), é uma jornada em busca da literatura que há no real, uma crônica da felicidade perdida. O livro, que foi finalista do Prêmio Silverio Cañada da Semana Negra de Gijón, na Espanha (2019), é uma história de memórias, de projetos, mas também de tragédias e de erros. A edição da PONTOEDITA, com intervenção do escritor e cineasta J. P. Cuenca e capa com fotografia do premiado diretor de arte e publicitário carioca Bernardo Cople, marca a estreia de Maqueira no Brasil. Considerado pela crítica argentina uma das vozes mais proeminentes da literatura latino-americana (La Nación, Clarín), Maqueira aborda em sua prosa temas fundamentais como a religião, as drogas e a heteronormatividade, de modo a evidenciar que toda forma de arte é uma enunciação eminentemente política.
Solilóquio de um personagem atormentado pela possibilidade de estar doente e pela necessidade não apenas de ser outra pessoa, mas sobretudo de imaginar como deverá ser (para ele, a felicidade está em transformar-se em artista), Faça-se você mesmo acompanha alguns dias na vida de um homem sem nome e sem convicções que foge de Buenos Aires para a casa dos avós onde passava os verões de sua infância. A casa — um território sagrado no meio da Patagônia desértica — fica em San Benito, um vilarejo fictício, quase mítico, que não é apenas uma encarnação narrativa de Comodoro Rivadavia (cidade em que o autor de fato costumava, assim como seu protagonista, passar as férias de infância na casa dos avós), mas também uma homenagem a Coronel Vallejos de Manuel Puig e Macondo de Gabriel García Márquez.
Nesse lugar cheio de fantasmas do passado, entre as memórias agradáveis de verões ao lado dos avós, agora mortos, e de amigos, agora ausentes, o protagonista ganha consciência de sua covardia a partir de uma sequência de frustrações. A expectativa de futuro o impede de fazer qualquer coisa no presente, de concluir qualquer tarefa, e se traduz em procrastinação e insatisfação contínuas.
A partir de referências aos grandes mestres da Nouvelle Vague e à banda de rock inglesa Queen, o livro extrapola os limites do gênero e ganha contornos cinematográficos à medida que o protagonista se torna, ele mesmo, personagem da própria ficção. Mas a beleza da prosa de Maqueira está na desconfiança dos limites da palavra (na epígrafe que abre o livro, tirada do filme Adeus à linguagem, de Jean-Luc Godard, lemos: “As palavras — não quero voltar a saber delas”) e isso pode causar nos leitores certo nervosismo ou ansiedade por símbolos e interpretações. Pois se a narrativa começa com um tom quase idílico de busca da felicidade perdida na infância, ela vai aos poucos se transformando em outra coisa, ficando mais sombria.
A maior homenagem, porém, é a Fellini, em especial ao filme Oito e meio (há inclusive um capítulo com esse título). Em certo momento, o narrador declara: “Fellini tinha razão: as únicas memórias que valem a pena estão na infância.” Entretanto, se, como em Fellini, o romance de Maqueira de fato tem um ponto de partida autobiográfico, sua prosa não cai na autoficção, pois se abre às exigências da narrativa e propõe uma reflexão profunda sobre como a sociedade criou, mediante múltiplas ficções, uma idealização da obrigação de ser feliz. Essa obrigação (o último bastião do neoliberalismo) é equacionada no discurso vazio da autoajuda que ressoa na ironia fina presente no título (que torce a fórmula americana “do it yourself”) e dá o tom do estilo que a linguagem de Maqueira coloca em cena: um sarcasmo fellinesco que transita entre realidade, sonho ou suprarrealidade.
Essas fronteiras fluidas ganham forma na figura de um vizinho parecido com Freddie Mercury, ídolo de sua infância. A imagem do líder do Queen, que representa uma nova masculinidade, entra em conflito com a imagem do avô, símbolo de um patriarcado falido, e obriga o protagonista a enfrentar seus próprios demônios.
Mas, conforme pergunta J. P. Cuenca em sua intervenção, como seria o solilóquio de um personagem-macho em tempos de queda do capital simbólico do homem branco, intelectual, heteronormativo no mercado das ideias e da cultura? São perguntas como essa que, entre canções do Queen e referências a Truffaut, Godard e Varda, Maqueira elabora narrativamente.
Sobre o projeto gráfico O projeto gráfico original da PONTOEDITA explora a fronteira entre realidade e ficção presente na narrativa e materializada na fotografia de Bernardo Cople na capa, impressa em papel texturizado feito com fibras de algodão. Como memória ancestral da paisagem narrativa (com a qual mantém uma relação anacrônica — a fotografia é de 2015 e o livro foi lançado na Argentina em 2018), a imagem é um convite a múltiplas interpretações.
O miolo, na medida em que apresenta em frames de um rolo de filme contínuo os rascunhos de roteiros que o personagem jamais executará, resgata graficamente a consciência cinematográfica que Maqueira imprime na narrativa.
O uso da imagem em preto em branco e do amarelo é uma homenagem às capas clássicas da revista francesa Cahiers du Cinéma e à Série Noire, famosa coleção de romances policiais da editora Gallimard criada por Marcel Duhamel em 1945 e da qual a edição da PONTOEDITA faz uma releitura, também, do formato.
“Faça-se você mesmo” é o livro no. 5 da PONTOEDITA.
Sobre o autor Enzo Maqueira (Buenos Aires, 1977) é um escritor e jornalista argentino. Formou-se em Comunicação Social no Centro de Altos Estudios en Ciencias Exactas e é colaborador do Clarín e das revistas Anfibia, Vice e Viva, além de apresentador do programa Narraciones Extraordinarias na Radio Provincia de Buenos Aires. Considerado uma das vozes mais proeminentes da literatura contemporânea latino-americana, é autor dos livros “istorias de putas (2008), Ruda macho (2010), El impostor (2011), Electrónica (2014) e Rarities (2021). Publicado originalmente em 2018, Faça-se você mesmo foi finalista do Prêmio Silverio Cañada da Semana Negra de Gijón, na Espanha, e é a estreia do autor no Brasil.
Sobre a editora A PONTOEDITA é uma editora independente e de nicho que publica literatura, artes visuais, música, poesia, performance e tradução sempre em edições únicas com tratamento editorial autoral e intervenções exclusivas de artistas dos mais variados campos.
Ficha técnica Título: Faça-se você mesmo Autor: Enzo Maqueira Tradutor: Mauricio Tamboni Apresentação: J. P. Cuenca Imagem da capa: Bernardo Cople Número de páginas: 144 Valor: R$99,90 À venda exclusivamente no site da editora, neste link: https://bit.ly/2XzfdQv
Depois de andar por três dias seguidos através da linha do trem, dormindo no mato ou em casas abandonadas que encontrava pelo caminho, Bruno Sant’Anna, com seus cabelos longos – algo entre Descartes e Keanu Reeves – e o corpo magro e fino, se deu conta de que havia chegado a Paranaguá. O aviso de que estava na cidade portuária veio pelo ar: sentiu o cheiro úmido da soja que caíra dos caminhões e agora apodrecia nas ruas que levavam ao porto. Aos 21 anos, Sant’Anna percorrera 110 km em um estado de quase inconsciência. Os calçados estavam forrados por folhas e a mochila recheada com chocolate, ovos (que se quebrariam mais tarde e fariam uma grande bagunça), bolacha, latas de sardinha Pescador, duas velas, duas cervejas e um pão fatiado – que somavam R$15,98 e foram comprados em um mercadinho em Piraquara, nas primeiras horas de viagem – davam o tom do seu estado de espírito.
A fuga surgiu sem que o estudante de Filosofia soubesse que estava fugindo, escapando de uma realidade que dia após dia lhe escarrava no rosto. Bruno passara a noite com os colegas de faculdade no Academia do Lanche, um bar tradicional ao lado da Reitoria da UFPR, comumente chamando de Zarabata, e havia pouco que perdera o emprego como professor em um cursinho particular de Curitiba depois de retrucar um aluno – que o mandara para lugares de luminosidade irregular – em tentativas constantes de criar uma rebelião na sala.
Com o celular na mão, o lendário Nokia 3310, o professor calculou quanto o garoto valia no seu salário: pouco mais de seis centavos.
– Não precisa mais aparecer na minha aula –, disse em um tom entre a súplica e a camaradagem, como se fizesse um bem para o adolescente, e estendeu uma moeda de um real, mais que o suficiente para que desaparecesse durante todo o resto do ano.
Não demorou para que o pai do garoto soubesse da história e, advogando em favor do filho, fosse em busca de reparações. Estaria tudo bem se o professor, já despido do seu próprio arroubo rebelde, pedisse desculpas. “Eu me neguei e pedi demissão”, conta – passados já treze anos. “Eu devia ter esperado que me mandassem embora.” Tentando esquecer o aluguel, tomou algumas cervejas e fumou um baseado, o bastante para lhe tirar de órbita.
***
– Você é louco –. O homem, um negro que encontrara poucos minutos antes na estrada de ferro, tentava dissuadir o amigo desconhecido da ideia, genuinamente estranha, de andar pelos dormentes do trem.
Bruno não se recorda como chegou à casa daquele sujeito. A construção era simples, um bocado de madeira pregada que deixava passar o frio do inverno curitibano. Quando, finalmente, convenceu o anfitrião a levá-lo, em um carro velho e amassado, até certo ponto da ferrovia, pode voltar aos trilhos, onde – ao menos, era o que imaginava – seguiria sozinho.
Na verdade, encontrou outras pessoas pelo caminho, como os funcionários da estrada de ferro que tentaram embarcá-lo à força em um comboio e enviar o peregrino de volta à capital. Esse episódio é nebuloso – como é nebulosa a noite em que dormiu numa casa prestes a desmoronar e que já foi abrigo para o pintor Alfredo Andersen, quando retratava a Serra do Mar –, mas Bruno lembra que conseguiu se desvencilhar dos homens de alguma maneira. Quase no final da viagem, esbarraria com um vendedor de ovos que lhe deu carona em sua Belina e lhe adiantou uns passos até o destino misterioso.
De todas os flashes que aparecem na sua mente, como se fossem uma memória picotada, o mais forte e frequente é o dos pés adormecidos, anestesiados pela caminhada. Uma década mais tarde, Bruno experimentaria essa sensação novamente, desta vez sem se mexer, sem conseguir colocar o corpo para fora da cama. Essa espécie de petrificação jamais o abandonaria. Seria preciso aprender a conviver com ela.